O cheiro está para a lembrança assim como a música está para a dança. Permita-me apenas este trocadilho, mas falar de olfato é falar de memórias. O olfato é o primeiro sentido que liga mães e filhos e é a partir da formação completa do nariz que surge o canal de informação de maior velocidade com o cérebro.

Olfato: um sentido poderoso

A utilização do olfato como estratégia de vendas é uma prática muito antiga do Marketing Sensorial. O desenvolvimento do branding olfativo promove a identificação do público com a marca através do cheiro, pode provocar lembranças e, como consequência, diversas sensações. De acordo com alguns estudos, o ser humano consegue lembrar de até 45% dos cheiros e de até 100 mil aromas que sentiu. O produto à venda não precisa estar relacionado diretamente à degustação para haver a necessidade de trabalhar o olfato como meio de chamar a atenção do consumidor. As marcas já apostam em branding olfativo, seja nas lojas ou nos produtos físicos, como em sapatos, roupas, carro novo, massinhas de modelar etc. Em muitos casos, o cheiro acaba por representar a marca com tanta propriedade que, mesmo sem o uso de outros sentidos, o consumidor consegue reconhecer qual marca está à sua frente ou até mesmo identificar se o produto é verdadeiro ou falsificado através cheiro.

Apesar da baixa efetiva utilização dessa estratégia no mercado (se compararmos à visão e à audição), o branding olfativo já surtiu efeitos positivos em ambientes que antigamente eram usados apenas para propagandas tradicionais. Um exemplo interessante citado por Lindström no seu livro Brand Sense, conta sobre duas marcas que ousaram dentro do cinema: quando seus anúncios passavam, as suas respectivas fragrâncias exalavam no ambiente, sendo que uma das empresas comprovou a efetividade da ação através de uma pesquisa, que resultou em aumento de 515% de lembrança da marca para as pessoas que estavam presentes no cinema.

O grande diferencial desse sentido está no fato de que raramente ele passará despercebido pelo consumidor, através da respiração o odor sempre chama a atenção e mantém o cérebro ativo ao que está acontecendo à sua volta. Já a visão e a audição, dependendo da circunstância, saem prejudicadas pela poluição sensorial do ambiente. Nesse sentido, a saída pela estratégia do branding olfativo pode ser decisiva para um bom desempenho de vendas. O desafio está lançado, mas, para isso, é preciso criatividade.

E aí, quais marcas você consegue identificar de olhos, boca e ouvidos tapados?

banner clique
The following two tabs change content below.
Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.