O trocadilho no título desse artigo não poderia fazer mais sentido na relação com o dito original “a voz do povo é a voz de Deus”, usado para caracterizar aprovação suprema de uma opinião da maioria. Não que o fator social “meme” seja o soberano do Universo (longe disso), mas a multiplicação massiva de uma unidade de informação igual possui grande poder no desenvolvimento cultural da nossa sociedade, sendo um fenômeno altamente quisto pelas marcas hoje em dia. E é disso que falaremos.

Para nos alinharmos, já que meu objetivo aqui é refletir sobre comunicação, vamos tratar meme, neste artigo, como qualquer informação que se propaga rapidamente pela internet, tendo interação e engajamento popular.

É importante ressaltar que o estudo da memética, atrelado às teorias de evolução, busca respostas sobre a relação dos genes com os memes, que seriam vírus mentais propagadores de ideias a partir de unidades de informação altamente mutáveis (imitações).

Seja pela definição científica ou pelo sentido em nosso artigo, memetizar uma determinada informação é um fenômeno atrelado às pessoas, porque é delas que nasce a vontade e o engajamento pela multiplicação. E, claro, as marcas querem pegar carona para ter esse momento interativo e se aproximar de seus públicos de uma forma sem igual.

Ao tentar criar ou se aproveitar de um meme, uma marca gera uma informação altamente capaz de ser replicada e multiplicada, porque sua relevância faz sentido às pessoas, já que recebem a informação de uma forma diferente, normalmente com nostalgia, humor, sarcasmo ou curiosidade. Esse sentido é tão próximo do seu consciente, inconsciente e tudo que a mente é capaz de produzir que, “automaticamente”, quer propagar essa ideia, contaminando mais pessoas, que podem se identificar e se engajar com a mesma informação. E o fenômeno da viralização concebe o meme. Que faz com que haja viralização. E assim por diante.

Não é tarefa fácil ter sucesso na criação de um meme ou mesmo se dar bem aproveitando algo do momento, e é tendência que as marcas queiram se apropriar cada vez mais dessas oportunidades que a internet, velozmente, nos dá.

Porém, sugiro atenção a 3 verticais, para que sua marca não se envergonhe em rede nacional.

Relevância – É muito difícil saber o que é relevante para muita gente, ao mesmo tempo, mas grandes fenômenos sociais e culturais, que abrangem massivamente as pessoas, devem ser observados e estudados para serem aproveitados. Ferramentas de monitoramento e análises em redes sociais podem ajudar a saber os assuntos do momento. Transformá-los é seu desafio.

Timing – É o grande vilão das marcas que querem memetizar algo. Há sempre um momento certo para se apropriar de um meme. Nem antes e nem depois do seu momento oportuno, que é o auge do poder de multiplicação e engajamento das pessoas sobre tal informação. A sensibilidade, o olhar e o feeling para o “trending topics” são decisivos.

Criatividade Decisiva no processo de memetização, principalmente no ringue das marcas. Para se destacar, é preciso ter criatividade, para aliar a proposta original da mensagem a elementos atrelados ao universo da marca ou criar seu próprio engajamento, gerando identificação, sem perder a espontaneidade da mensagem.

Todos os caminhos têm foco no comportamento das pessoas. É para elas que comunicamos, portanto, são elas que precisamos conhecer. Ao passo que vejo marcas tentando se apropriar de um meme ou viralizar algo, percebo seu distanciamento dos seus clientes, em comportamentos decadentes.

Uma informação só viraliza porque alguém compartilha. Só vira meme porque pessoas se engajam e querem compartilhar também. Sabedoria popular não tem preço e é essa voz que as marcas precisam conquistar.

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)