Como membros de um grupo, acreditamos ser mais agradável estar em concordância – ser uma parte positiva – ao invés de ser uma força de ruptura, mesmo que seja necessária para melhorar a eficácia das decisões. O pensamento grupal não é um mecanismo de supressão de dissidências, mas uma forma do grupo proteger sua imagem positiva e fortalecer suas convicções.

Alguma vez você já sentiu vontade de falar em uma reunião, aula ou grupo informal e acabou desistindo? Talvez por timidez ou quem sabe foi mais uma vítima do pensamento coletivo, um fenômeno que ocorre quando os membros de um grupo estão tão preocupados em conseguir concordância que as normas para o consenso passam por cima da avaliação realista das alternativas e da possibilidade de expressão dos pontos de vista conflitantes, minoritários ou impopulares.

A tomada de decisão fazendo uso do processo coletivo evidencia algumas condições que são inerentes a essa prática, tendo como um dos pontos positivos a capacidade de gerar informações e explorar conhecimentos mais completos, oferecendo uma maior diversidade de pontos de vista. Em contraponto existe muita pressão para a conformidade dentro do grupo, uma vez que a discussão pode ser dominada por um indivíduo ou até mesmo por um subgrupo.

Talvez a questão mais ambígua dentro desse formato de processo decisório tenha relação com responsabilidades. Decisões coletivas ao mesmo tempo que promovem uma consciência e um comprometimento dificultam as atribuições de responsabilidades sobre a execução e o alcance  de resultados. No entanto, sabe-se que a tomada de decisão sempre será um problema complexo recheado de riscos e imprecisões. A controvérsia continua ao ponderarmos se decisões em grupo sempre terão mais chances de êxito do que aquelas impostas por uma úncia pessoa!

Dentre os aspectos positivos nesse contexto, parece que a coesão de idéias proporcionada por esse modelo decisório coletivo, tem uma função importante ao influenciar o nível de produtividade do grupo. Uma vez que haja concordância entre o maior número de membros a respeito de soluções para determinada situação ou problema, a tendência é que os processos adquiram uma fluência natural e progressiva sem a necessidade de intervenções regulares para readequação. Convergências pontuais sempre existirão, no entanto acabam por não comprometer as atividades gerais em virtude desses arranjos já pré-determinados pela equipe.

Confesso que fortaleci as atribuições positivas dos processos de decisão em grupo propositalmente. Busco abordar frequentemente a respeito de gestão inovadora, líderes inspiradores, a importância do compartilhamento e especialmente a necessidade de valorizar o capital humano dentro das empresas. Acredito que qualquer processo que negligencie essas premissas representa um retrocesso  em termos de cultura organizacional. Já é tempo de potencializar as competências, valorizar habilidades, incentivar o colaborativismo a inteligência coletiva, iniciar ciclos virtuosos através da expansão de ideias e da mudança de comportamentos. Já é tempo!

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Marta Maciel

Graduada em Marketing, trabalha há dez anos na área comercial de shopping no segmento de varejo de moda. Acredita fortemente que o conhecimento e as soluções inovadoras serão válidos somente se compartilhados com todos.