O avanço tecnológico permitiu a ampliação da ramificação de negócios na rede que se beneficiam deste canal para comercializar produtos e serviços. O Marketplace chegou ao Brasil por volta de 2012- com exceção do Mercado Livre que já operava desde 1990 – com a proposta de oferecer um modelo de negócios capaz de conectar clientes e fornecedores de forma direta, sem intermediários. Este modelo de comércio eletrônico, ou loja virtual, funciona de modo similar a um shopping center no ambiente físico. Se trata de um espaço disponível não somente para e-commerce já em operação mas também para distribuidores, fabricantes e lojas físicas ou fornecedores de serviços, podendo representar a estreia online desses negócios.

Conceito One Stop Shop

Um cenário perfeito, com vantagens para o consumidor para o lojista e para o operador do marketplace. Vende o conceito One Stop Shop- um só balcão em tradução literal- onde são encontrados uma variedade gigante de produtos, facilidade de compra e publicidade abundante e quase gratuita aos proprietários das lojas virtuais. Para os operadores do marketplace a vantagem maior é não se envolver com gerenciamento de estoque e frete de produtos, cabendo intermediar as transações financeiras em troca de uma comissão sobre o valor das vendas de cada lojista.

Aumento de tráfego e visibilidade da marca

Os dois pontos mais atraentes para o lojista dentro de um marketplace, são o tráfego e a quantidade de produtos que podem circular diariamente na plataforma. O aumento considerável da visibilidade da loja virtual e dos produtos justifica a afirmação de que o gasto com publicidade é quase nenhum, uma vez que para alcançar uma demanda semelhante fora do marketplace ou numa loja física o gasto de tempo e as despesas com marketing aumentariam consideravelmente os custos do negócio.

Naturalmente é necessário fazer um bom estudo de viabilidade, ponderando prós e contras antes de tomar uma decisão definitiva.

A escolha da plataforma é um fator de risco

Mas será mesmo um cenário perfeito? Aqui, como em todo modelo de negócio, existem riscos e desafios. O fundamental é estabelecer parâmetros que possam guiar o candidato a Seller – termo utilizado para designar o vendedor (lojista) dentro do marketplace. A escolha da plataforma correta é decisiva para o negócio, conhecer o público-alvo dos produtos é imprescindível já que existem dezenas dessas plataformas especializadas em um determinado nicho. Outro aspecto relevante é o valor da comissão cobrada pelo marketplace que pode variar entre 9,5% e 30% (essas porcentagens podem variar ainda mais). Essa variação é justificada pela taxa de liquidez do marketplace – baseada na maturidade e na capacidade de gerar vendas da plataforma – e pelas diferentes opções de visibilidade que o lojista pode escolher para se diferenciar dentro da plataforma, como tipo de anúncio, perfil de loja, público-alvo, etc.

Boa gestão e segurança ao cliente são diferenciais de sucesso

Outros aspectos essenciais dizem respeito à gestão do negócio. Excelente atendimento – aqui cabe  ressaltar que toda parte de atendimento ao consumidor e pós-venda fica sob responsabilidade do lojista, uma vez que cabe à plataforma somente intermediar as transações entre as partes. Administração de estoque competente, logística eficaz, boas referências no mercado – empresas  com avaliação positiva através do E-bit e Reclame Aqui, por exemplo, se tornam mais atraentes aos clientes. Investir em segurança também é diferencial. Apresentar certificado digital como SSL, que  cria um canal criptografado entre servidor e navegador, a fim de garantir a transmissão de dados de forma sigilosa e selos de segurança como o da Site Blindado também são fatores de destaque.

O desempenho no marketplace serve de parâmetro para avaliar o potencial de um negócio online

Estima-se que os marketplaces são responsáveis por 20% das vendas totais realizadas pelo e-commerce no Brasil. Essa porcentagem sobe para 33% nos Estados Unidos e atinge um pico de 90% na China. Existe uma grande concentração de investimentos nessa área por parte de grandes empresas varejistas como Walmart, Dafiti, Netshoes, B2W (que reúne Submarino, Americanas, ShopTime e Sou Barato), Cnova (Ponto Frio, Casas Bahia, Extra e Cdiscount), Elo7, KanuiLivraria Saraiva (que tem como um dos parceiros a Imaginarium) entre outros. Optar pela   presença online dentro de um marketplace pode servir de termômetro para avaliar o potencial de uma loja virtual. Tendo em vista que a infraestrutura necessária para começar um e-commerce do zero demanda alto investimento em tempo e dinheiro talvez seja uma opção a considerar. Uma vez que o empreendedor alcance sucesso por lá, muito provavelmente terá condições de escalar as operações para um canal próprio. Tudo vai depender de um bom planejamento e uma avaliação de risco realista.

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Marta Maciel

Graduada em Marketing, trabalha há dez anos na área comercial de shopping no segmento de varejo de moda. Acredita fortemente que o conhecimento e as soluções inovadoras serão válidos somente se compartilhados com todos.