É muito difícil entrar em uma empresa que não possui problemas no desempenho das vendas. Normalmente, esse é o principal desafio das corporações, frente um mercado cada vez mais competitivo e concorrido.

Acontece que a líquida economia provoca altos e baixos no desempenho dos segmentos, mas fazendo com que alguns mercados mantenham-se sempre aquecidos, graças a uma demanda altamente volumosa. É possível notar isso nos setores da alimentação, educação e saúde, por exemplo.

Nesses mercados, normalmente, encontramos empresas que se estagnam, mascaradas pelo crescente gráfico das vendas. E isso não é paradoxal. Eu explico.

Dentro de um nicho aquecido, o volume do giro de negócios entre oferta e demanda é alto, e as empresas que entram na onda crescente de faturamento são as que começam a correr mais riscos de um cenário nebuloso.

É muito comum ver empresas com alto poder de faturamento esquecendo-se de olhar para sua própria gestão, organização e dia a dia.

O abandono de lideranças e o olho fechado para sua própria realidade é o ponto de partida para tempos ruins. Nessas empresas, é comum notar problemas de gestão, que implicam em burocratização de processos, como meio para evitar a desordem, distanciamento das diretrizes estratégicas das táticas-operacionais, provocando desalinhamentos com os tomadores de decisão, que empacam em atitudes, além de confusões no cotidiano de trabalho e problemas de entrega.

Paralelamente, algumas empresas com rotina tradicional continuam fazendo o que sempre fizeram, acreditando que tudo continuará dando certo, mesmo frente às rápidas e diversas mudanças comportamentais em nossa sociedade. Ao passo que os resultados começam a ficar ruins, relutam em olhar para dentro de si e reavaliar sua entrega, preferindo tapar o sol com a peneira ao arriscar em mudanças.

Nesse momento, é preciso humildade para reconhecer aquilo que precisará ser melhorado. A resistência ao novo é a pior inimiga dos gestores que não conseguem olhar mais para o futuro. Por isso, cercar-se de conhecedores e especialistas, mas estar aberto a ouvi-los, é o primeiro passo para a evolução. Infelizmente, ainda convivemos com gestores que se blindam e apostam apenas em sua crença.

Nesses mercados aquecidos, a ilusão de um departamento comercial altamente produtivo não pode ser provocadora de tempos ruins. Gestor que olha para o futuro aproveita a época das vacas gordas para estruturar ainda mais seu negócio, sabendo que no dia de amanhã tudo pode mudar e que basta um desvio de olhar para um descontrole de gestão.

Para isso, é necessário jogar a peneira fora, porque tapar o sol com ela é não olhar para detalhes que podem ser impactantes para o desenvolvimento saudável do negocio.

banner clique
The following two tabs change content below.

Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)