Quem trabalha na área de Marketing tem o grande desafio de fazer uma comunicação não violenta e realizar um trabalho para gerar resultado. A verdade é que estamos todos cansados da publicidade violenta, que afeta alguém negativamente e, ao mesmo tempo, somos cobrados por resultados agressivos. Por isso, vale a pena avaliar se o seu trabalho está colaborando para a cultura da violência, criando inimizades, ou conflitos, por aí. De acordo com Marshall Rosenberg, autor do livro “Comunicação Não Violenta”, alguns fatores fazem com que uma comunicação seja considerada violenta, entre eles podemos citar a falta de empatia e a presença de um caráter julgador em quem está se comunicando.

Como esses fatores estão presentes na comunicação publicitária e de que forma podemos evitá-los? Confira abaixo.

Empatia e a Comunicação Não Violenta

A empatia permite nos conectarmos profundamente às necessidades do outro e, assim, compreender o real significado da sua comunicação. E quando falamos de Comunicação Não Violenta (CNV), não se trata apenas em ter empatia para com os outros, mas também em poder desenvolver a empatia para si mesmo. Para uma marca, por exemplo, o mesmo conceito pode ser adotado: a marca precisa entender para conseguir transparecer a sua real essência ao seu público, ao mesmo tempo em que a marca precisa entender a real necessidade dele. Portanto, se a sua empresa começar a vender uma ideia ou produto que não corresponde à necessidade do público, a primeira resposta que ela terá é a rejeição dele. Nesse caso, o problema pode estar diretamente ligado ao fato da empresa não conseguir expressar seus desejos e promessas da melhor forma, ou simplesmente não criar um produto enxergando a real necessidade do seu público.

Uma coisa é fato, hoje em dia não adianta mais tentar vender algo sem empatia. É preciso ter consciência dos seus próprios sentimentos e das emoções mais profundas de seus clientes, além de entender o que eles realmente querem.

“A coisa mais importante na comunicação é ouvir o que não está sendo dito.” – Peter Drucke

Julgamento e a Comunicação Não Violenta

Muitas vezes, o julgamento pode ter sua origem na falta de empatia, ou seja, quando há dificuldade de entender o sentimento da pessoa por trás de sua fala. Isso acontece facilmente no mundo do marketing, onde rótulos de grupos de pessoas são criados e se mantém por incontáveis anos como estratégias de comunicação. As propagandas machistas e outras que não respeitam os sentimentos e necessidades de outras pessoas, por exemplo, estão cada vez mais desaparecendo. Isso é apenas um sinal de que a Comunicação Violenta não é mais bem-vinda.

É claro que ainda restam aquelas empresas que insistem nos estereótipos antigos e rótulos pré-formatados, ou então focam na crítica para o seu concorrente ao invés de focar em si próprio (na política isso é ainda mais comum). Entretanto, as empresas que adotam a postura do julgamento e crítica, ao invés de representarem os seus valores, acabam demonstrando suas fraquezas e inseguranças. A maioria das empresas que agem agressivamente utilizam a violência na comunicação para ganhar uma falsa confiança e esconder o medo de perder a autoridade. Para obter sucesso contínuo em uma comunicação, a necessidade de uma pessoa ou empresa precisa ser exposta de modo que represente seus devidos valores e não em forma de julgamento, crítica ou agressão.

Para aprofundar ainda mais essa reflexão, selecionei algumas frases de Marshall Rosenberg, que também corroboram esta forma de como a Comunicação Não Violenta pode refletir no Marketing. Espero que goste!

“Quando julgamos os outros, contribuímos para a violência.”

“O medo da punição diminui a auto-estima e a boa vontade.”

“Quanto mais falamos sobre o passado, menos nos curamos a partir dele.”

“Empatia promove a capacidade de ponderar a dor de outra pessoa.”

“Culpar e punir os outros são expressões superficiais de raiva.”

“Crítica, análise e insultos são expressões trágicas de necessidades não atendidas.”

“Sempre escute o que as pessoas precisam, e não o que elas estão pensando sobre nós.”

“Quando compreendemos as necessidades que motivam o nosso próprio comportamento e de outros, não temos inimigos.”

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.

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