O cheiro da mãe, o gosto de leite, o barulho da casa, o raio de luz, o toque do pai. Não necessariamente nessa mesma ordem, mas, desde pequeno, o ser humano já desenvolve os cinco sentidos e é capaz de perceber tudo de diversas maneiras. Estudos comprovam que na barriga da mãe os cinco sentidos do bebê já funcionam, de forma direta (a audição, a visão, o paladar e o olfato) e indireta (o tato). Portanto, desde muito cedo os sentidos influenciam a vida das pessoas, tendo, assim, total importância na construção do ser. Dentre os sentidos existentes, um dos primeiros a serem utilizados na comunicação e também o mais empregado pela área de Marketing é a visão.

A exploração da visão no Marketing Sensorial

Antes mesmo de existir uma linguagem clara entre as tribos, gestos e desenhos eram feitos para representar diversos significados. Ou seja, foi a partir da visão que o ser humano teve a possibilidade de começar a se comunicar. A comunicação entre os homens evoluiu muito com o surgimento da fala. Mas, mesmo assim, a comunicação através da visão não foi extinta, ao contrário, foi sendo cada vez mais utilizada. Com o desenvolvimento da sociedade e da comunicação, aqueles pequenos sinais nas paredes viraram incontáveis banners, luminosos, cartazes, displays, outdoors, placas e os mais diversos tipos de materiais visuais por todas as partes. A poluição visual chegou a um ponto tão extremo que causou incômodo em alguns lugares. Em uma pesquisa realizada pelo IBOPE concluiu-se que a poluição visual em São Paulo tornou-se um grande problema para as pessoas: 86% dos entrevistados entendem que a cidade é muito poluída visualmente. E ficou claro para todos que tudo isso vem do excesso de todo tipo de publicidade (legal ou ilegal).

Atualmente, o investimento em comunicação voltada para o apelo visual é tão grande que praticamente já não há mais onde inovar, as ações se repetem, os locais ficam cada vez mais parecidos e as estratégias visuais já não têm o mesmo efeito de antigamente. Portanto, é claro que atualmente nossa visão é superestimulada, como nunca ocorreu antes na história, porém, paradoxalmente, esse efeito parece ter um resultado contrário. Ao invés de sermos impactados pelas chamadas publicitárias nas ruas, cada vez mais elas passam despercebidas em meio a tantas outras. Desta forma, quanto mais estimulados somos, mais difícil fica para conseguir chamar nossa atenção.

No livro Brand Sense, Martin Lindstrom conta sobre uma estudo realizado para a 20th Century Fox que media a atividade elétrica cerebral e os movimentos dos olhos das pessoas em resposta a anúncios publicitários que eram colocados dentro de um jogo de videogame. “Durante um passeio virtual através de Paris, os voluntários viram anúncios em outdoors, abrigos de ponto de ônibus e nos lados dos ônibus para ver o que melhor teria a sua atenção. Os resultados: nenhum deles. Os pesquisadores descobriram que toda a saturação visual resultou apenas em olhos vidrados, e não em vendas mais elevadas.”

Nessa conjuntura, há um desequilíbrio do uso dos cinco sentidos nas estratégias de Marketing. O uso da visão é o que se encontra mais saturado. Apesar de a audição estar sempre mais presente no rádio e na televisão, junto à visão, a força emocional que outros sentidos pode provocar no comportamento do consumidor nunca foram amplamente aproveitados.

Neste conteúdo falamos um pouco sobre a exploração da visão no Marketing Sensorial e seus impactos na sociedade e, para o próximo artigo, falaremos sobre o tato e sua influência no comportamento humano. Até breve!

banner clique
The following two tabs change content below.
Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.