A forma de fazer gestão nas empresas tem evoluído, e muito. Dentre todas as mudanças que tem ocorrido, a mais citada nas rodas de discussão de liderança diz respeito a cultura de inovação. Essa é uma ótima notícia, já que isso impacta diretamente no desenvolvimento de tecnologia e de novas soluções no nosso país. A má notícia é que nem todas as empresas conseguirão implantar esse conceito – pelo menos nos próximos anos. Para tornar possível adotar esse tipo de cultura, é preciso atravessar alguns desafios e quebrar paradigmas antigos enraizados na maioria das organizações.

Abaixo, selecionei as principais situações que dificultam o avanço de uma cultura de inovação dentro de uma empresa. Veja se sua empresa está no caminho ou se ainda há muito o que desconstruir na forma de gestão.

Empresas mais estruturadas são mais propensas para a Cultura da Inovação

Não importa o tamanho da sua empresa, muito menos se ela tem, ou não, algum envolvimento com tecnologia. A cultura de inovação pode ser adotada para qualquer setor ou segmento. De qualquer forma, se ela não for estruturada, terá muita dificuldade na implantação. Neste novo século, estamos o tempo todo fazendo mudanças de setores, metas, objetivos, profissionais etc. Por isso, é mais desafiador manter a empresa estruturada e organizada.

Você passa um ano estruturando sua empresa, montando processos, desenhando responsabilidades… No outro ano, tudo muda! É dessa forma que estamos vivendo na maioria das organizações, e isso é só o reflexo da rápida evolução que temos vivido. Estamos então com um problema bom pra resolver, “manter a casa arrumada”.

Infelizmente, a maioria dos líderes optam por priorizar e focar mais nas vendas, deixando a estruturação do negócio para depois. Esquecem que um ambiente bem estruturado impacta diretamente nos resultados do fim do mês. Além disso, se a organização não tem seus processos bem definidos, ficará cada vez mais difícil implantar a cultura de inovação. Afinal, fica impossível pensar quando estamos perdidos, confusos e sem saber o que esperam de nós.

Líderes descentralizadores ajudam no avanço do projeto

O líder refaz tudo que recebe, não confia na equipe, faz inúmeras perguntas minuciosas sobre as decisões e, ainda, toma as decisões finais sem considerar o que a equipe pensa? Chamamos isso de liderança centralizadora. Esse tipo de gestão, ainda encontrada muito nos dias de hoje, acaba por atrasar qualquer projeto de inovação.

De acordo com Glaucy Bocci, Líder da Prática de Leadership & Talent da Hay Group América Latina, liderança e inovação devem caminhar juntas. No artigo da Glaucy, são apresentados os resultados de um estudo, da consultoria Hay Group, que avalia as 20 melhores empresas para liderança em todo o mundo. Um dos resultados que chama a atenção: 76% das empresas entrevistadas afirmam que inovação é parte do seu plano de investimento.

Portanto, para que um programa de inovação funcione de verdade, é necessário um forte envolvimento da liderança. E, claro, uma boa liderança preza por uma gestão descentralizada. Esse é o caminho principal da inovação, permitir que os profissionais possam criar, tomar decisões e colocar suas sugestões em jogo. Em contrapartida, de nada adianta abrir para a fala, inserir as equipes para participar de discussões para sugestões de mudanças, se elas nunca são adotadas. Se a participação das pessoas nos projetos de inovação está baixo, esse pode ser um dos grandes motivos: a empresa está ouvindo, mas não está fazendo nada com isso.

Empreendedorismo conservador não é o caminho para a inovação

Nada contra o empreendedorismo conservador, mas esse não é o caminho para quem busca uma cultura de inovação. Apesar de alguns especialistas afirmarem que, por vezes, virtudes conservadoristas podem salvar ou manter um negócio de pé, para inovar é preciso arriscar mais. É claro que podemos tentar usar mais como foco a inovação incremental, que não rompe tantos paradigmas, mas qualquer tipo de inovação exige uma visão mais flexível para mudanças e mais ousadia também.

Tudo isso tem muita relação com uma cultura de teste, que precisa ser bem-vinda dentro da organização e não acontece facilmente quando temos um modelo muito conservador. A Microsoft, por exemplo, possui diversos projetos de inovação, em um deles, a empresa disponibiliza um tempo de criação aos seus funcionários. Nesse período o profissional trabalha em qualquer projeto do seu interesse e que possa ser benéfico para a organização.

Cultura de teste e growth hacking

Um dos termos da moda na área de gestão empresarial é o growth hacking. Segundo definição da Resultados Digitais, consiste na construção de práticas, baseadas em experimentação e acompanhamento, que resultam no crescimento de um negócio. Muito associado com práticas digitais, o growth hacking é um catalisador de inovações (de negócio ou de produto) dentro de uma empresa. Porém, como a própria Resultados Digitais destaca em outro texto, é preciso ter uma estrutura pronta e profissionais alinhados com a mentalidade de growth hackers.

Um aprendizado interessante do growth hacking que pode ser aplicado em qualquer empresa é a cultura da experimentação. A inovação é inibida em muitas empresas pelo simples medo de errar. Porém, é possível sim testar algumas hipóteses, modelos e produtos sem colocar em risco todo o seu negócio. Se você fizer esses experimentos de forma calculada, pode gerar as inovações que sua empresa precisa.

Espero que essas dicas ajudem sua empresa a caminhar rumo a uma cultura de inovação. Se você tem um relato interessante sobre essa trajetória, ou os percalços que você encontrou no caminho, compartilhe comigo aqui nos comentários. Sua dúvida ou relato pode ajudar muitas outras pessoas nessa mesma jornada!

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.