Quando se pensa em um plano de comunicação, seja ele para engajar clientes ou para engajar colaboradores, tem que se pensar bem nos canais que serão utilizados. Escolher ferramentas que estão tendo um ótimo desempenho no mercado, dentro de outras empresas, pode não ser o suficiente para que a coisa dê certo.

Os canais possuem características próprias e que devem ser levadas em consideração. Deve ser analisado qual canal será mais adequado para cada público, seja interno ou externo e o que se pretende alcançar.

Pensando no alcance da comunicação

O alcance é a característica que talvez seja a mais negligenciada ao se decidir por um canal. Aqui é necessário se pensar como a comunicação chegará até a pessoa que receberá a mensagem. Precisa ser algo tecnológico ou a melhor escolha seria algo mais tradicional? Sim, esta questão é muito válida!

Pense, você, como o responsável por escolher os canais que serão trabalhados na comunicação da sua empresa. Faça uma pesquisa e descubra que há disponível no mercado uma solução fantástica de integração e colaboração, que fará de sua comunicação interna mais ágil e colaborativa, que conta inclusive com versão mobile.

No entanto, você não leva em consideração o fato de que a maior parte dos colaboradores trabalharem na área fabril e, portanto, não possuem um acesso a computadores para interagir com a ferramenta. Ah, mas existe a versão mobile para eles usarem, mas o fato de não poderem usar o smartphone durante o expediente é esquecido e a informação só chega as pessoas depois do trabalho, no caminho para casa. O problema é que a comunicação interna irá concorrer diretamente com outras redes sociais e aplicativos que disputam com ela a atenção desta pessoa. Outro ponto negativo nesse caso é a perda da principal vantagem do digital… o real time. Quando for lido já será notícia fria. Neste caso, algo mais tradicional, como um jornal mural, funcione melhor se posicionado estrategicamente.

Linguagem: falando a mesma língua

Algo que fará as pessoas se interessarem pelo canal de comunicação escolhido é a linguagem usada através dele. Tem que ser uma conversa despretensiosa e atraente, que mostre que a empresa fala a mesma língua de quem ela deseja se comunicar.

Para isso acontecer, é importante entender que não existe um único público, mas grupos de pessoas diferentes, com interesses próprios, por isso, a comunicação deve respeitar isso. Usar um discurso genérico, que busca servir para falar com todo mundo do mesmo jeito, mostra um desinteresse em se aproximar das pessoas, que não se importa com quem se está falando. Isso tira a credibilidade da mensagem e acaba detonando com a eficácia da ferramenta.

Entender com quem se quer comunicar e falar de um jeito que se mostre interesse é fundamental para se engajar, sejam clientes ou colaboradores.

Definir a frequência é saber como falar com as pessoas

Quanto se deve dedicar de tempo para falar com os seus clientes ou com seus colaboradores? Essa é uma pergunta que pode definir o sucesso do canal, afinal de contas, pessoas gostam de atenção, é da nossa natureza querer nos comunicarmos.

A frequência em que as coisas chegam por um canal de comunicação tem o poder de criar um relacionamento e definir como isso será no futuro. Quando, por exemplo, se usa redes sociais como canal de comunicação, é preciso saber como essa conversa acontecerá. Serão quatro ou cinco vezes ao longo do dia? Quantas vezes na semana?

A frequência nada mais é do que a quantidade de comunicação que se manda através do canal e quantas vezes essa massa chegará até os públicos-alvo.

Nutrição: não basta escolher um canal, tem que alimentá-lo

Bom, se você escolheu o canal adequado para a sua comunicação, sabe qual será o alcance que ele terá e a linguagem que será adotada, bem como a frequência com que se comunicará com os públicos desejados, isso significa que o planejamento da comunicação está redondo certo? Ainda não!

Outro ponto importante, e que assim como o alcance também costuma ser negligenciado, é a nutrição do canal. Ter estruturado o planejamento da produção de conteúdo, com um cronograma em que se vê o que será produzido e quando isso acontecerá é o primeiro passo. Entender quanto de conteúdo precisa ser produzido para que o canal tenha um relacionamento efetivo na entrega da mensagem é o segundo passo.

No entanto, o mais importante para que a nutrição do canal não entre em colapso é saber o quanto de recurso humano será necessário para produzir todo o conteúdo planejado. Nada pior do que criar uma expectativa a respeito do canal e não conseguir atende-la por falta de pernas para cumprir o cronograma.

Quando se opta por um canal, seja ele digital, mobile ou impresso, é preciso saber que se cria uma expectativa sobre o que se espera da comunicação que se chega através dele. Por isso é importante planejar bem a comunicação e por onde ela acontecerá!

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação, com uma passagem de 17 anos pela EMBRAER, onde atuei na edição de Publicações Técnicas e como focal point de inovação. Estruturei e estive a frente de um programa voltado a conectar pessoas, ajustar processos, melhorar a comunicação e aplicar uma gestão colaborativa e inovadora de equipes, ajudando a desenvolver o potencial humano, através do engajamento e da capacitação. Em paralelo, como freelancer, produzi textos para a revista Villaggio Panamby e para o site infoescola.com. Fundei a Inovadoramente Consultoria para oferecer serviços em gestão de equipes e comunicação. Também sou conteudista no Ideia de Marketing e na Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, além de professor de Pós-Graduação na ESPM, dentro do Centro de Inovação e Criatividade.