Há pouco tempo escrevi o texto “A Reconstrução do meu Currículo”. Por lá, conversamos como você pode preparar a sua apresentação e currículo em um papel ou e-mail. Sugiro a leitura. (E vou fazer mais um adendo: além da indicação do site em fazer currículos online personalizados, o Canva é outra ótima plataforma neste segmento). Hoje, quero pontuar a preparação à apresentação pessoal. Não há fórmulas mágicas ou sacadas de sucesso, viu? Há originalidade e espontaneidade. Você precisa traduzir em sua expressão corporal e comunicação verbal quem você é. Sua identidade. Nada mais do que isto.

Falando desta forma pode soar fácil e despretensioso, mas é importante lembrarmos dos detalhes. E o primeiro – como já introduzido – é seu autoconhecimento. Ter domínio de si, conhecer-se e entender seus limites é primordial para a apresentação.

Vamos lá, se eu te perguntar agora: “defina-se em três palavras?”, o que você me responderia? Para te ajudar um pouco neste exercício, pegue um papel em caneta e tente anotar cinco defeitos e cinco qualidades. Depois, cinco coisas que os outros falam/acham de você. Difícil, não é? Prossigamos.

Para combater a ansiedade vale a dica de beber algum chá 1 hora antes e fazer bons alongamentos para se acalmar.

Lembre de chegar com antecedência. Se oferecerem água, aceite. Entre um gole e outro, você se acalma e pode refletir um pouco antes de responder a uma pergunta. Enquanto aguarda, evite mascar chicletes, roer unhas e olhar o relógio excessivamente. Os candidatos podem estar sendo observados pelas câmeras da sala de espera.

Existem as perguntas clichês que você provavelmente pode se esbarrar por aí:

“- Conte-me mais sobre você?”

É uma pergunta direta e simples. E não é uma conversa de mesa de bar, onde você expõe seus dramas, crises, fracassos… mas uma conversa em tom profissional. Então, fale sua idade, sua formação, onde se formou, o porquê da escolha daquele ou deste curso, experiências e habilidades. (Monte um textozinho em casa para que você consiga “decorar” a ordem das coisas e ensaiar as pausas: pontos e vírgulas. Porque é importante manter a calma e não sair correndo, atropelando as palavras).

“- Por que você está interessado nesta vaga/por que devemos contratá-lo?”

Lembra da Carta de Apresentação do texto anterior? Aqui você pode replica-la oralmente, dizendo quais as suas habilidades para aquele cargo. O que o empregador pode esperar que você faça. E claro, O SEU DIFERENCIAL: é importante expor algo que você possa trazer de diferente, inovador e criativo.

“- Fale-me do seu trabalho anterior.”

Ética. Respeito. Independentemente do que houve, mantenha esta linha de pensamento em suas palavras. Tenha cuidado para não falar mal do seu ex-chefe ou ex-colegas de trabalho. Lembre-se: sua postura e argumentos estão constantemente sendo observados. O seu senso empático, apaziguador e analítico será levado em consideração de uma maneira tão grande que você não faz ideia! E seja transparente: se foi demitido com justa causa, fale. Honestidade é melhor que mentira.

Existem muitas outras perguntas que você pode estudar, mas elas irão variar de acordo com cada vaga. Estude a história da empresa, o comportamento adotado por lá e as rotinas.

Vale o grande lembrete de estuda-las também em outro idioma (o inglês, por exemplo, por ser o mais exigido). Tente responder estas mesmas perguntas em inglês ou seu idioma de fluência. Mesmo em nível básico ou intermediário, algumas empresas podem solicitar que você “tire a prova real” na hora da entrevista para saber se de fato você sabe pelo menos alguma coisa naquela língua. Pela internet, você encontra vários sites e vídeos com perguntas específicas em inglês – e como respondê-las. Não custa nada dar uma olhada.

Procure não exagerar no perfume, pois o entrevistador pode ser alérgico. E tenha atenção com a sua aparência – cabelos e unhas limpos e bem cuidados, por exemplo. Em segmentos mais formais como os administrativos, vale estar com a barba feita e usar maquiagem e acessórios discretos. A roupa adequada pode variar de acordo com o estilo da empresa e da vaga – algumas são mais despojadas (por isso a importância de fazer um breve estudo do local e a escolha das palavras).

Se estiver preocupado com sua voz, um simples aquecimento vocal (pauta para outro texto) seguidos de muita maçã e água, podem resolver. Sobre os aquecimentos, se você gastar alguns minutinhos pesquisando irá achar vários deles para sua dicção, articulação, utilização da língua e consciência corporal. Os vocalizes ajudam estabilizar e equilibrar seu timbre, para que sua voz não saia tão trêmula por conta do nervosismo. O humming, mastigando o [m] já ajuda.

Por fim, lembre-se que seu corpo é o que mais fala. Segundo a pesquisa da CONSULPAM, pelo psicólogo Albert Melhabaian (EUA), seu corpo influência 71% da ação – o restante fica com a voz. Não tem jeito, treine na frente do espelho. Observe seus lábios, a projeção da língua e mandíbula, seu olhar, os trejeitos, as mãos, sua posição na cadeira, tudo! Evite os braços cruzados e tente fazer mais contato visual com o entrevistador. Não é para ser um robozinho, mas ponderar e manter certo equilíbrio em sua postura.

Sorria! Sorria bastante. Sorria muito. Sorria em todo tempo. Mesmo. Não tenha vergonha. Sorria! Aproveite o momento. Não precisa ser tenso ou complicado. Descomplique!

Tudo isto não deve passar de quinze-vinte minutos (a média de uma entrevista). Ah, não esqueça da cópia do seu currículo impresso em mãos e boa sorte!

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Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo meu segundo e-book. Entusiasta no estudo e análise do comportamento. Fascinado em toda forma de arte. Não vivo sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. www.arthurbarbosa.com | @arthiebarbosa