Sabe aqueles momentos em que se prefere ignorar algo que acontece ao nosso redor simplesmente para evitar um conflito de opiniões? Essa é uma surdez pela qual optamos e, independente do motivo que nos leva a praticá-la, dificilmente tem um desfecho bom. Agora imagine isso no ambiente de trabalho.

Isso acontece com uma frequência até maior do que gostaríamos de admitir, com colegas que preferem ignorar a opinião do outro simplesmente por crer em ter um domínio absoluto no que faz ou subestimar os conhecimentos do colega de trabalho. Isso pode algumas vezes acabar em conflitos e, a causa raíz pode ser bastante variada. Pode ser o bom velho conflito de experiências, onde o profissional mais antigo não aceita a opinião do colega recém-chegado por achar que quem está dando pitaco tem um conhecimento raso sobre o assunto. Sabe o cara que possui uma quantidade de anti-corpos corporativos ativos em abundância, deixando-o resistente a mudanças? Sem falar do choque de gerações, onde o experiente acredita que o jovem não tem vivência para contribuir e o jovem acredita que o experiente está ultrapassado em suas convicções.

Todos esses casos deixam as pessoas surdas e não querem ouvir uma opinião contrária ao que pensam ou sabem. No entanto, o maior vilão está presente em todos os casos… o EGO. O ego não só deixa o profissional surdo, mas cego também. E se já não fosse o bastante acontecer essa surdez dentro da equipe, prejudicando o desempenho, a qualidade e o prazo, imagine quando o surdo é justamente o gestor?

O gestor que opta em não ouvir a sua equipe acaba promovendo uma desmotivação em uma ou mais pessoas de sua equipe, quando não ela inteira. Ouvir sua equipe, conhecer suas necessidades e desejos e usar todos os elementos do negócio é importante para criar uma experiência excepcional para cada um deles, através de um ambiente de trabalho saudável e agradável. E por quê? Porque a experiência ajuda na ativação do engajamento.

O gestor que foi acometido por essa surdez seletiva corre o risco de eventualmente não escutar avisos da equipe sobre a saúde do processo, ocasionando em perda para o cliente final, na forma de baixa qualidade ou prazo perdido. Pior ainda quando o mesmo ego que fez com que o gestor não ouvisse a equipe não o permite aceitar o erro, ficando o fardo na conta dos colaboradores. Acredite, já passei por isso e não é nada legal essa experiência.

A surdez seletiva pode ser um efeito de um sentimento de insegurança ou de arrogância, e quando manifestada no gestor, causa desmotivação e, posteriormente, o desengajamento. Conhecer e se relacionar com a equipe é essencial para poder oferecer um ambiente de trabalho bacana, e os gestores precisam ser especialistas em criar boas experiências profissionais na vida de seus colaboradores.

A mudança, no entanto, para acontecer deve começar pelas pequenas coisas do dia a dia, criando o hábito de ouvir ao invés de ficar surdo, mesmo que o resultado não seja o que queremos. Como diria um colega “a revolução acontece aos pouquinhos.”

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação, com uma passagem de 17 anos pela EMBRAER, onde atuei na edição de Publicações Técnicas e como focal point de inovação. Estruturei e estive a frente de um programa voltado a conectar pessoas, ajustar processos, melhorar a comunicação e aplicar uma gestão colaborativa e inovadora de equipes, ajudando a desenvolver o potencial humano, através do engajamento e da capacitação. Em paralelo, como freelancer, produzi textos para a revista Villaggio Panamby e para o site infoescola.com. Fundei a Inovadoramente Consultoria para oferecer serviços em gestão de equipes e comunicação. Também sou conteudista no Ideia de Marketing e na Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, além de professor de Pós-Graduação na ESPM, dentro do Centro de Inovação e Criatividade.