Historicamente é muito comum ouvir nos meios educacionais e empresariais, sobretudo entre alunos e funcionários, falas como: “Aquele professor não tem didática…”; “Ele tem conhecimento, mas não sabe comunicar…”. Frases como estas revelam a importância na formação do instrutor nas formas de práticas de interação do saber. Dentro do ambiente de trabalho, o líder, gestor (ou qualquer cargo que possibilita a transmissão de conhecimento), deve compreender que, primeiro, cada funcionário possui um perfil e, portanto, cada um irá assimilar aquelas tarefas de modo diferente – mesmo sendo executada da mesma forma por vários ao mesmo tempo. No ambiente de trabalho, há sim muita competitividade e determinação. Todos querem agradar, subir na carreira e ganhar mais. Só que, em muitos perfis empresariais e empreendedores, isto só acontece se o indivíduo possuir mais conhecimento. Este, advindo das experiências adquiridas no próprio ambiente – pelos colegas, superiores e clientes. Veja, TODOS possuímos a capacidade de instruir e ensinar, seja na teoria, prática ou influências da vida (fica a dica de leitura do meu último texto).

A didática caracteriza-se pela disciplina de projeção instrumental, posse dos meios necessários para manejar, com maior diretividade, a aprendizagem que o sujeito realizará, de acordo com fins já determinados.” Surghi (1975, p. 2). Vou te apresentar alguns perfis didáticos para que você possa compreender mais:

  1. Entenda que, seu papel enquanto recrutador ou profissional que receberá o funcionário para algum tipo de treinamento, é uma posição de centro. O centro do processo. Você detém do conhecimento para transmitir para o considerado “tábula rasa”, o receptor passivo, no qual será conduzido. É uma abordagem existencialista, centrada na vida e na atividade. O homem é um sistema aberto, em evolução contínua.
  2. Mas, ainda que você trabalhe na transmissão-assimilação com seu funcionário desta forma, há ainda a relação entre vocês, o “Aprender a aprender”. É aquela relação em que você passa a ter uma postura de orientador, criador de desafios para estimular a investigação pelo funcionário dentro daquele conteúdo. Ele então é um ser ativo, participativo. Ele se torna o centro do processo, diante a troca de saberes.
  3. Em terceiro, nesta relação, há o método “Aprender a fazer”, onde observamos que, além dos dois indivíduos, existe um terceiro elemento: o planejamento. Este agora se torna o centro do processo. Você é um controlador intermediário e seu funcionário o receptor e executor.

Existem outros perfis, mas por hora, deixe seguir contigo e pontuar em tópicos. Sejamos mais objetivos:

A transmissão-assimilação:

Você precisa planejar. Desenvolver sua metodologia (pesquisas, tarefas) e a preparação intelectual e moral (disciplinar a mente e formar hábitos). Elabore propostas de intervenção na prática, tendo em vista a transformação do funcionário. Não vá na onda do “eu já sei de tudo, é só chegar e ensinar”. Lembre-se que cada um é diferente. Converse com o RH e conheça o seu funcionário.

Aprender a aprender e fazer:

Seu funcionário, como ser histórico, sujeito do processo portador de uma prática social e cultural, possui influências. Ouça-o. Difunda a cultura, estimulando, mais uma vez, a troca. Desenvolva a liberdade e a autonomia, estimulando a cooperação e respeitando a individualidade. Como? Descreva as competências e as habilidades que seu funcionário possui. Explore-as.

Não se limite ou se formate na relação hierárquico-individualista. Entenda que existe uma casualidade complexa, existe a causa-efeito.

A relação dialética de compreensão-transformação, traz a sistematização coletiva do conhecimento. Transmissão do conteúdo – redescoberta do conhecimento – obtenção dos produtos específicos – práxis social.

E isto tudo não se trata somente do papel e caneta (ou celular). Organize palestras. Depois, encontros individuais. Proponha dinâmicas. Dê deveres de casa. Seja interativo, com áudio e vídeo. Estimule através das artes.

O foco é sempre a produtividade, não é mesmo? Que esta então esteja alicerçada com os conceitos transmitidos de forma respeitosa, coerente e empática. A empresa como um todo, necessita abraçar a subjetividade nos treinamentos, já que somos sobreposições. Várias camadas. Somos cheios de possibilidades. Cabe possuirmos bons intermediadores do saber, dispostos a auxiliar a organização do conhecimento, passo a passo, sem pressa, sem correria.

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa