Em tempos de vida online e cenários políticos cada vez mais expostos, vale uma pausa para pensarmos sobre as transformações do Marketing Político e como ele tem sido tratado em rede e ainda considerar a efetividade das estratégias do marketing digital. E assim, analisarmos nosso preparo enquanto profissionais para lidarmos com esta demanda.

Prometo não delongar no contexto histórico, mas precisamos recordar uns fatos para que nosso assunto fique ainda mais interessante. Até a década de 90 aqui no Brasil, as campanhas eram realizadas de forma intuitiva, isto é, sem um respaldo das estratégias do marketing para direcionar o posicionamento dos candidatos.

Os motivos podem ser justificados pelo tempo que o Brasil ficou sem ter eleições diretas, visto que a partir de 1964 o Brasil estava sob as regras do militarismo e a realidade política no mundo antes dessa data também era outra, dessa forma, ficamos mais de 20 anos fora das transformações técnicas de comunicação para eleição direta.

De posse destas informações que buscamos no nosso túnel do tempo, vamos nos conectar para compreendermos melhor a atualidade.

Antes uma pergunta que terá como resposta três conceitos distintos e relevantes para os interessados sobre o assunto: Você sabe as diferenças entre Marketing Político, Eleitoral e Governamental?

Marketing político é caraterizado por ações de longo prazo, elas são pensadas desde a escolha de um determinado representante para ser candidato até o seu posicionamento quando este for eleito, por isso ele abrange os outros dois que serão explicados.

Marketing eleitoral é aquele amparado pelas estratégias do marketing político, mas aplicado no curto prazo, isto é, na época das eleições ele prima por expor situações pontuais que garantam votos para o candidato.

Marketing governamental teoricamente usado apenas por governantes já eleitos que buscam galgar novos cargos numa próxima eleição ou pretendem se recandidatar. Assim, os governantes de todas as esferas, Municipal, Estadual e Federal cuidam para que o seu mandato seja amplamente divulgado, percebido e comentado.

Presumo que seja um leitor atento e tenha notado a sutileza da expressão “teoricamente” quando falamos sobre Marketing governamental e esta palavra foi inserida com um proposito, o de que a gente entenda o que acontece com as ações em rede dos atuais governantes.

No âmbito internacional, só a título de exemplo, todos os dias temos uma demonstração do Presidente dos EUA cada vez mais próximo da população via redes sociais, Trump é um adepto deste hábito. E faz da internet uma forte ferramenta para seu Marketing Governamental.

No cenário nacional é crescente a exposição de governantes com redes sociais cheias de seguidores, o que caracteriza praticamente um mandato com perfil de reality Show online.

Ocorre que muitos destes em suas promessas de campanhas disseram não ter a intenção de pleitear outros cargos ou se quer pensar numa possível recandidatura. O que explicaria essa forte tendência e adesão ao Marketing Governamental em rede?

Esta é uma pergunta que requer estudo e reflexão, devemos considerar primeiro que o Brasil  ficou duas décadas estagnado com a forma de pensar em campanhas políticas, fato que reflete em maiores desafios para quem escolhe atuar nesta área.

E segundo, mais precisamente nos últimos cinco anos, o formato das campanhas passou a ser amparado também pelo marketing digital. Este que não se resume apenas a postagens em redes sociais, mas que pode ser muito percebido ali.

Assim, nós enquanto profissionais precisamos:

Pensar as assessorias de comunicação e imprensa focadas no tempo das ações nos canais online como aliados na gestão de possíveis crises com o eleitorado;

Aferir dados, realizar pesquisas para testar hipóteses e fugir do ranço das campanhas intuitivas;

Cuidar para que o candidato ou governante não seja tomado pelo mal da nossa era, que é composto por imediatismo e a vaidade da vida em rede, e assim garantirmos uma imagem correta na sua presença online condizente com seu mandato;

Conseguir alinhar os projetos das campanhas as ações de marketing digital de forma integrada;

Descobrir, identificar e assim explicar para os candidatos e governantes as diferenças substancias entre cada forma de fazer o marketing político com a finalidade de promover uma compreensão e adesão por parte deles das ações propostas.

Será que estamos preparados? E para conseguirmos testar a efetividade das ações do marketing digital voltado para o marketing político  precisaremos esperar o resultado  das próximas eleições!

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.