As concepções de cultura junto às reflexões criativas vigentes trazem o tom de equilíbrio nas produções de conteúdo nas plataformas digitais (blogs, mídias sociais e ferramentas em geral que trabalham com divulgação, comunicação e veiculação). Existem regras/técnicas nesta produção – o que fazer e o que não fazer -, mas é importante humanizar a forma para chegar em um produto final mais coeso e contextualizado.

A variedade de etnias, religiões, visões de mundo e outras dimensões indenitárias tem sido cada vez mais reconhecida em vários campos da vida contemporânea. Estamos, enfim, abrindo os olhos e percebendo quem somos e quem está do nosso lado. É uma pauta que muitos, inclusive, acham saturada, por tantas pessoas discutirem, mas é necessária. A complexidade das relações, tensões e conflitos advindos de choques e entrechoques dessas identidades plurais e de suas lutas por afirmação e representação em políticas e práticas sociais extrapola o âmbito da mera reflexão acadêmica. Esse panorama invade nosso cotidiano, evidenciando-se nos espaços virtuais, em que cada vez mais se difundem mensagens racistas e discriminatórias, bem como em qualquer local em que se expresse a face desumana do ódio, da exclusão ou do desprezo ao “outro”, percebido e tratado como diferente. “Refletir sobre mecanismos discriminatórios ou silenciadores da pluralidade cultural, que tanto negam voz a diferentes identidades culturais, silenciando manifestações e conflitos culturais, como buscam homogeneizá-Ias em conformidade com uma perspectiva monocultural, nos abre mais portas de criação e projeção de ideias” (Ana Canen, Doutora em Educação pela Universidade de Glasgow, 1999).

Criar, portanto, é entender a pluralidade em que você está inserido e, em sentido, influenciar de maneira expansiva e saudável.

A circulação de ideias é livre e carrega em si um aditivo de criação incrível. “Quem recebe uma ideia minha, a recebe sem me tirar nada. As ideias devem fluir livremente no mundo, para a educação e melhoria do homem” (Thomas Jefferson, 1813). É com esta direção otimista que deve pensar na ruptura educacional, sobretudo, aliada à tecnologia.

Não é preciso de muito. Até porque, você mesmo pode gerar, carregar, postar. Influenciar. Abrindo um parêntese: John Perry Barlow, ativista digital, possuía influência confiante entre os protagonistas da internet e da década de 1990. Em 97, Nicholas Negroponte, diretor do laboratório de mídia do Massachusetts Institute of Technology, declarava em uma conferência que a internet iria dissolver fronteiras entre países e promover a paz mundial. “Nossas crianças não vão saber o que é nacionalismo”, proclamou (e a matéria completa sobre ele você pode conferir neste link do site Nexo). Transformar também está associado à palavra “renovar”. Porque quando renovamos a maneira de construir nosso olhar sobre o outro, as perspectivas clareiam – e até mudam -, tornando sua criação única. Digna.

O que une este dois temas que, aparentemente não possuem relação alguma, é a importância de gerar uma criação aonde a identificação torne-se um fator determinante. Pessoas que se identificam com o proposto, de acordo com o contexto, respeito e inclusão, são mais influenciadas a permaneceram conectadas. Assim, a expectativa de disseminação é maior (de um jeito benéfico! O que é ainda melhor). Temas transversais como este, com uma abordagem ampliada do cotidiano, aliada à tecnologia e criatividade podem ser poderosas no alcance e veiculação da narrativa proposta.

Tem algo à acrescentar? Fique à vontade para comentar. Obrigado por ler e até mais!

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa