Em tempos de guerra política (porque sinceramente não tem outro nome para o cenário em que estamos vivendo no Brasil), pronunciar-se tem sido uma tarefa de risco máximo.

Todos os dias temos uma chuva de informações verídicas, levemente alteradas, propositalmente modificadas e completamente mentirosas. Posicionar-se é um ato de coragem e, quando é feito, “Deus nos acuda” e preparemos o escudo: é chumbo grosso na maioria das vezes.

No meio desse filme de terror (se é que me entendem), indescritível e inexplicável até mesmo pelos especialistas da área política, a pergunta que fica é: Uma marca ou empresa deve se posicionar? Deve defender a ideologia e escolha relativa a política, partidos e candidatos?

Não espere desse texto uma resposta concreta, digna de ser chamada de regra. Para assuntos políticos relacionados a negócios, toda cautela é bem-vinda.

A palavra-chave é bom-senso e o lembrete para vida é: A “internet” é para sempre.

Um ponto importante para ter em mente é que tudo publicado, mesmo que apagado, fica vagando na “internet” e algum usuário em algum momento vai se deparar com seu conteúdo ou com rastros dele, você querendo ou não, tendo aquele posicionamento ainda ou não.

Pense nos valores da sua empresa e no posicionamento de todos os funcionários em conjunto. Lembre-se que o comportamento da sua equipe de trabalho, seja ela grande ou pequena, diz muito sobre como a sua empresa é e como ele funciona internamente.

Na maioria das vezes, ou idealizando, o funcionário tem orgulho e carrega a bandeira do emprego que tem.

Já pensou que o posicionamento escolhido pela empresa poderá gerar um conflito para esse funcionário? Não menospreze o valor que a opinião e as escolhas da sua equipe tem.

Quando você escolhe defender um dos lados, ou uma ideia ou ideologia, você polariza. Isso significa ter uma parcela grande de opositores e de apoiadores. Alguns ficarão insatisfeitos, outros se aproximarão mais.

Sua marca precisa de opositores? Vale a pena comprar a batalha?

A diferença de opiniões pode desfazer vínculos, assim como opiniões semelhantes tendem a aproximar pessoas.

Na contra mão, as pessoas estão a procura de marcas de destaque, de posicionamento, que demonstrem suas ideologias e valores com transparência e clareza.

Quando uma determinada empresa resolver expor com firmeza aquilo que carrega em seu DNA, há uma enorme possibilidade da criação de um vínculo mais próximo.

Mas lembre-se, a linha é tênue e sempre haverá opositores, por mais esclarecedora, sincera e objetiva que sua mensagem seja.

E caso ainda haja alguma dúvida relativa a como deve proceder uma marca diante desse “livro de história” que o Brasil tem construído (e isso serve também para outros contextos de crises e situações extremas), pense se o partido – e digo “partido” de lado da situação a ser defendido, está alinhado com os valores, objetivos, linguagem e outros aspectos primordiais da empresa.

Mas não se engane, falar de politica dentro das empresas é muito importante. Parte da construção das decisões e das opiniões dos funcionários é construída no ambiente de trabalho, voluntariamente ou involuntariamente. Adivinha aonde ele provavelmente passa mais tempo da vida dele?

EMPRESAS DIRETAMENTE LIGADAS

Dizem que política, religião e gosto não se discute. Se a sua empresa estiver diretamente ligada a política? Você deve se manifestar?

O bom-senso e a transparência continuam sendo valores primordiais, mas se sua empresa trabalha com marketing politico ou são empresas ligadas ao setor público, como, por exemplo um tribunal ou um departamento ligado ao público, você precisará ter o dobro de cuidado e atenção.

Precisará perceber os impactos que um pronunciamento ou um posicionamento causarão na instituição de modo geral e não em um setor apenas.

Precisa estar atento a diretrizes e por vezes normas e leis.

Coloque no papel sua estratégia, converse com a equipe, reúna-se com responsáveis acima de você, discuta opiniões e ideias, tente prever ou medir o impacto de um posicionamento ou da ausência dele.

Não se esqueça, uma boa decisão muda o curso de vida de uma empresa e uma má pode matá-la, mesmo que a longo prazo.

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.