Provavelmente você já está cansado de ouvir e ler essa combinação de palavras por aí. Se você é da categoria “criativos” ( O que eu acredito que no fundo todos somos), a coisa agrava de nível.

Mas afinal, qual a responsabilidade que temos sobre o conteúdo que produzimos? Já pensou nisso? Se não, hoje é dia de pensar e refletir nas informações e ideias que andamos a transmitir pelo mundo.

Produzir conteúdo exige técnicas, manhas e uma boa dose de experiência para que a informação realmente chegue ao target escolhido e gere o efeito esperado.

Muitas vezes gera, principalmente quando há um esforço enorme envolvido e uma paixão pelo que se está fazendo. Mas esse conteúdo produz qual efeito para a sociedade em que vivemos? Estou produzindo bom conteúdo apenas tornar meu público fiel a minha marca, produto ou serviço, ou realmente entendo o poder do que estou fazendo?

A alguns dias me peguei pensando na responsabilidade que tenho quando escrevo. Seja uma imagem, texto, áudios, músicas ou qualquer tipo de produção que transmita uma ideia, eu estou dizendo a um determinado número de pessoas que aquilo tem fundamento e que estou atestando que sim, que não, que pode dar muito errado, ou muito certo ou que nada do que dizem por aí é verdade ou mentira. Entende a lógica?

Além de escrever para o Ideia, também tenho um blog de viagens e nesse blog tenho uma área dedicada a mulheres, chamado “viajante feminina”.

Lá eu busco incentivar mulheres que querem viajar sozinhas, mas tem medo, não tem incentivo, não sabem por onde começar a planejar e questões relativas a isso.

Recibe então um áudio no Whatsapp de uma moça brasileira que quer conhecer a Europa, principalmente Londres, mas tinha muito medo porque não falava inglês. E a primeira coisa que fiz foi gravar um áudio de quase 10 minutos, contando uma pequena história de como foi a minha primeira vez em Londres e como eu conhecia muitas pessoas que viajavam e não falavam nada de inglês.

Entre miúdos, eu estava elaborando um storytelling e estava assegurando para a ela que eu já tinha vivido uma experiência parecida e que sim, era possível e ok. E a resposta foi a esperada: “ Se você já foi e diz eu acredito”.

Fiquei ali alguns minutos pensando na minha responsabilidade na decisão e na vida de uma pessoa que mal me conhecia, mas que confiou em mim, na minha história e no meu tom de persuasão.

Eu poderia ter mudado a vida dela e as decisões dela naquele minuto, já que ela estava decidindo naquele momento se comprava a passagem para Londres ou não.

Agora imagina quando uma grande marca “fala”?

Estamos incentivando as pessoas a consumirem um produto e a se tornarem fieis a um produto ou uma marca só porque aprendemos técnicas maravilhosas de como fazer isso ou porque realmente acreditamos que aquele produto ou serviço e o que eu digo sobre ele vai mudar a vida de alguém?

Não vamos atirar aqui areia para os olhos (como se diz em Portugal quando queremos tapar o sol com a peneira). Não é fácil tomar essa decisão e criar essa conscientização principalmente em grupo. As decisões e conteúdos dentro das empresas, principalmente as de grande presença, não são tomadas por apenas uma pessoa.

Mas se começarmos a entender a nossa responsabilidade sobre o que estamos fazendo e se começarmos a partir dai a dizer não para comunicações enganosas e falsas, a opinar em reuniões e decisões e a sugerirmos conteúdos que representem e mudem a realidade do mundo que estamos vivendo, já temos um bom começo.

Isso serve para blogueiros, empresas, publicitários, designers e todas as profissões que você quiser aplicar.

O que não falta no mundo é motivos para querer melhora-lo. E não precisamos esticar o pescoço no aspecto responsabilidade social e conjugados.

Primeiro passo é avaliar se acreditamos no nosso trabalho e se o que estamos dizendo é realmente genuíno e fará do mundo um lugar melhor.

Por mais utópico e bonito que seja falar isso, são as pequenas mudanças que começam a transformar pequenos aspectos da sociedade.

Uma prova bem viva e recente é o movimento de transição capilar e aceitação do cabelo cacheado e afro. Um dia alguém começou e “contaminou” alguém, que também “contaminou” outro alguém e aqui vamos nós para uma ideia e conceito que está mudando um aspecto da sociedade que foi durante muitos anos, um sofrimento para muitas meninas que foram  ensinadas a ter que alisar o cabelo para serem bonitas e aceitáveis (inclusive eu faço parte dessa história).

O mundo digital está aí para diminuir distâncias, gerar interações e tantas funcionalidades (que nos perdemos no meio delas). Mas a principal função, se pensarmos bem, é fornecer conteúdo e informações verídicas e fiáveis.

Não precisamos ser mais um produtor de conteúdo ruim ou de conteúdo que não acrescenta em nada.

Exige esforço e muita batalha, é verdade, mas garanto que vale a pena a sensação de produzir algo que faça do outro alguém melhor.

Nada me fez tão feliz e realizada, como saber que mais uma mulher no mundo está comprando agora uma passagem para ir conhecer Londres, sem saber falar inglês e estando sozinha, porque eu compartilhei com ela minha história e meu conteúdo do blog e da vida.

Foi um bater de asas da borboleta e que se tudo correr bem, gerará mais mulheres corajosas e dispostas a encarar o novo.

Definitivamente vale a pena pensar na responsabilidade que tenho como produtora de conteúdo. E você? Já refletiu na sua?

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.