Quero continuar contigo as conversas entre estes dois mundos que, aparentemente parecem distantes, mas estão bem juntos (entre tapas e beijos). Não significa que te darei passos de sucesso, ou tópicos específicos para fazer arte – e ter sucesso com ela. Meu intuito nesses três textos é colocar uma pulga atrás da sua orelha e, juntos, refletirmos.

A primeira parte você pode ler aqui, e a segunda aqui.

Sensibilizar?

Existe a ideia (do século 20) de que a arte não se faz com sentimentos, experiências biográficas ou favor dos deuses. Mas que se faz com linguagem e conhecimento do material, isto é, da tradição de seu uso nas obras anteriores. De uma coisa pode-se afirmar: usam da arte para fins não artísticos e educativos no cenário cultural atual, ou seja, apenas como produto e preço, sem valorização efetiva. As nuances do marketing cultural nos trazem solidez nas argumentações. E o branding também pode traduzir as ideias de inovação, criação e sentido. Por isso, se você quer focar no mercado artístico, te indico a leitura de artigos sobre estas áreas.

E então, surgem algumas perguntas:

A originalidade é o valor supremo da arte moderna no mercado? Ela é produzida por meio de combinações insuspeitadas de tradição? Pode então, por exemplo, uma máquina (talvez um computador), produzir arte? E onde ficaria então, a consciência humana? Somente em propagar, expor, e vende-la?

Ser genial e original no meio de trabalho (principalmente aqueles que o usam para emancipar as artes – sejam impressas ou não) tem sido uma realidade difícil de consolidar.

“Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno.” (ARTAUD, Antonin. Van Gogh – O Suicida da Sociedade. São Paulo: José Olympio, 2003).

Transmitir.

Oras, a pintura, por exemplo, é uma declaração. É preciso entender o que ela diz. Por tanto, me inclino em dizer que é preciso o envolvimento emocional na criação. Pois a arte não se trata de senso, muito menos o comum. Seria um pensamento tardio este, o de pressupor. Vejo então que, ao se deve reduzi-la a slogan, frases de efeito, preços e propagandas clichês.

Talvez a vida robotizada, sem tempo livre, seja ambiente inóspito para a inovação. E então nota-se neste cenário a economia criativa, os modelos de vida de uma sociedade talvez desorientada e, ainda, a preocupação da competitividade, autonomia política e mudança de paradigma. Resquício do pós-industrial. É preciso fatores que estimulem o processo criativo, não dependendo tão somente da ociosidade. Arte não precisa ser necessariamente passiva. Conhecimento por conhecimento? Não. Conhecimento por produção. Culpa da reforma industrial. A educação faz pensar. Ou, deveria fazer pensar. E o pensamento pode gerar novidade. Pense. Evolua.

Imergir.

Trata-se de expansão. Desenvolvimentos extra-limites. Pós-limites. Perícia e brevidade. Nem sempre as coisas que possuem reconhecidamente um sentido serão caracterizadas como elementos artísticos. Há o contexto e bagagem (enorme e bem pesada!) histórica, que trazem esclarecimentos e influências ditas necessárias para estas definições. Ou ainda a historiografia, sociologia e psicologia da arte. Estude estes conceitos antes de equivocadamente usá-los em seu produto.

A inovação pode ser perturbadora e gerar certo medo. Mas atreva-se a buscar a novidade para sua criação. Assista filmes que você normalmente não assistiria. Vá em eventos culturais que fogem da sua rotina. Ouça outros gêneros musicais. Leia um livro infantil ao invés de um acadêmico. Saia e explore o mundo.

Transcender.

Pode ser que voltemos a falar de arte por aqui. Obrigado por ler até o final os três textos. E deixa te contar: meu segundo livro “A Construção do Olhar” está com o PDF de graça, aqui ó: http://bit.ly/aconstrucao

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa