Ressignificar o sentido das coisas na contemporaneidade é fundamental, para atualizarmos valores e modos de enxergar o mundo a ponto de andarmos em sua velocidade, de acordo com suas transformações. E ressignificar tem a ver com comunicação, pois trata da conexão entre algo e sua relevância para alguém. Coincidência ou não, estamos na Era da Informação. Ou, para os mais teóricos, da Relevância.

Ressignificar a indústria da comunicação não é mais dizer, por exemplo, que não faz mais sentido departamentalizar agências em atendimento, planejamento, mídia e criação ou que a moda agora é co-criação. Seria superficial demais. Precisamos falar sobre as pessoas que fazem a roda girar. Os agentes da comunicação que, independente de profissão ou atividades que realizam, precisam reavaliar seu real papel. Há muito, foi ultrapassado e, aplicado hoje, está aquém do que o mercado precisa.

Para olhar para esses profissionais é preciso criar um indicador. E, para mim, o mais sincero é o impacto potencial ou provocado. Já parou para se perguntar qual é o verdadeiro impacto que você e seu trabalho provocam? Somos facilmente ou dificilmente substituíveis?

Em minhas redes, andanças por empresas, universidades e ecossistemas de comunicação, conheci (e conheço) gente que tem alto poder de impacto sobre a indústria, assim como conheço quem não tem. E isso é suficiente para eu criar um balizador e identificar as características daqueles que fazem a diferença e estão preparados para o incerto futuro. Aprendamos com esses!

Considero, como premissas, que quem vai atuar com comunicação precisa ser altamente estudioso, ter conhecimento, gostar de se informar, ser um ótimo curador de informação, ter capacidade de criar conteúdos relevantes, ser multifacetado, ou seja, ter intimidade com diversas disciplinas e, acima de tudo, postura de comunicador e empreendedor (já viu o Silvio Santos retraído?).

Nesse sentido, observando aqueles que fazem a indústria acontecer, chego a algumas definições.

Tem aqueles que não se comunicam

É comum que em nichos e tribos existam os mais e menos comunicativos. Mas quem trabalha com comunicação precisa, no mínimo, se comunicar bem. Independente da função exercida, entender o outro e saber como entretê-lo ou persuadi-lo é um dever e faz parte do trabalho. Se abstrair da realidade, se alienar e se isolar são grandes erros.

Vejo muita gente assim. E que não obtém o sucesso desejado no trabalho ou que encontraram frequentes desafios estruturais de carreira a serem superados. A falta de comunicação é prejudicial para o desenvolvimento das habilidades necessárias e consequente evolução.

Vejo comunicadores sociais formados que, nem ao menos se dão ao trabalho de “blogar” para se exercitar ou formar opinião. Desemprego, para comunicador, não é motivo para ficar parado na Era da Relevância e da Informação.

Tem aqueles que se comunicam

É o mínimo. Mas, a passividade e a comunicação reativa – do atendimento ao cliente a uma campanha mal planejada, da pauta no jornal até o Instagram Stories – prejudica toda cadeia de informação, onde velocidade também já não se discute mais.

Junto a essa reflexão a lembrança de que a comunicação social forma profissionais em larga escala no Brasil, ao passo que o mercado do marketing e da comunicação também se transforma em velocidade triplicada à engessada academia.

Reinventar a roda não é necessário, mas a comunicação, talvez. A Teoria da Comunicação não muda. Sempre haverá um emissor e um receptor, assim como um meio e uma mensagem. E isso é o suficiente para desenvolvermos nossa capacidade de reinvenção. Como comunicadores, continuamos tendo compromisso com a sociedade.

Tem aqueles que reinventam a comunicação, ao seu melhor modo

São esses lutadores que constroem o futuro. Esse tipo de gente não costuma ter medo de errar, e buscar mais e melhor é uma prática diária – do atender bem seu cliente a uma nova matriz de comunicação ou uma sugestão fracassada. Sim, o fracasso, nesse caso, é construtivo.

A indústria do marketing e da comunicação segue e sempre seguirá se transformando. É a peculiaridade do mercado em questão. Nesse sentido, não há mais espaço para quem tem morosidade, estagnação e comodismo na essência de qualquer intenção.

O mundo não mudou. Está mudando. E só quem busca se reinventar dentro da indústria – e realiza, mesmo errando – é que continuará fazendo acontecer e perdurará. Isso não é uma previsão. Só uma constatação.

Qual profissional de comunicação você quer ser?

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)