O respeito à mulher dentro de todas as esferas de seu ambiente de trabalho, seja no escritório ou linha de produção, ou no ambiente digital, é algo importante e que deve ser seriamente considerado pelos gestores. Depois de ver algumas colegas reclamarem de assédio dentro da plataforma LinkedIn, resolvi usar o tema como objeto de estudo em uma das disciplinas dentro do MBA em Gestão de Pessoas e Liderança que estou cursando. Resolvi montar uma pesquisa simples e passar o questionário para algumas colegas, 51 mulheres para ser mais exato, com cargos e áreas de atuação diferentes.

Perguntei se elas acreditavam que há ocorrências de assédios contra a mulher dentro da empresa, seja moral ou sexual. O interessante foi que 69% delas acredita que há algum tipo de assédio, principalmente o assédio sexual. Delas, 50% enxergam algum tipo de mudança no mercado para melhorar esse problema, porém outros 25% enxergam essa movimentação acontecendo de forma lenta.

A mulher pode sofrer assédio de origem descendente, horizontal ou misto. No descendente, o gestor pratica a violência, seja moral ou sexual, enquanto que no horizontal, o assédio acontece por parte dos próprios colegas de trabalho. Pode ainda acontecer o terceiro caso, o misto, onde a trabalhadora sofre com o assédio tanto do gestor quanto dos colegas. O assédio é um ato frio, consciente, calculado e intencional, potencializando a aquisição de doenças mentais na mulher, como neurose traumática, por exemplo.

Um dado interessante foi levantado por meio de pesquisa realizada com 4.975 usuários do site Vagas.com, onde foi apontado que  52% dos entrevistados já sofreram assédio moral ou sexual no trabalho, porém 87% destas pessoas não denunciaram o assediador. São 2.250 casos de assédio que ficaram impunes.

Sócio da área trabalhista do Veirano Advogados, José Carlos Wahle acredita que o maior problema talvez seja cultural e não tanto legal porque, em geral, há grande receio por parte do trabalhador de fazer uma reclamação e sofrer algum tipo de retaliação. A pesquisa do Vagas.com mostra bem o fundamento deste temor por parte do assediado, afinal entre os 13% que decidiram fazer a denúncia, 20% foram demitidos após a iniciativa, 17,6% sofreram perseguição e 8,6% resolveram levar o caso à Justiça. Sendo que para 39,2% nada mudou após a denúncia. Outro fator que corrobora com a omissão dos assediados é que a sensação de impunidade também se mostrou alta na pesquisa, onde 74,6% dos entrevistados que fizeram a denúncia disseram que o agressor permaneceu na empresa e apenas 12,1% declararam que ele foi demitido. Já os que não sabem o que aconteceu com o agressor somam 11%, enquanto os que informaram que o agressor pediu demissão somam apenas 2% do grupo dos denunciantes.

Em se tratando de assédio sexual, estudos mundiais mostram que 87% das vítimas são mulheres. É interessante perceber que, apesar de em menor ocorrência e de pouco se falar em assédio sexual sofrido por homens, ele também ocorre.

O desafio para as empresas é criar mecanismos que possam coibir esse tipo de violência, através da estruturação e promoção de processos psicossociais maduros e responsáveis, que garantam a saúde, o bem estar e a qualidade de vida dentro do ambiente de trabalho para todos os seus empregados, independente de sexo, credo ou etnia. Uma estratégia bem elaborada de Comunicação Interna pode ajudar a fomentar uma cultura organizacional que propicie um ambiente de trabalho sadio para as mulheres, e o gestor é o melhor canal de comunicação para que a mensagem chegue até os empregados, afinal ele tem acesso e conhece as pessoas que formam sua equipe.

Ter um relacionamento honesto e transparente com a equipe é importante para que as colaboradoras saibam como a organização as valorizam e zelam pela sua qualidade de vida dentro do ambiente de trabalho, com um código de ética que tenha as regras de condutas claras, principalmente no que se refere a qualquer tipo de assédio. A Comunicação Interna pode ajudar a divulgar essas regras e até mesmo dar voz, caso alguma colaboradora se sinta vítima de assédio, através de um canal de denúncia de práticas danosas.

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação. Focal Point de inovação na EMBRAER, coordenando atividades de captação de ideias e ministrando treinamentos de Inteligência Coletiva/Inovação Incremental e de introdução a ferramentas de captação de ideias, para fomentar a cultura de Inovação. Freelancer em comunicação e marketing na H2M Comunicação & Marketing. Acredita que a cultura da inovação abre portas, as quais podem mudar não só processos, produtos e serviços, mas principalmente a visão de mundo das pessoas!