Ano passado decidi empreender e comecei a pensar em qual seria o modelo da empresa que eu administraria. Aprendi que trabalhar com educação e capacitação de pessoas era o que mais me motivava, é parte do meu propósito. Mas ainda não sabia qual seria o modelo desse novo negócio. Iniciei testando o mercado, promovendo workshops e oferecendo palestras direcionadas para a área de Marketing – minha especialidade. Escolhi especialmente o formato de workshop por acreditar que, com poucos alunos, de forma presencial, com atividades e interação, o aprendizado é maior. Eu estava feliz, mas ainda sentia um vazio não preenchido.

Quando produzo um workshop, procuro deixar claro qual é o nível de conhecimento necessário para participar. Seria frustrante saber que alguém investiu seu tempo e dinheiro para aprender algo que não estivesse dentro da sua expectativa. Por isso, sempre pergunto quais são as expectativas da turma em relação ao curso, para que, no decorrer dele, eu consiga alcançar a todos. Os retornos são muitos bons, as avaliações finais e o feedback sempre foram ótimos.

Mas senti no decorrer dos cursos algumas pessoas com diferentes situações e momentos de aprendizagem. Também percebi que nem todos aproveitaram o momento como eu gostaria que fosse aproveitado, afinal, eram diversas pessoas de empresas distintas. Mas o importante é que cada um conseguiu aprender alguma coisa, certo? Para mim, não. Sempre acho que podemos melhorar e fazer mais.

Então, comecei a participar de mais cursos e workshops para ver como o mercado estava fazendo, aproveitando para ganhar mais conhecimento e, quem sabe, captar novos insights para o meu projeto.

Gostei dos cursos que fiz até o momento, mas preciso contar uma verdade: não consegui prestar muita atenção ao que era falado. Acho que, no máximo, por volta de 20% do tempo eu participei ativamente – o restante do tempo, eu fiquei no celular, navegando nas redes sociais ou respondendo e-mails.

Comecei a me perguntar se o problema era só comigo, afinal, tive a oportunidade de estar com palestrantes e professores magníficos e, ainda assim, não conseguia manter a atenção ao que era falado. Fiquei mais uma vez com um vazio, com mais uma pergunta sem resposta. Até que um certo dia deparei-me com um texto de Eduardo Carmello, CEO da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, que falava sobre o processo de aprendizagem singular. Achei esse conceito maravilhoso, respondeu todas as minhas dúvidas e preencheu o vazio sobre o conceito de capacitação que eu conhecia.

“O modelo de aprendizagem singular constata que é mais eficaz, rápido e consistente construir práticas de aprendizagem alinhadas às necessidades do sujeito, assim como nos diferentes estágios de proficiência em que ele se encontra”, afirma Carmello.

Ele ainda resume de uma forma bem atual como isso funciona: você promove aprendizagem pensando em “Just for you, Just in time and Just enough”. Ou seja, você não pode promover nem muito e nem pouco conteúdo, precisa ser a quantidade ideal, direcionando para cada pessoa e empresa, pensando no tempo necessário para que ele tenha efeito na organização e/ou no profissional.

Na mesma hora que entendi esse conceito lembrei de quantas pessoas me procuravam em busca de indicação de bons cursos para a área de Marketing. Ninguém sabe qual é o melhor curso, qual faz mais sentido para o nível de conhecimento que se tem e qual conhecimento fará mais diferença para o momento que se está vivendo. E eu também não queria indicar um curso sem saber ao certo o quanto a pessoa conhecia de Marketing e o que ela mais precisava naquele momento.

É essa mesma dor para todos. Acabamos fazendo cursos que aproveitamos pouco, aprendemos pouco e, na maioria das vezes, nos sentimos culpados por isso.

Sendo assim, resolvi criar um modelo de negócio no qual eu possa oferecer capacitação para equipes de Marketing de forma mais personalizada para cada pessoa. Não criei esse texto para fazer jabá do meu projeto, que ainda nem se concretizou por completo. Achei importante compartilhar com você o que acredito que seja o futuro da área de capacitação.

Os cursos de modelos fechados e empacotados sempre serão bem-vindos para diversas situações, mas sinto que o formato de aprendizagem singular entrará com tudo nos próximos anos. Afinal, com o acesso à informação e o avanço da tecnologia, o mundo muda cada vez mais rápido e os investimentos em capacitação serão cada vez mais criteriosos.

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.