Não é raro alguém falar que tem um trabalho estressante, que trabalha sob pressão, que precisa muito de férias ou que está deprimido porque amanhã é segunda-feira. Seja por necessidade financeira, para alcançar os seus objetivos profissionais ou para chegar na meta da empresa, muitas pessoas põe-se em segundo plano e aceitam viver em uma rotina exaustiva para o trabalho.

Com o crescimento de relatos sobre os esgotamentos emocionais relacionados com a situação vivida na vida profissional, muito tem se falado sobre a Síndrome de Burnout. Na década de 60, esta síndrome era relacionada com profissionais da área de saúde, sobretudo a médicos e enfermeiros submetidos a grandes turnos de horários. Mais tarde, começou-se a relacionar a síndrome aos Professores, que para além dos horários alargados de trabalho, sofriam psicologicamente com algumas situações complexas no âmbito escolar.

Atualmente, com o mercado de trabalho altamente competitivo, nenhuma profissão está livre de um ambiente laboral com estresse e da pressão pela alta produtividade. O que nos resta fazer é discutir qual é o limite, perceber quando uma realidade profissional está a deixar o profissional a beira de um colapso emocional e, principalmente, perceber que é a hora de mudar de direção.

Quais são os sinais de alertas, ou seja, os comportamentos que costumam antecipar o esgotamento profissional?

– Predisposição a não aceitar ajuda e fazer todas as tarefas sozinho;

– Sintomas de depressão, tristeza profunda relacionada ao cotidiano da atividade;

– Falta de motivação e pessimismo perante os novos desafios;

– Exaustão, falta de concentração e falhas de memória;

– Isolamento da vida familiar e social para dedicação ao trabalho;

– Atitudes de cobrança sobre si mesmo, perfeccionismo relacionado com culpa;

– Agressividade no local do trabalho, sentimentos de raiva, mudanças bruscas de humor;

– Indiferença a situações de emoção na atividade laboral.

Caso não seja dada importância a estes sinais, o acúmulo da pressão pode levar ao esgotamento, levando a outras fases como síndrome do pânico, crises de ansiedade, insonia, pressão alta, dores musculares, distúrbios gastrintestinais, para além de outros problemas de saúde que o corpo pode desenvolver por stress.

Se sabemos que a pressão está presente em quase todas as atividades profissionais, uma das alternativas é mudar o modo como o profissional encara esta pressão. Pode ser necessário ajuda psicológica, e muitas empresas até investem em formações on job para os seus colaboradores com temas relacionados à gestão de stress e de conflitos. O fato é que é possível desvalorizar certas crises e até antecipar imprevistos e choques que causam desgaste emocional.

Apesar de listarmos aqui os sintomas associados, apenas os médicos podem diagnosticar o esgotamento emocional e é muito importante que as pessoas que se encontrem neste estado aceitem ajuda e estejam predispostas a mudar de hábitos e de comportamentos.

Algumas alternativas dentro do trabalho são solicitar um afastamento temporário ou mudança de departamento, mas além de uma alteração de contexto, é importante uma mudança de mind set e de perspectivas emocionais.

Por fim, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal (aqui incluindo a vida familiar e social) é fundamental. Torna-se muito importante aproveitar os momentos livres para realizar atividades que dão prazer, praticar exercícios, envolver-se em algum hobby, desenvolver a criatividade, conhecer lugares novos, estar com a família e os amigos e sociabilizar.

Trabalhar deve ser uma atividade satisfatória e a competitividade é importante, mas saber os limites entre um contexto saudável e um contexto doentio é essencial para existir um profissional feliz.

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Renata de Freitas

É publicitária de Floripa, mas vive há mais de 10 anos em Portugal, onde trabalha com Marketing Empresarial, fez PhD em Comunicação Estratégica e participa de grupos de investigação da área. É apaixonada por Branding, por assuntos criativos e por lugares inspiradores.