A série Punhos de Ferro, da Marvel, traz uma narrativa que além da ficção, fala sobre como o mundo das corporações tem que ser pensado através de um modelo de Marketing mais humano, transparente e empático.

 Essa não é a primeira série da Marvel com a Netflix que, além do ciclo narrativo principal entre herói x vilão, traz para o público debates atuais que vivemos todos os dias. Relevantes para a nossa sociedade.

  • Jéssica Jones trouxe para debate a questão do assédio e do machismo;
  • Luke Cage trouxe a questão da política, corrupção e do movimento negro;
  • Demolidor aborda o dilema entre vingança x justiça.

Como podemos perceber, a produtora sempre busca abordar, sutilmente, ao lado de sua narrativa principal, temas do nosso presente que precisam ser refletidos.

E com o seu mais novo herói urbano, Punhos de Ferro, a produtora resolveu abordar a questão do corporativismo e Marketing. Como que grandes empresas tem mais poder do que governos e estão acima da lei.

Aviso: o texto pode conter spoilers sobre a série.

Resumidamente, vamos a história:

Daniel Rand é um jovem filho de um bilionário americano dono de uma das indústrias farmacêuticas mais poderosas do mundo. Ele e toda a sua família – pai e mãe – se envolvem em um acidente aéreo na Ásia. O avião cai na altura do Himalaia. Daniel Rand é resgatado ferido por monges budistas, mas seus pais morrem.

O jovem, agora órfão e ainda adolescente, é criado com a sabedoria dos monges. Aprende a se autoconhecer, a equilibrar suas forças, compreender suas limitações e a meditar frequentemente.

Obs: Já conseguimos analisar o primeiro ponto com o que vemos no mundo do Marketing. Cada vez mais executivos, absorvendo aprendizados budistas para obter uma produtividade sem perder a saúde e o equilíbrio. Estamos refletindo o mundo workaholic e o que é sucesso.

Quando atinge a maioridade, Daniel Rand decide voltar para os EUA para poder reassumir os negócios do pai e a reencontrar amigos e parentes. Porém, quando volta, o jovem que estava dado como morto durante anos deixa todos perplexos. Daniel Rand chega na empresa do falecido pai e encontra uma empresa cheia de sócios e acionistas que só pensam em dinheiro e em explorar ao máximo seus funcionários. Uma empresa de uma indústria poderosa que controla governos e pessoas.

É aí que começa sua jornada contra o corporativismo e marketing tradicional.

O herói da Marvel começa a batalhar a cada reunião para humanizar a gestão da empresa. Busca compreender os problemas dos funcionários e acabar com a visão desumana da indústria.

Alguns exemplos interessantes:

– Daniel Rand descobre que uma das suas funcionárias perdeu o plano de saúde pago pela empresa. Ao saber da notícia, manda imediatamente a empresa voltar a pagar e dialoga sobre como é importante para a empresa uma boa cultura interna.

– Em uma das reuniões dos acionistas é anunciado um produto novo. Um medicamento capaz de curar uma doença que mata milhões no mundo. Enquanto os acionistas discutem como que podem aproveitar o medicamento para enriquecer, o jovem Daniel Rand, com 51% das ações, bate o pé e diz que o medicamento deveria ter preço popular para ser acessível à todas as pessoas sem condições.

– Estudando as finanças da empresa, descobre que dentro da própria empresa possuía um sistema de distribuição de drogas, onde um dos sócios aproveitava a estrutura da empresa para produzir, vender e distribuir heroína nas ruas dos EUA. Nesse episódio em questão, ocorre uma boa reflexão sobre drogas. Tanto ilegais quanto legais, vendidas em farmácia. O quanto que alguns medicamentos legalizados na verdade são prejudicais ao nosso corpo. Alguns tanto quanto drogas ilegais.

– A empresa da Daniel Rand é denunciada por contaminar um rio de um vilarejo com resíduos tóxicos de uma das suas fábricas e matar dezenas de pessoas por câncer. Enquanto a maioria dos acionistas e executivos discutem em como driblar as leis, ter um desempenho superior nos tribunais e abafar o caso na mídia. O jovem herdeiro procura as famílias e presta solidariedade, demostrando empatia e vontade de indenizar as vítimas.

Rapidamente todos os sócios, acionistas e executivos procuram uma forma de derrubar – inclusive matar – Daniel Rand, alegando dizer que ele não entende nada do mundo dos negócios. Que no universo corporativo os fins justificam os meios e essas atitudes fazem parte. Porém, a cada conquista para humanizar a gestão, seu nome aparece em todos os jornais e revistas da cidade e as ações da empresa na bolsa de valores começam a subir, demonstrando que estamos em uma era onde a transparência e humanização da gestão é valorizada. A empresa começa a ter uma boa imagem no mercado e a gerar valor para as pessoas. Sua imagem passa de um menino inocente (aos olhos dos velhos executivos) para um jovem empreendedor inovador e promissor.

Esse são alguns exemplos de como que o jovem herói da Marvel, em paralelo a sua narrativa fictícia, batalha para um mundo onde o corporativismo não interfira na vida das pessoas e que os ambientes empresariais sejam equilibrados, transparentes e respeitosos em toda sua escala de funcionários.

Um dos maiores aprendizados e reflexões da série é demonstrar como que o mundo das grandes empresas precisa se humanizar e como que o público está cada vez mais colaborativo, ativo e crítico. Mostra que as pessoas se importam com o meio ambiente e com a qualidade de vida.

É interessante analisar que esse contexto está muito presente nos nossos dias. Cada vez mais exigimos ações relevantes por partes das empresas. Estamos saturados de corrupção, corporativismo, clientelismo e todos os aspectos que trazem uma visão negativa e manipuladora ao Marketing.

Punhos de Ferro trouxe uma visão sobre o Marketing e Gestão interessante e essencial. Por isso se tornou uma recomendação para todos da área. Afinal, buscamos cada vez mais uma vida equilibrada, onde o dinheiro e poder não são as únicas variáveis do sucesso. É possível ter sucesso com uma gestão que tenha empatia, respeite o ambiente e a sociedade.

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Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.