As coisas mais impactantes e importantes que acontecem em meu dia são os aprendizados. E eles surgem nas mais cotidianas casualidades.

Refleti recentemente com o time de comunicação da agência, sobre a importância do percentual de engajamento técnico x empático que temos que colocar em um trabalho de comunicação para que seja eficiente.

Consideramos técnica como a habilidade e o conhecimento específico para fazer algo. A técnica de um designer gráfico e o conhecimento das proporções áureas e tipografias, por exemplo, é tão importante quanto a dos redatores do ponto de vista de conhecimento em ortografia e gramática.

Por outro lado, entendemos a empatia como a capacidade de se colocar no lugar do outro, nas condições do outro, a ponto de enxergar o que seria melhor para o outro, considerando a atmosfera social desse alguém. Em uma atividade de comunicação, para construir uma peça para engenheiros e tecnólogos de multinacionais, eu realmente preciso me inserir em seu contexto, conhecer seu perfil, para identificar a melhor maneira de engajá-los, e não somente impactá-los. Considero essa lógica como a comunicação pós-contemporânea eficiente.

Em um paralelo entre os dois conceitos, na concepção de uma peça artística, quanto deve prevalecer os pilares técnicos de propriedades gráficas em detrimento de uma imersão empática no universo do público com o qual vou me comunicar?

A pergunta, provocada pelas escolhas de gestão de tempo e produtividade que temos que fazer diariamente, não sugere uma resposta certeira. Mas, uma reflexão. Os de cima do muro vão tentar dizer que deve haver um equilíbrio. E não discordo. Na prática, contudo, há uma distância do aspecto criativo/técnico da visão à frente, que considera um objetivo maior como resultado do trabalho. O final. O impacto que causará no mundo.

Alguns ativistas podem dizer que a técnica é absoluta e está acima de qualquer outra necessidade de absorção de experiências ou conhecimentos para produzir uma comunicação mais eficiente. Ou seja, basta ter a técnica e consigo adaptá-la a qualquer coisa. Porém, nos esquecemos de que as pessoas são protagonistas absolutas na era da informação e, definitivamente, temos que conhecê-las muito bem para cumprir minimamente o ciclo da comunicação, já que hoje há uma estafa provocada pelo alto volume de informações que nos impactam ou que consumimos.

Nessa reflexão, não podemos esquecer que, por mais que haja evolução tecnológica, são as pessoas que sempre terão a capacidade de produzir consumo e economia. Só que de forma diferente. Em canais diferentes. A partir de gostos cada vez mais nichificados e combinados em agrupamentos sociais específicos por conta das transformações da sociedade, seus valores e hábitos.

E esse é o melhor argumento para eu crer que o mundo precisa, de fato, é de técnicos em gente! Especialistas em pessoas.

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)