Um desabafo despretensioso disfarçado de uma publicação no LinkedIn fez-me refletir mais a respeito dos modos que produzimos – principalmente textos. Peço que encare este texto de forma empática.

O título chamou-lhe atenção? Então meu objetivo SEO foi alcançado: você clicou no link, gerou visualização, contribuiu nas métricas (e a lista pode continuar). Bom, infelizmente muitos acham que o marketing de conteúdo se trata somente disto. Não é verdade. Eu sei. Calma, não precisa apedrejar-me. Mas seria um equívoco também dizer que um dos maiores objetivos não sejam estes, não é?

Se você concorda com todos os conceitos, inclusive os de copywriting, tem alguma coisa errada. Muitos entram nessa na ânsia da possibilidade de sair do desemprego – e conseguir uma renda extra sempre nos impulsiona. Cursos daqui e dali. Mas dá uma canseira. É simples: se você escreve bem, pessoas lerão, independente das regrinhas e “receitas” que lhe dizem para atrair mais leitores e conduzi-los à uma jornada de links, por exemplo. As padronizações nos engessam. Penso que a produção de texto não deve ser “adequada” e formatada dentro de uma caixinha. Mas livre de paradigmas. Dá para fazer isto sem perder o objetivo – este que não deveria ser focado apenas em vendas, seja de um produto ou ideia (vender ideias?). O foco é sempre o resultado?

Afinal, qual o seu objetivo? Talvez eu que esteja equivocado e, minha linguagem, diferente. Devo me abster da hipermodernidade e a constante necessidade imposta de aceitação e visibilidade? O efêmero até vende, junto às técnicas e estratégias – como chamado -, do inbound e correlatas. Só que, novamente, perde um cado de essência, entrando em contradição. Ou talvez, entendi tudo errado e este não seja o meu caminho. Perdoe o desabafo e acidez. Otimizar é tornar a vida mais leve. É contribuir de forma sadia. Vejo que muitos blogs têm se proposto cada vez mais em ajudar. Ótimo. Mas outros, a preocupação é apenas converter em vendas no final.

Tudo é gratuito, desde que você inscreva seu e-mail e preencha formulários online. Tudo é fácil, desde que você siga as regras. Tudo posso, mas nem tudo beneficia, de fato. Nada no mercado é de graça. Nenhuma mídia social é de graça. Você posta algo porque você quer ser visto, notado, aceito, comprado, indicado. Por que não sermos honestos a respeito disto? Eu mesmo irei lhe direcionar para o link do meu e-book ao final do texto.

Não tem mistério. O //segrego// é ser original. Mas quando você se propõe a ser quem é enquanto produtor e criador, você precisa entrar em um padrão estabelecido – de formatação, planejamento, estratégias, jeitos. Percebe como é delicado?

Cabe refletirmos sobre isto. Criar é entregar-se à liberdade. Não viva de sacadas e jargões. Escrever é uma arte. Arte não se trata de senso, muito menos o comum. Seria um pensamento tardio este, o de pressupor. Trata-se de expansão. Desenvolvimentos extra-limites. Pós-limites. É líquida e cabe nela um universo de possibilidades que unem nas mais altas ondas. E então nota-se neste cenário a economia criativa, os modelos de vida de uma sociedade talvez desorientada e, ainda, a preocupação da competitividade, autonomia política e mudança de paradigma. Resquício do pós-industrial. É preciso fatores que estimulem o processo criativo, não dependendo tão somente da ociosidade e necessidades mercadológicas. Arte não precisa ser necessariamente passiva. Conhecimento por conhecimento? Não. Conhecimento por produção. Culpa da reforma industrial. Refletir pode gerar novidade. Arte.

Um ser artístico está apto a desenvolver sua imaginação, postura e argumentos sobre o contexto, performance e alegorias da vida. A arte trabalha com constantes, mas não quer dizer que tudo será linear. Há suposições, sobreposições e imposições. Fundamentos. A maestria do jeito. O curso que implica no rumo que exagera o simples.

É essa brincadeira da troca e do saber. Ela é relevante por permitir a exploração de todas as faculdades. A vida já é curta e frágil demais, então a arte expande – mesmo que por milímetros de segundos -, a sensação, o olhar, o contemplar e as dores.

Falta-nos na criação de conteúdo, rupturas. Expansões. Desconstruções.

banner clique
The following two tabs change content below.
Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa