Aqui no Ideia de Marketing, já publicamos um texto sobre Estudar ou trabalhar no exterior – você está preparado? em que destacamos os prós e os contras sobre ir para fora do Brasil, sob uma perspectiva de preparação emocional.

Desta vez, o objetivo é apontar os desafios do cotidiano em termos logísticos e burocráticos. Eu moro em Portugal há mais de 10 anos e sempre recebi questões sobre como era morar fora do Brasil. Mas nos últimos meses, tenho recebido perguntas em um nível absurdo de frequência, e muitas dos temas se centram em pontos práticos sobre como migrar uma carreira para o exterior.

Segundo os dados da Receita Federal, a quantidade de pessoas que decidiram deixar o Brasil para viver em outro país cresceu 165% em um período de sete anos. Enquanto nas décadas anteriores, o perfil dos imigrantes era de baixa renda, agora boa parte dos brasileiros que decide mudar de país são profissionais com graduação, executivos ou empreendedores, com carreiras estabelecidas e famílias com bom nível econômico, que buscam lugares que acreditam ter melhor qualidade de vida e de segurança.

Muitos destes brasileiros tinham um american dream, que foi cortado por regras migratórias mais limitadas nos Estados Unidos. Assim, a Europa constituiu-se em um novo destino de sonho, e consequentemente, Portugal é muito visado pela proximidade da língua, dos costumes e do clima. Além de que o custo de vida em Portugal é mais barato do que em algumas grandes cidades brasileiras. Segundo dados do Banco Central, os investimentos de brasileiros em imóveis no exterior quase dobraram de 2011 para 2016, a maior parte ainda nos Estados Unidos e em segundo lugar em Portugal.

Se você não tem uma dupla cidadania, e não tem meio milhão de Euros para investir em um Visto Gold, a burocracia para legalização no país de destino será uma das principais preocupações.

Na maior parte dos países europeus, há duas formas de se estabelecer de forma legal: por meio de um visto de trabalho ou por meio de um visto de estudo.

Visto de Trabalho

Cada país tem as suas regras, mas em termos gerais, para conseguir um visto de trabalho, a empresa tem que ceder uma série de documentos que demonstram que há um contrato fixado e que se responsabilizam pela sua subsistência no país, e depois esperar algum tempo até que o Consulado autorize este visto.

Por isso, é mais fácil que este cenário aconteça caso seja um convite ou uma transferência de trabalho do Brasil para o exterior, ou caso a empresa realmente conheça o seu perfil e queira esperar por você, ou se estabeleça uma relação de confiança desde o começo por meio de alguma indicação.

Por causa desta burocracia relacionada, muitas pessoas optam por começar esteja jornada com um upgrade na carreira por meio de estudos de pós-graduação, MBA, PhD. Isto porque em vários casos, o visto de estudo permite trabalhar legalmente (seja durante o curso ou em um período de tempo limitado após o curso), evitando que você tenha que solicitar às empresas que emitam documentos para a sua legalização.

Esta situação também é muito visada porque permite que você melhore as suas competências por meio da pós-graduação, enquanto proporciona que conheça pessoas da mesma área neste meio, bem como possibilita algum tempo para procurar empresas alvo já estando no país destino.

Adicionalmente, também há países que facilitam a entrada de imigrantes de determinadas áreas por falta de profissionais neste ramo. Por exemplo, há muitos estrangeiros da área de TI na Irlanda. Eu desconheço esse tipo de facilidade em Portugal, pelo contrário, não acredito que o mercado do trabalho português esteja em uma boa fase de aceitação de novos profissionais. Segundo a Glassdoor Economic Research, os países com mais vagas de trabalho são Estônia, Noruega, Irlanda e Áustria.

Visto de Estudo

Para emissão de um visto de estudo, você precisa ser aceito em uma IES (Instituto de Ensino Superior). Ao contrário do Brasil, ser aceito não é ser matriculado. Outra grande diferença baseia-se no fato do ano letivo na Europa começar em Setembro e ir até Junho-Julho, com férias no Natal, na Páscoa e no Verão (Agosto).

Assim, por volta de Março, Abril, Maio, começa a altura de candidaturas para os cursos de graduação e pós-graduação. Cada IES tem as suas regras, mas normalmente as candidaturas baseiam-se no seu CV, na proficiência da língua, na sua carta de apresentação e de motivações pessoas e nas cartas de indicações.

Só depois de ser aceito, é que você pode fazer uma matrícula/inscrição. Um grande problema para brasileiros reside no fato de que esta aceitação pode demorar meses. Imagina que você submete uma candidatura em Maio, recebe uma aceitação em Julho para um curso que vai começar em Setembro ou em Outubro. Para quem mora na Europa, 2-3 meses é tempo suficiente, mas para quem mora na América Latina, o processo de visto de estudo nos Consulados pode demorar de 3 a 6 meses.

Por este motivo, algumas instituições abrem exceções e emitem uma carta de “pré-aceitação” do candidato para fins de visto de estudo. Esta carta pode ser aceita pelos Consulados para dar entrada no processo de visto de estudo com antecedência, ficando salvaguardado que se espera a oficialização da resposta para emissão final do visto. Mas lembre-se: as instituições não são obrigadas a emitir nada antecipadamente, você tem que solicitar e aceitar as regras que existem em cada país.

E o visto para a família?

Depois de tanta burocracia, a parte boa da história é que se você conseguir um visto de estudo ou de trabalho, salvo algumas exceções, os cônjuges e filhos também têm direito a visto para estar no país com você. Em muitos países, o cônjuge tem permissão para trabalhar com este visto de agregado familiar.

Mas e o Visto de Turista?

O visto de Turista para brasileiros na União Europeia tem duração automática de 3 meses. Como diz o nome, é destinado para o turismo. Esta é uma opção razoável se você ainda tem dúvidas sobre morar fora do país e gostaria de passar algumas semanas testando o terreno, conhecendo a cidade destino e morando como um local.

Mas atenção, o visto de turista não dá permissão para trabalhar ou estudar, e segundo as regras de alguns países, não é possível alterar o visto de turista para visto de trabalho ou de estudo quando já se está no país. Muitas vezes é preciso voltar ao Brasil e entrar com todos os papeis necessários no Consulado associado, e depois, voltar ao país com o visto final já aprovado.

Vai embarcar nesta aventura?

Se você está mesmo com vontade de encarar este desafio, converse com pessoas que já estão no país na sua área de trabalho e de estudo. Ninguém melhor do que eles poderão relatar quais são as facilidades e as dificuldades. No Facebook há muitos grupos orientados para esta finalidade. Uma visita ao Consulado para conhecer as regras específicas de cada país e começar a preparar a documentação também é recomendável.

Você conhece casos diferentes?

Estas são indicações baseadas na minha realidade e acabam por se limitar ao que conheço sobre as regras de Portugal e o que ouço de amigos que moram em outros países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. Se você conhece outras formas de autorizações ou tem conhecimento de que em outros países há processos diferentes, deixe o seu comentário e nós teremos todo gosto em publicar para ajudar outras pessoas a conhecerem as dificuldades e os desafios existentes para migrarem a sua carreira para o exterior.

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Renata de Freitas

É publicitária de Floripa, mas vive há mais de 10 anos em Portugal, onde trabalha com Marketing Empresarial, fez PhD em Comunicação Estratégica e participa de grupos de investigação da área. É apaixonada por Branding, por assuntos criativos e por lugares inspiradores.