Para falar sobre o assunto que trago neste texto, preciso começar por minhas motivações para abordá-lo aqui e depois explanar sobre o termo, pois acredito que cocriação não é algo tão difundido e claro para todos que me leem agora, na sequência espero conseguir despertar o leitor para a sua aplicação nas estratégias de marketing independente do porte da empresa.

Vamos às motivações

As motivações são basicamente duas, a primeira é a disciplina que ministro no curso de Publicidade e Propaganda sobre Gestão de Marcas e Produtos. É inegável que sala de aula é um laboratório de cocriação, mas quando vamos para o mercado costumamos perder um pouco deste aprendizado e priorizar os resultados imediatos amparados por estratégias que ofereçam menores riscos.

A segunda motivação ocorreu quando fui a um evento o SetupConference aqui em Goiânia que abordou o tema: CONTEÚDO CUSTOMIZADO PARA CONSUMIDOR EMPODERADO. E teve como palestrantes o Diretor de Marketing da Johnson & Johnson BrasilJosé Cirilo e Andrea Mammana Napolitano da Pesico.

Ambos falaram do assunto pela perspectiva das suas empresas multinacionais e com cases bastante interessantes, que me trouxeram uma reflexão particular sobre como adaptar as estratégias de cocriação para empresas de diferentes portes.

A palavra de ordem que os presentes ouvintes levaram para suas respectivas vidas foi: A de que mais do que nunca é necessário repensar o modelo de negócios. O consumidor domina o conhecimento e ele compara, se informa, acessa as redes sociais e outros recursos ON e Off-line.

Cocriação

A cocriação, ou como determinados estudiosos da área gostam de chamar, a inovação aberta, significa criar algo com a participação das partes interessadas. Para exemplificar: imaginemos profissionais em um processo de criação de um novo design de embalagem para um produto, ali cada um com sua bagagem tenta desvendar o que é melhor para o consumidor, sempre munidos de pesquisas, relatórios e claro bastantes técnicas.

O trabalho é realizado com o foco em: criar algo para alguém. Neste caso para o público consumidor do produto e possíveis clientes potenciais. Já na cocriação o público participa da criação de modo intrínseco. Ele faz parte do processo e, portanto, o trabalho é feito com o consumidor para o consumidor.

E como seria isso?

Antes de tudo precisamos salientar: Criar de forma aberta requer coragem, pois nos traz para um campo que não dominamos totalmente. O interesse do público é volátil e para conseguir despertar o pertencimento dos clientes atuais a ponto que estes contribuam para a melhoria constante dos produtos e prestação de serviços é sem dúvida um desafio diário. E quando pensamos em clicks e comportamento em rede podemos afirmar sem exageros que este é um desafio de minutos.

Realizar então a cocriação exige que a empresa esteja aberta e disposta a escutar e compreender o que os seus diferentes clientes querem expressar, por esse motivo as pesquisas focadas apenas em números não são suficientes.

E para compreender as pessoas é importante voltar à atenção para ferramentas que priorizam o aspecto qualitativo da ação humana e por ser muito complexo oferece uma margem maior de erro.

Perceber o momento como algo positivo nas estratégias de marketing

Parece que até agora a discussão girou em torno das dificuldades, a parte boa e interessante é que com dedicação, adaptação e disposição, é possível conseguir engajamento das pessoas para nossas marcas.

Com as pessoas cada vez mais expressivas por seus próprios canais de comunicação, as empresas têm um campo fértil de pesquisa com dados gerados de forma espontânea e por isso com mais veracidade.

Algumas soluções como adaptar as pesquisas costumeiras de Focus Group com uma construção de painel semântico, pode contribuir de forma substancial para obtenção de dados consistentes que balizam as estratégias de marketing de diferentes empresas;

  • Optar por uma boa conversa com o cliente compensa mais do que deixar apenas um papel que traz perguntas objetivas sobre pesquisa de satisfação;
  • Perceber a presença online do cliente e ter reciprocidade nas ações em rede;
  • Atrelar a consultoria especializada com as percepções dos seus colaboradores. Acreditem, eles têm informações importantes sobre o seu cliente.

Como está à estratégia de Cocriação na sua empresa?

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.