Imaginem um cenário em que seria lucrativo para as empresas não usarem energias que poluam o meio ambiente? Que a preocupação com o planeta não fosse só um fator de ética, mas um fator estratégico que gera lucro. O que pode parecer utópico, segundo o Fórum Econômico Mundial é um cenário real a partir de 2017.

Não é de hoje que especialistas e órgãos internacionais de saúde nos alertam sobre como o ser humano prejudica o planeta com a exploração de recursos, uso e queima de combustíveis fósseis e as consequências ambientais.

Segundo o Banco Mundial, o carvão e gás são responsáveis atualmente por 62% da produção de energia do mundo. Porém, hoje, em alguns países, incluindo o Brasil foi atingido o chamado ponto de inflexão.

Inflexão: o caminho para o verde

Inflexão é o ponto que permite a troca da energia suja, que polui, como gasolina e gás natural pelas energias verdes e sustentáveis, como eólica e solar. Com isso, o impacto ao meio ambiente diminui, melhorando a qualidade do ar e de saúde.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, em 30 países, incluindo o Brasil, o custo de produção de energias limpas é igual ou menor ao preço dos combustíveis fósseis. O que isso quer dizer? No Brasil e em diversos países do mundo, para produzir energia eólica e solar, gasta-se menos do que com carvão e gás.

O custo de produção de energia solar há dez anos era de U$ 600 o megawatt/hora. Em 2016, o custo sofreu queda e está a menos de U$ 100 megawatt/hora, onde atingiu o ponto de inflexão. Em alguns países, o custo da energia eólica chegou em US$ 50 o megawatt/hora.

Sustentabilidade como fator de lucratividade

Com o custo da energia verde menor que o custo dos combustíveis fósseis, a luta contra as mudanças climáticas deixou de ser algo somente ético e moral e se tornou estratégia de lucros para as empresas, uma vez que a redução de custos pode gerar aumento nos lucros, que são sempre bem-vindos dentro da gestão.

O WEF (Fórum Econômico Mundial) projeta que dois terços dos países do mundo vão chegar no ponto de inflexão em 2020. Um futuro não tão distante.

Segundo levantamento da International Energy Agency (IEA), a mudança ocorreu sem subsídios, ao contrário da indústria de combustíveis fósseis, que receberam US$ 493 bilhões em 2014.

A queda nos preços das energias limpas é atribuída ao menor custo de implementação e compra de equipamentos e pelo aumento das políticas energéticas por parte dos governos.

No Brasil, o BNDES investiu mais de R$ 155 bilhões em financiamento para mais de 700 iniciativas de energias renováveis. Já na China, o investimento na tecnologia foi de US$ 103 bilhões. Maior que o investimento dos EUA, Reino Unido e Japão juntos. E no Chile, a empresa SolarPack fez um acordo para oferecer energia solar por apenas US$ 29,1 megawatt/hora, cerca de 60% mais barato do que uma nova usina de gás natural.

Comportamento de consumo e o mundo das marcas

Existem fatores socioculturais que também podemos atrelar com esse novo cenário. Segundo estudos de Francesco Morace e Kotler nos livros Consumo Autoral e Marketing 3.0 respectivamente, o consumidor moderno com a ferramenta da internet está hiperconectado e exigente. Fator que aumentou sua visão crítica com as marcas. Não só com o valor dos produtos e atendimento, mas com o compromisso da marca na sociedade como um todo. Isso faz com que marcas que não respeitem o meio ambiente, por exemplo, sejam alvo de críticas nas redes sociais, podendo até perder valor de investimento e crescimento.

Contudo, antes dos pontos de inflexão, já era notável a mudança de postura das marcas em relação a sociedade e seus problemas, como as mudanças climáticas. Porém, com essa mudança de cenário trazido pelo Fórum Econômico Mundial, além de gerar valor perante a sociedade e investidores, as marcas poderão reduzir custos e aumentar seus lucros. Dentro dessa linha de raciocínio, o consumidor e o planeta ganham também. É o que Kotler diz eu seu livro sobre o marketing se tornar mais humanizado e holístico. Não por motivos morais, mas por motivos estratégicos.

Mudança gradual

Com todo o cenário e visão otimista, não podemos esperar que as mudanças ocorram da noite para o dia. Muito menos supor que o mundo das marcas agora é um mundo mágico e benfeitor. Mas o relatório do WEF nos mostra uma alternativa viável e lucrativa para que a humanidade pare de poluir o meio ambiente e ser insustentável com os recursos do planeta. Já para o mundo das marcas, cada vez mais precisarão estar antenadas com as mudanças não só ambientais, mas socioculturais. O mundo muda e as estratégias se adaptam.

Fontes de pesquisa: Starse, Época e HyperScience.

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Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.