Os planejamentos estratégicos precisam estar alinhados à técnica – dentro do seu nicho de trabalho, certo? Enquanto você está se preparando para iniciar uma startup, um projeto, uma criação ou um produto, sua atenção intrinsecamente está em obter o melhor resultado. Ou talvez, o melhor faturamento. Afinal, esta postura faz parte da visão empreendedora e visionária de qualquer um. Não há erro em pensar na pós produção e o retorno que irá alcançar. Mas voltemos no planejamento: não seria interessante pontuarmos por lá a atenção que precisamos ter ao relacionamento – seja com cliente, funcionário e até com você mesmo?

Às vezes sinto bater na mesma tecla, conversando sobre as relações interpessoais e o comportamento que adquirimos diante de certos acontecimentos. Mas aí, o audiovisual traz em seus exemplos a constante urgência de dialogarmos sobre isto. Como é o caso da série “Black Mirror”. A forma/jeito/meio como você lida com a sua vida e a tecnologia que o cerca, influenciará em seu trabalho e os relacionamentos a sua volta. Aliás, estes relacionamentos podem sim prejudicar ou não o seu trabalho.

A forma/jeito/meio como você vê o outro pode ser um caminho para você influenciar tantos outros através do seu trabalho. São os julgamentos que fazemos com nós mesmos e com o outro indivíduo.

Mesmo com certa dificuldade em categorizar a série, sabemos que ela está permeada de não-ficção, ficção científica, terror, suspense, drama até o romance – porque nós somos seres que tendem romantizar tudo, não é mesmo? Os argumentos tecnológicos e comportamentais passeiam pelos episódios com narrativas distintas, mas homogêneas. Mesmo que cada episódio traga um plot e cast diferente, a ambientação e discursos estão juntos e ligados no roteiro. Por aqui, não vou conversar contigo sobre a produção, mas essa “brincadeira” proposital em passear com o enredo entre o que é real e ficcional, ou o que pode vir a ser realidade, é um destaque que observamos em muitos outros lugares também. Inclusive, você nem precisa assistir toda a série para compreender nossa conversa neste texto.

Talvez, dialogar sobre “Black Mirror” é falar sobre como a sociedade se tornou escrava da tecnologia. Cada episódio aborda um aspecto diferente desse vício, e a forma como todas as interações, reações e atitudes se adaptaram à era digital, levada ao extremo na série, só que ainda em uma esfera crível. São várias metáforas para traduzir nossa vida. Nosso Tempo. Nosso futuro?

“Nossa isso é tão Black Mirror.”

Mas precisa mesmo ver a série para perceber o óbvio e enxergar o inevitável?

Antes da série você não dava a mínima. Depois da série, você se tornou o maior observador do seu ciclo social, com argumentos prévios e menos reducionistas. Mas veja, com tamanha veracidade e senso real que a série traz, sua preocupação não pode (ou não deveria) ser um fascínio, uma atração ou alegoria.
Isto é reflexo de uma sociedade (ou Tempo) que – ao contrário do que a grande massa esmagadora acha -, não está conectada.

Não está conectada com o outro. Com si mesma.

Deixe retificar: de fato, é um equívoco pensar que não estamos sendo observados. Mas, o maior equívoco é não valorizar e compreender que preciso observar o outro; a mim mesmo.

O fascínio humano com o sofrimento alheio no piloto, por exemplo, traz o reflexo do que podemos observar nos relacionamentos.

É curioso e triste ao mesmo tempo. Existia vida para ser notada antes “Black Mirror”. Existe vida para ser notada hoje. A série é apenas um ensaio sendo desconstruído. É mais uma anedota que merece sim atenção, mas sem o sensacionalismo pretensioso.

Não deveria ser motivo de brincadeira ou ser apenas um meme que daqui uns dias ninguém mais se lembra.

Quando for trabalhar com os posts nas plataformas das mídias sociais, tente se colocar em uma posição empática. Pense o que o outro pode achar e sentir ao ler e ver sua imagem, mensagem ou vídeo. Um erro muito comum nas empresas hoje ao adotarem uma postura digital é abusar dos memes atuais em favor de sua imagem.

Primeiro, pense em você como empresa e o que sua equipe tem feito para valorizar – ou não – o próximo. Depois, cuide da exposição feita nas mídias com ética, relevância dentro do seu público-alvo e coerência no que está se propondo (essa palavra que muitos se esquecem: coerência). Por fim, como visto na série, estamos constantemente sendo assistidos. Então, por que não tirar algum proveito disto? Invista mais tempo em análise e cuidado emocional da sua equipe para que esta esteja, pelo menos, consciente de quem é.

Identidade. Trabalhe em cima do conceito desta preciosa palavra e você terá uma equipe sadia, transparente e segura de si. Sabe o que seria bacana? Fazer “sessões” ou “entrevistas”, ou “encontros” (me ajude a encontrar a palavra certa), como uma mesa redonda, levantando questões morais, sociais, culturais e filosóficas junto às pessoas que trabalham contigo. O que é certo e errado para eles? Somos maus ou podemos ser maus? Em qual(s) verdade(s) eles acreditam? Quais influências adotaram para a rotina? O que é essencial para nós?

Você terá um dossiê fascinante em mãos de cada um e do grupo. Irá conseguir discernir conflitos. Certamente descobrirá talentos ocultos. E a importância da humanização e respeito um com o outro. Talvez, você não irá gostar ou aceitar o que ouviu, mas aprenderá a respeitar – e isto, meu querido, é o grande lance para o tal do sucesso que tantos falam.

Todos possuímos um “espelho negro distorcido”. Precisamos vencer o nosso medo e insegurança e encarar nossos próprios espelhos. E então, continuar. Existem outras duas séries muito pertinentes e oportunas que quero conversar contigo em outras ocasiões. Fica a sugestão: “Humans” e “Westworld”. Nos vemos nos próximos textos!

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa