Sair do Brasil para tentar uma nova vida em busca de novas oportunidades na carreira é um sonho que já passou pela cabeça  de muita gente.  Se eu disser 100% das pessoas estarei exagerando, mas se não é isso, é quase lá!

A grande questão é:  vale mesmo a pena? As oportunidades são verdadeiramente tão melhores assim? Quais os prós e contras?

É sobre esse sonho do “trabalho perfeito fora do Brasil” que quero conversar com você no texto de hoje.

Se você acompanha os meus textos,  já deve ter notado que eu conto muito sobre a minha experiência fora do Brasil.

Atualmente moro em Portugal, exatamente em Lisboa, onde estudo Marketing e publicidade em uma universidade voltada só para a área da comunicação, moda e design.

Comecei aos 17 anos a estudar publicidade em Belo Horizonte, fiz intercâmbio em jornalismo na Universidade de Coimbra e tive bons estágios – Passando por empresas como a Unimed, das quais levo comigo muito aprendizado.

Calma, esse não é o meu currículo!

Estou te contando essa “historinha da minha vida” só para você entender que as afirmações que vou fazer não nasceram da minha pesquisa na internet e sim de muitas lágrimas e muito suor para correr atrás do famoso sonho da carreira na comunicação.

Então senta que lá vem história.

O MERCADO É DIFERENTE

Sim meu caro amigo, o mercado da comunicação fora do Brasil é bem diferente.

Pelo menos posso te falar de Portugal, que é para onde uma grande quantidade de brasileiros pensa em imigrar, tanto pela língua quanto pelo clima ou pelo amigo do amigo que mora por aqui.

Quando falo que o mercado é diferente estou incluindo desde hábitos e cultura da empresa, até as exigências, vestimentas,  gestuais, formas de tratamento, relações de hierarquia ou mesmo o modo como se faz pequenas solicitações através de e-mail.

O que você precisa ter em mente em primeiro lugar é se está disposto e aberto a viver essas diferenças. E não me diga que isso é simples e você tira de letra.

Colega, tira não!

Considero-me a pessoa mais aberta e propícia a mudanças que conheço. Gosto de tudo, aonde vou consigo achar o meu espaço e me sentir bem, mesmo que isso leve algum tempo.

Provavelmente você está dizendo, é eu também sou assim. Mas imagine agora sua realidade atual e uma possível realidade futura:

  • Hoje você está em uma agência onde sexta-feira é dia de ir de chinelo e bermuda;
  • Rola pizza (Em Portugal também vai!);
  • Você costuma tratar seu chefe como “você”. “Você” em Portugal é muito íntimo e não é ideal para relações profissionais;
  • Os seus e-mails são descontraídos. Já tive que escrever e-mails assim: “Prezado fulano das couves, encarecidamente venho por meio desse veículo de comunicação, solicitar a vossa colaboração para …. com os meus melhores cumprimentos.” Aposto que esse tipo de e-mail não é muito habitual no seu dia-a-dia;
  • Os clientes portugueses em sua maioria são tradicionais, mais velhos e rola uma dificuldade imensa de propor algo diferente. O povo português culturalmente é um povo resistente a mudanças.
  • A mentalidade quanto a importância da comunicação e a forma como ela deve ser conduzida também é bem diferente. Você poderá encontrar dificuldades quanto a adaptação do direcionamento e da atuação das empresas no mercado.

O que acha dessas mudanças? Te fariam feliz?

É preciso ter então consciência das mudanças culturais que te esperam. Em Portugal, nos EUA, na Inglaterra… aonde for. Cada local terá mudanças culturais próprias que podem não te deixar muito feliz.

O FINANCEIRO PODE NÃO SER COMPENSATÓRIO

Erro básico de todo mundo que imigra, principalmente o meu: Comparar moedas.

O salário mínimo em Portugal gira em 2017 em torno de 560 euros. Imagine que você ganhe aí em torno de 800 euros. Uaaauuu, Sabrina! multiplica agora por 4 que é mais ou menos a cotação do real em relação ao euro e você chegará ao generoso montante de  3200 reais!

Não e não! Você vai ganhar em euro e gastar em euro, ou em dólar ou em qualquer moeda que esteja recebendo no local onde está. Esqueça o real.

Vamos as contas. Em Lisboa a inflação no setor imobiliário chega a ser ridícula, um quarto sem muito conforto gira em torno de 300, 330 euros. Se quiser um pouco mais de privacidade e conforto faça conta de 370 para cima. E a tendência é subir a cada ano.

Vamos a uma mediana disso então, 350 euros um quarto com todas as contas incluídas.

Uma pessoa sozinha como eu que come a maior parte das vezes em casa, gasta em média 70 euros por mês com alimentação.

De transporte público em Lisboa pago 36 euros do passe mensal para rodar dentro da cidade usando  ônibus, metrô e bondinhos ( Sim aqueles que todo turista adora). Para áreas mais afastadas o preço vai subindo.

Inclua também um seguro saúde,  por que não ter um em Portugal não é uma boa opção. Uma conta de hospital  pode girar em torno de 500 a  600 euros. Isso é mais comum do que você imagina.

Aqui descrevi custos básicos: Comer, dormi, ir trabalhar. São 456 euros.

Acrescente ainda  os descontos, que estando legalmente em Portugal  devem ser pagos. São dois: O IRS – Imposto de renda que varia de 8.5% até 10% para quem tem mais de 3 dependentes nessa faixa salárial mais a Segurança Social que são 11%.  Ou seja, menos 19,5% do seu salário, uma média de 150 euros.

Total da brincadeira: 606.00 euros.

Você terá que renovar seu documento  de legalização no país, é sempre um custo a mais. Fora outras contas que você possa vir a adquirir como comprar um carro. Se você é solteiro as contas se ajeitam melhor, mas se for um casal  com outros dependentes que não trabalham e não colaboram com o orçamento doméstico  é bom acrescentar outras despesas e riscos que devem ser colocados na ponta do lápis.

Vai por mim, não convém estar longe de casa com dinheiro contado. As surpresas são sempre muitas!

O EMOCIONAL CONTA MUITO

Nós, nisso me incluo, temos a doce ilusão de achar que a ausência dos amigos e da família não influenciam tanto na nossa rotina e principalmente no nosso rendimento no trabalho.

Mas tem tanta influência que há pessoas que entram em depressão, que desenvolvem problemas emocionais seríssimos quando  encaram  a solidão.

Leve em conta sua capacidade de adaptação, suas reações quanto a distância do seu porto seguro. Lembre-se que nos países mais frios  geralmente  as pessoas são mais frias e reservadas também.  Se pensar em países como Alemanha e outros mais ao norte da Europa, aí meu amigo, haja Skype!

Não há povo alegre e companheiro como o brasileiro. Você vai aprender isso quando passar um bom tempo longe de casa.

Imigrar é sair da zona de conforto, é estar disposto a sofrer um pouquinho também, viu?! Mas olha, isso não é para te desanimar e sim para te orientar.

  • Pesquise bastante sobre as contratações no país de interesse;
  • Converse com pessoas da empresa que você tem interesse pelo Linkedin;
  • Tente explorar informações nos grupos de redes sociais sobre a vida no país e na cidade para onde você pretende ir;
  • Leia muitas notícias sobre os processos de imigração, documentação e legalidades necessárias;
  • Acompanhe os jornais locais pela internet mas filtre tudo que ler e ouvir.

Boa sorte e muito sucesso na sua carreira profissional. Não se esqueça de compartilhar e ajudar outras pessoas.

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.