Compreender como funciona o fluxo comunicacional é de extrema importância para que se possa ter uma visão de como ele interfere nas ações individuais e impactam a sociedade de uma forma geral. As narrativas sempre estiveram presentes no dia a dia das pessoas. Desde a antiguidade, tradições eram passadas de geração em geração, histórias eram contadas e registradas ao longo do tempo.

O narrar sempre foi a base das relações interpessoais. Ao analisar a história, é possível verificar como as narrativas foram evoluindo com o surgimento de tecnologias e se adaptando aos meios existentes. Da oralidade para a escrita e impressão (jornais, livros e revistas), depois para o rádio (retomada da oralidade), chegando então, ao audiovisual. Em todos esses períodos observa-se  que a comunicação, na maioria dos veículos, sempre atuou de forma vertical, ou seja, a informação só vinha de uma  direção. A lógica que se estabelecia era emissor > receptor. Não havia um retorno, um feedback,  da informação que era enviada e nem da que era recebia.

Com a chegada da internet, essa relação “teoricamente” se desfez. Hoje qualquer pessoa pode produzir suas próprias informações e consumir aquilo que desejar. É a chamada comunicação horizontal. Ela acontece no mesmo nível para todas as pessoas.  No entanto, uma questão tem chamado atenção. Em meio a tantas possibilidades de consumo, o excesso de informação parece ser o item mais consumido e também, o menos digerido. A quantidade de conteúdo tem levado muitas pessoas à desinformação. Assim, um espaço que deveria ser utilizado por múltiplas vozes, vem segregando minorias.

Marshall Mcluhan em seu livro “Os meios de comunicação como extensões do homem” já trabalhava a relação entre a psique e o comportamento humano diante da quantidade de informação. De acordo com ele “o aquecimento de um dos sentidos tende a produzir hipnose, o esfriamento de todos os sentidos redunda em alucinação”. Ou seja, hoje o que se vê são pessoas cada vez mais “certas” das suas opiniões, vazias de argumentação e “cegas” para as opiniões alheias.

Por isso, é tão importante mostrar a diferença entre comunicar e informar. A comunicação só é efetiva, quando existe uma troca, uma interação, onde ambas as partes dialogam. A partir do momento que não há essa “via de mão dupla”, temos apenas o valor informativo, que nem sempre é utilizado de forma verídica pelas pessoas.  Com isso, acabamos retrocedendo a uma comunicação vertical.   As pessoas querem ser ouvidas, mas não querem ouvir umas as outras.  Houve sim, uma mudança, no que diz respeito a produção de conteúdo, no entanto , a maioria das pessoas seguem recebendo mensagens e replicando-as de forma passiva, sem contestar verdades e fontes.

Diante desse cenário é fundamental que os profissionais de comunicação reflitam sobre essa sobrecarga informativa que estamos vivendo. Existe uma lacuna entre aquilo que é dito e o que é absorvido.  No âmbito organizacional, isso se torna ainda mais evidente. Por ter tradicionalmente uma característica mais burocrática e hierárquica, muitas empresas adotam posturas arcaicas. Por isso, é necessário que tenhamos consciência da importância do ato de comunicar para a multiplicidade de ideias e para a construção de identidades.

Na sua empresa, quantos diálogos são permitidos diariamente?

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Raiza Halfeld

Mineira de Juiz de Fora, movida a desafios. Gosta de aprender coisas novas e trocar experiências, pois enxerga a educação como um processo contínuo. É graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFJF, e atualmente cursa MBA em Marketing pela UNOPAR.