“As pessoas escolhem ver a feiura do mundo. Eu escolho ver a beleza.”

(Atenção: o texto pode conter um pouco de spoilers!)

Uma das protagonistas da série Westworld, Dolores, começa seus argumentos sob esta perspectiva: de escolher outro olhar sobre as dificuldades e o que é desprezado, desvalorizado e dito como “ruim”. Mas é uma ótica falsa, já que ela, na verdade, não é um ser humano em sua plenitude (o que abre debate para outros assuntos). São os discursos da ditadura da beleza e cultura da imagem. O que quero expor, junto a esta fala da personagem e a premissa tecnológica da série, é que o digital está invadindo o convívio das pessoas, através de empresas como a sua, por exemplo. (Fica a dica de leitura do texto “Black Mirror e a imagem da minha empresa”).

É interessante notar que a história começa ser contada pelo olhar dela, e depois, descobrimos que nem tudo é o que parece.

A série trabalha através de “Narrativas”. Já aí percebemos a brilhante ideia de relação com nossa vida: as histórias que criamos e a que são criadas para nós. Os arquétipos são bem alinhados e configurados. Fica fácil a percepção de cada um. Eu e você, como público olhando em uma visão macro, conseguimos discernir (ou não – pausa para o grande choque de season finale) as vertentes e sacadas. A pluralidade de ideias e escolhas. A era digital nos proporciona isso: possibilidades.

O parque temático da série, criado pelo megalomaníaco Dr. Robert Ford (Anthony Hopkings), é o pano de fundo para as mais diversas áreas e esferas de atuação profissional. É como se o parque fosse o nosso mundo, e nele, estão inseridos os medos, anseios, desejos, sentidos, razões pelas quais vivemos ou idealizamos.

A inteligência artificial explorada na série é tão primorosa e bela que nos faz pensar em nossa existência. E nos lembrar que não somos artificiais! Embora muito do trivial e supérfluo seja explorado no meio digital. A ambientação é curiosa: o típico deserto faroeste norte-americano. Os mistérios rios que o interior reserva. No nosso cotidiano digital observamos isso, as velhas lutas travadas, a mesmice e marasmo de inovações.

São as contradições que muitas empresas acabam caindo. Esse limbo acrítico e formatado.

A administração e equipe criativa do parque manipula todos os comportamentos das personagens, tornando o que deveria ser surpresa em previsibilidade. Tudo parece ser perfeito e do jeito que o público deseja. Nós fazemos isso. Nós manipulamos a nossa audiência em nossas mídias sociais em detrimento do que queremos ou achamos ser o melhor. Fazemos do nosso jeito sem ver consequências dos atos.

A era digital não é nova, tão pouco boba. Ela é consciente e inovadora. Mas, se a persuasão for de cunho egoísta e vaidosa, não há resultados. Na verdade, há sim, resultados imediatos e inflados, mas a médio e longo prazo, não traz benefício institucional e humanitário. Os exemplos são muitos; fanpages que, na corrida por métricas altas, não respeitam o leitor e lesam sua credibilidade enquanto marca.

Existem limites?

Westworld diz que não. Por lá tudo é possível – desde que bem arquitetado pelos Roteiristas do parque, pela equipe de Comportamento e Executivos Financeiros. Em nosso mundo, por muitos terem seus limites impostos e suas liberdades censuradas, extrapolam na tentativa de se imporem e argumentarem. Tornam suas verdades únicas. De um extremo ao outro. Novamente, trago exemplos de fanpages vivendo em função do sofrimento, bullying e repressão.

Mas é possível alcançar autonomia na criação. É possível ser livre para criar sem ferir o outro. O capitalismo junto à Revolução Industrial trouxe certa inércia de coletividade, parceria, independência e liberdade de expressão. Mas é possível.

Descurta páginas desnecessárias. Apegue-se à quem você é em sua essência. Crie sem preocupar com expectativas. Viva seu próprio mundo sem manipulação e opressão.

Okay, não é fácil. Empreender nunca foi. Só que você já parou pra pensar no tanto de positividade que o mundo nos dá? Busque inspiração na arte, cultura, meio ambiente, religião, amigos. No amor. Quando entendemos o amor, as resoluções se tornam mais leves. A era digital não precisa ser toda regida por aquela ou essa empresa, mas pelo seu amor em fazer bem a você, seu negócio e ao outro. Na série, o amor norteia a linha das narrativas.

Westworld traz diálogos de comportamento, empreendedorismo, tecnologia, design, arte, filosofia e psicologia. A série é rica em vários quesitos, desde direção à produção. Existem algumas teorias a respeito dos elementos de cada episódio. O plot é enigmático, assim como a gente. Há muito o que conversarmos, mas fico por aqui nesta reflexão. Obrigado por ler e até o próximo texto!

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Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo meu segundo e-book. Entusiasta no estudo e análise do comportamento. Fascinado em toda forma de arte. Não vivo sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. www.arthurbarbosa.com | @arthiebarbosa