No dia 12 de janeiro de 1966, a 20Th Century Fox levava às telinhas americanas a série Batman, com o ator Adam West no papel do Homem-Morcego. A série teve três temporadas, com 120 episódios exibidos e se tornou um fenômeno cult com fãs fervorosos até hoje, 51 anos depois de sua estreia. Porém, um fato engraçado se deu em relação ao ator. Adam West, em entrevista para a revista americana Wizard, comentou que depois de Batman as pessoas nunca mais lhe deram um papel descente em um filme ou série de TV por conta de sua identificação com o herói.

O que poderia ser algo ruim se tornou algo fora de série, West comprou a ideia de que seria para sempre o Batman e construiu uma carreira de sucesso em cima disso. Participou, como ele ou como o Batman interpretado por ele, de programas de sucesso como Simpsons, Família Guy, Big Bang Theory, dentre outros, além de dar sua voz para o personagem em animações, como uma forma de tributo ao seu trabalho. Em 10 de junho de 2017, o ator faleceu de leucemia e mobilizou uma legião de pessoas pela internet. O legado de Adam West nos deixa uma lição interessante sobre engajamento e construção de reputação. A entrega de West ao papel e sua identificação com Batman até o fim de seus dias, transcendendo a sua morte.

Uma marca que entende sua força estratégica tem mais facilidade para se reinventar em momentos de dificuldades, sem perder a identificação com seu público, com a sua cultura organizacional. Ela enxerga oportunidades aonde outros veem fraquezas, e sai fortalecida dessa experiência. A oportunidade inesperada pode levar à navegação em um oceano azul, com vantagens competitivas para a marca.

Uma marca que busca se reinventar para superar dificuldades tem que estar engajada com seus valores, com sua missão e com sua visão. Não pode se afastar deles, mas evoluí-los para um novo nível, que tenha mais aderência ao seu público-alvo. Se conhecer e se manter fiel a quem é o que fortalece a reputação da marca em relação aos stakeholders e a reputação fortalecida ajuda na virada de mesa.

Resumindo, fez um trabalho bem feito e que é fortemente reconhecido? Não o use como tábua de salvação, mas como parâmetro para se reinventar, afinal de contas, se coisas diferentes não estão surtindo o mesmo efeito é porque o direcionamento escolhido não está legal, logo, aposte no que dá certo.

Entenda, abrace e invista no que você é. Ser fiel à sua cultura organizacional e engajar seus públicos, seja internos ou externos, é o que dará forças à marca para se reinventar.

Mantenha a sua reputação no positivo, mesmo que as contas estejam no negativo. A reputação é o bem mais precioso de uma marca ou organização, perdê-la significa um prejuízo que dificilmente poderá ser contabilizado, ao contrário do caixa, que pode ser recuperado. Os stakeholders acreditam e apostam na reputação da marca ou organização e isso impacta na retomada de crescimento.

A carreira de Adam West pós-Batman deixa um legado, uma mensagem de que para criar uma marca forte basta se conhecer e se manter fiel a sua cultura e reputação profissional.

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação. Focal Point de inovação na EMBRAER, coordenando atividades de captação de ideias e ministrando treinamentos de Inteligência Coletiva/Inovação Incremental e de introdução a ferramentas de captação de ideias, para fomentar a cultura de Inovação. Freelancer em comunicação e marketing na H2M Comunicação & Marketing. Acredita que a cultura da inovação abre portas, as quais podem mudar não só processos, produtos e serviços, mas principalmente a visão de mundo das pessoas!