Inovar é um verbo cada vez mais usado dentro de organizações, independente do porte da empresa. São criados programas de inovação, com workshops e outras iniciativas com o objetivo de estimular o espírito inovador nos colaboradores, ou até fazer ferver aquela veia empreendedora para que se faça a captação de novas ideias e soluções.
As startups inspiram as grandes empresas com seus processos enxutos e eficientes, coisas que as gigantes almejam a tempos.

São iniciativas bacanas, com ideias de execução descoladas, inspiradoras e com o objetivo claro de levar as empresas a um novo patamar. O problema que eu vejo é que ainda se foca muito na tecnologia, em como fazer o cliente ter experiências cada vez mais incríveis com a marca. No entanto, mesmo que não seja unanimidade, algumas empresas deixam de lado ou não dão a devida atenção ao principal fator de sucesso na inovação, o colaborador. Sim, ele mesmo, afinal todo colaborador, seja direta ou indiretamente, impacta na experiência do cliente com a marca.

Para fazer com ele inove e contribua sempre de alguma forma com a melhoria da experiência do cliente com a marca, ele tem que entender o propósito disso. A cultura de inovação deve fazer parte do dia a dia das pessoas dentro da empresa, de forma que o processo de inovação não seja visto como mais “trampo” e sim uma forma de melhorar a execução de um processo, refletindo em um entregável de melhor qualidade para o cliente, não importa se será um serviço ou um produto.

O mindset do colaborador precisa estar alinhado com a cultura de inovação da empresa. Se isso não acontece, não adianta o programa de inovação ser lindo, bem estruturado e cool, ele precisa das pessoas para funcionar. Pensando nisso, listei quatro pontos importantes para despertar o inovador e intraempreendedor adormecido em cada
colaborador.

A Cultura da Inovação

O que é inovação para a empresa e aonde ela pretende chegar através disso precisa estar muito bem claro e definido. No entanto só isso não basta, é preciso descobrir se os colaboradores sabem o que é inovação, como isso afeta no seu dia a dia e que não representa uma atividade a mais a ser realizada. Os colaboradores precisam entender que inovar é fazer algo de uma maneira diferente de como sempre foi feito, não necessariamente será sempre algo totalmente novo, criado do zero. Os valores e objetivos da cultura da inovação dentro da organização precisam estar estruturados e repassados para os colaboradores, para que as pessoas possam alinhar o seu mindset.

 O engajamento à inovação

Para se definir se as pessoas estão ou não engajadas com a cultura da inovação da empresa, é preciso estar bem claro o que se deseja delas em relação a isso. É claro que isso pode ser feito através de ações de ativação, como workshops e palestras, brainstormings e eventos de captação de ideias. Porém, após essas ações, o quanto realmente foi assimilado pelo colaborador? O quanto ele reteve destes eventos e aplicou em seu dia a dia?

Essas são perguntas essenciais e nem sempre se olhará para elas caso o foco da cultura de inovação esteja pendendo mais para a tecnologia do que para as pessoas desproporcionalmente.Tem que haver uma estratégia para que os colaboradores entendam o propósito de se praticar inovação, e assim se tornarem embaixadores que estimulam os
colegas a participarem.

A Comunicação e a inovação

Dentro do processo de engajamento à cultura de inovação, a comunicação representa um papel importante. É necessário saber que há vários públicos dentro da organização e entender como funcionam é fundamental, falando a mesma língua, utilizando os canais de comunicação adequados e ter muito bem definido qual a mensagem em
relação à inovação será passada e se ela teve uma retenção conforme o esperado.

O Programa de Inovação

Com uma comunicação efetiva, engajando os colaboradores dentro de uma cultura de inovação bem estruturada, é necessário ter definido como será o suporte da empresa para que as pessoas possam inovar, gerando
novas ideias que levaram a melhorias de processos ou ao surgimento de novos produtos e serviços. O programa de inovação precisa mostrar quais ferramentas os colaboradores terão disponíveis e quais as regras
e arcabouços serão aplicadas à toda esta criatividade.

Para atuarem dentro destas regras e arcabouços de inovação, os colaboradores precisam passar por uma capacitação constante, através de palestras, cursos e mentorias. Precisam entender como funciona e aonde estará cada ferramenta que terão disponível.

Dentro destas ações de capacitação, o programa precisa captar e engajar os gestores, alinhando-os com a estratégia traçado para o Programa de Inovação. O gestor é um fator decisivo para o sucesso do programa, já que a carga emocional que ele passa ao se comunicar com a equipe a respeito da inovação na empresa é grande e influenciadora.

Daí a grande necessidade do Programa de Inovação ter um forte vínculo com a Comunicação Interna porque só assim será possível um eficaz alinhamento do mindset dos colaboradores às estratégias e à cultura de inovação.

Inovar é mais do que criar eventos cool que podem ser apenas uma lembrança bacana durante o ano na empresa. É preciso ter estratégias que liguem cultura de inovação, engajamento, comunicação e iniciativas de inovação, algo que faça o colaborador comentar a noite com a família sobre como é bom ter insights para novas soluções, que o faça
querer chegar na empresa no dia seguinte para colocar novas ideias para funcionar. É essa atitude surgindo nos colaboradores que fará com que a inovação tenha impacto na experiência do cliente.

A inovação que realmente impacta não vem das soluções tecnológicas, mas das atitudes que levam o colaborador a pensar nestas soluções.

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação, com uma passagem de 17 anos pela EMBRAER, onde atuei na edição de Publicações Técnicas e como focal point de inovação. Estruturei e estive a frente de um programa voltado a conectar pessoas, ajustar processos, melhorar a comunicação e aplicar uma gestão colaborativa e inovadora de equipes, ajudando a desenvolver o potencial humano, através do engajamento e da capacitação. Em paralelo, como freelancer, produzi textos para a revista Villaggio Panamby e para o site infoescola.com. Fundei a Inovadoramente Consultoria para oferecer serviços em gestão de equipes e comunicação. Também sou conteudista no Ideia de Marketing e na Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, além de professor de Pós-Graduação na ESPM, dentro do Centro de Inovação e Criatividade.