Toda marca precisa gerar diferenciação para se destacar no meio de tantas opções semelhantes e ainda assim se destacar para tantos consumidores críticos e autorais. Qual a melhor forma de se diferenciar e gerar valor? Entrar no mercado para fazer o que já fazem e falar a mesma coisa do que já falam é um caminho muito mais árduo.

Oceano Vermelho

Experimente fazer uma rápida pesquisa no Google ou no Instagram para perceber a quantidade de opções do mesmo serviço que possuímos no dia de hoje. Além desse fator, o tempo inteiro somos bombardeados com anúncios que possuem os mesmos discursos, o mesmo tom de voz e as mesmas propostas de valor.

Muitos mercados estão no que se chama de Oceano Vermelho. Uma zona cheia de grandes predadores, onde ganha quem fala mais alto e é mais agressivo. Uma competição que demanda muita energia e margem de lucro. Eu chamo de síndrome do corredor de shampoo. São tantas opções que ficamos perdidos.

Diferenciar ou morrer

Dentro desse contexto, as marcas perceberam que é muito fácil copiar produto e tecnologia. Veja como os pacotes promocionais das operadoras são muito parecidos. Como os celulares são muito parecidos. Como os megapixels de uma câmera são rapidamente copiados. A Samsung anuncia uma tecnologia de resistência de água e a Apple pode anunciar a mesma tecnologia em seu próximo lançamento e vice-versa.

E para evitar o Oceano Vermelho e buscar o Oceano Azul, um mar calmo, inexplorado, com poucos predadores, as marcas começam a desenvolver diversos tipos de diferenciais.

– Diferencial por atendimento

– Diferencial por embalagem

– Diferencial por design

– Diferencial por escrita

– Diferencial por arquitetura

– Diferencial arquetípico

Esses são alguns pontos de contato que as marcas buscam gerar diferenciação para se destacar em seus mercados. O Nubank busca a diferenciação por atendimento e o Do Bem a diferenciação pelo design, por exemplo.

Mas existe um tipo de diferencial que é quase impossível de ser copiado: o diferencial por essência/personalidade.

Antes de explicar o conceito, um exercício mental. Imaginem que duas marcas são duas pessoas reais. Uma tenta copiar o que a outra veste, fala, os amigos que tem, os eventos que vai. Tudo. Essa pessoa pode copiar todos os fatores externos, mas nunca conseguirá copiar a personalidade da outra. Quem de fato a outra pessoa é por dentro. Essa mesma lógica é aplicada para o mundo das marcas.

Essência

O conceito de essência é um dos pontos mais trabalhados e valorizados no Branding. Toda marca precisa de um propósito. De um DNA. Algo que transcenda produto e serviço. Algo que contribua para sua personalidade.

“Mas esse papo de essência traz resultado?“

Antes de seguir, assistam o vídeo abaixo:

v=POfQlg0V0Cc”>https://www.youtube.com/watch?v=POfQlg0V0Cc

Como o vídeo bem demonstrou, as pessoas não compram o que você faz. Elas se engajam com o propósito do que você faz. Elas admiram marcas com personalidade. Muitos de nós sabemos facilmente o que fazemos e como fazemos, mas às vezes nunca nos perguntamos o motivo de fazer o que fazemos.

E para a surpresa de muitos, o que ignoramos é justamente o ponto mais forte de diferenciação de uma marca. Porém, é o mais complexo de se construir também. Faz muito sentido analisar que as marcas que possuem a essência mais definida são as que mais lucram e geram valor no mercado: Apple, Harley-Davidson, Nike, Google e Coca-Cola, por exemplo.

Valorize a palavra diferencial competitivo

O conceito de diferencial competitivo é muito utilizado. Mas assim como os famosos missão, visão e valores, é banalizado pelos gestores com frases que só ficam no site e nos quadros do escritório.

Diferencial competitivo não é o que você tem e o seu concorrente não tem. É o que você tem e o seu concorrente não consegue copiar. É algo que te dá vantagem em uma competição. Experimente escrever quais são os seus diferenciais competitivos e jogue no Google e faça uma rápida análise de concorrência. Se achar mais de duas vezes já não é tão diferencial assim.

Ex: Somos inovadores, Excelência de ensino, atendimento personalizado.

O que o concorrente não consegue copiar?

– A história que sua empresa tem na vida dos consumidores. Se sua história é só comercial, pense em humanizar sua gestão.

– Personalidade. Existem empresas que você consegue identificar de longe, pois a personalidade é muito bem trabalhada. Experimente vendar uma pessoa e leva-la para dentro do Outback. No momento em que você tirar as vendas a pessoa vai perceber que está no restaurante sem precisar ler e ver o logo.

– Você identifica o Outback pela faca, pelo tipo de comida, pelo atendimento, pela arquitetura, pelo copo. Todos os pontos de contato do Outback são pensados para fazerem parte de uma essência/personalidade. Não admira o fato de ser um dos restaurantes que em qualquer período do ano tem filas para entrar.

Invista na essência da sua marca

Se você viu o vídeo e achou a perspectiva desse texto coerente, faça os mesmos três círculos que Simon Sinek fez em vídeo e tente descobrir e valorizar a essência e personalidade da sua empresa. Com isso bem definido, você poderá gerar valor, diferenciação e não ficar tão refém em uma disputa por comparação de preço.

banner clique
The following two tabs change content below.

Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.