Estamos cansados de saber o quanto ser empático é importante para qualquer cenário ou profissão. A verdade é que apenas aproximadamente 1% da população não tem empatia; São os considerados psicopatas, que demonstram indiferença pelas pessoas e nenhum tipo de remorso. Tirando essa pequena parcela da população, todos nós temos um pouco de empatia, uns mais, outros menos. Mas se você está em um cargo de liderança, ou pretende um dia estar, empatia é um dos pilares mais importantes a se desenvolver, pois será o seu nível de empatia que fará de você, ou não, um líder de sucesso.

O velho, o menino e o burro — o que a falta de empatia faz

A falta de empatia pode provocar comportamentos que, na maioria das vezes, nem temos consciência. Para mim, a fábula O Velho, o menino e o burro é um exemplo bem claro de como agimos quando não temos empatia e da consequência de nossos atos:

“Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.

– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.

Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho

– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai a pé! – disse outro homem.

O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo.

– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…

Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. Outro viajante perguntou:

– Esse burro é seu?

O homem disse que sim. O outro continuou:

– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.

Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.”

Acho essa fábula genial pois, apesar de parecer absurdo, fazemos isso o tempo todo. Tiramos nossas próprias conclusões de situações sem compreendermos a fundo o contexto. A primeira grande falha do líder que não tem empatia é julgar. A segunda é repassar a sua conclusão adiante, acreditando que isso ajudará em alguma coisa. Esse tipo de atitude apenas afasta as pessoas — elas percebem que, além de o líder não entender o que se passa, julga e tira sua próprias conclusões sobre suas vidas de forma injusta.

O erro sobre o conceito de empatia

Se você procurar o conceito de empatia ou perguntar para um amigo, logo encontrará a seguinte resposta: “é fazer aos outros aquilo que gostaria que fizessem com você”. Há um grande erro nesse conceito: achar que todas as pessoas gostariam de ser tratadas como você gostaria. Podemos ter problemas parecidos, mas somos diferentes. Então, alguém que esteja vivenciando um problema igual ao seu pode reagir de formas diferentes e pensar em soluções que funcionem para ela, mas não para você.

Outro conceito muito utilizado para explicar empatia resume-se na seguinte frase: “Empatia é sentir o que o outro sente”. Mais um erro de interpretação sobre o real conceito da palavra. Vamos parar para pensar: se sentirmos exatamente o que o outro sente, como viveremos? Se alguém está triste, você fica triste? Isso fará bem para você, líder? Sentir o que o outro sente não é ter empatia. Mas compreender o sentimento do outro sim.

O conceito principal de empatia está em entender.

Por isso é mais comum termos empatia por pessoas mais parecidas com a gente. É mais fácil compreender o outro quando identificamos semelhanças. Por isso, vale refletir sobre qualquer situação em que você não esteja compreendendo alguém. Olhe para fora e não para si, não compare ela com você (ou com mais ninguém), pois cada um vive as situações de uma forma diferente. Não existe ninguém melhor, nem pior.

Quando você estiver no momento de falar e usar a empatia, há grandes chances de você ser ouvido de verdade. Afinal, as pessoas perceberão inconscientemente sua identificação com elas.

Saiba ouvir além das palavras

O ser humano inconscientemente boicota seus sentimentos. Acaba passando informações que nem sempre representam o que realmente está passando. Por isso, além de saber fazer as perguntas certas, um líder precisa saber ouvir além das palavras. Uma dica é prestar atenção nos movimentos da pessoa enquanto ela fala, a forma como está sentada ou a forma como gesticula. Identifique como está a respiração da pessoa, busque interpretar se ela aparenta estar cansada, estressada, triste, retraída ou confiante, por exemplo. Essa é uma possível maneira de identificar outros sentimentos que estão além do que está sendo falado.

Dica: leia o livro “O Corpo fala” de Pierre Weil e entenda melhor como funciona o processo da linguagem não verbal.

O papel do líder empático é aproximar

Enquanto você está ouvindo uma pessoa o seu cérebro não para. Já começa a pensar em diversas formas de solucionar os problemas da vida dela. Assim que surgir uma brecha na conversa, você aproveita para começar a falar sem parar, oferecendo diversas dicas, orientações e caminhos para a pessoa seguir. Isso é muito comum e um grande problema quando se trata de liderança. Mas se o líder não tem o papel de falar para orientar seu time, então qual é o papel do líder?

O líder pode orientar sua equipe, mas precisa entender que a melhor forma de fazer isso é criando situações em que o próprio profissional entenda e descubra o máximo possível por suas próprias conclusões. Se o papel do líder fosse simplesmente falar o que acha e demandar ações, seria fácil.

Saber ouvir e criar situações de desenvolvimento humano sem imposição tornará o líder uma pessoa muito mais respeitada. Além disso, ao desenvolver empatia, o líder ou qualquer pessoa tem grandes chances de se aproximar das pessoas. Também haverá uma melhoria na persuasão, você melhorará sua capacidade de liderança e compreenderá mais rapidamente o que se passa com as pessoas para encontrar soluções aos problemas trazidos por elas.

Empatia é algo que se pode aprender, desenvolver e progredir. Entretanto, é preciso ter paciência, atenção e persistência. Tornar-se um bom líder não é fácil, mas se você aprender a  colocar-se no lugar do outro para compreender, tirar o foco em você e fizer as perguntas certas, tenho certeza que você será um líder de sucesso

 

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.