Pois é, volta e meia você precisa revisar seu currículo: corrigindo, acrescentando ou removendo alguma informação. O seu – até então -, primeiro cartão de visita antes de uma entrevista, precisa receber a devida atenção aos elementos nele estruturados. Seu currículo pode ser a porta de entrada e o start para um futuro mais belo ainda. Talvez, dentre tantas opções, você não foi selecionado para aquela vaga por não ter seu currículo preenchido de forma adequada. Lembre-se: o recrutador ainda não te conhece pessoalmente e este papel enviado (ou documento feito em um processador de texto por e-mail) será o início da construção das impressões, especulações, elogios e críticas.

Não importa em qual área você atua ou pretende estar. Há muita injustiça e desvalorização. E ainda, falta de informação. Infelizmente, os detalhes passam batidos e custam muito.

Diante de algumas dúvidas que tenho observado e que me foram apontadas por alguns alunos, quero conversar contigo alguns tópicos importantes – por mais que você já esteja ciente. Sempre vale a pena rever, não é mesmo?

Primeiro, suponhamos que você irá optar pelo método tradicional e usar algum processador de texto para redigi-lo e edita-lo (o bom e velho Microsoft Office Word, por exemplo), tenha em mente já a priori uma formatação padrão: não abuse de fontes e tamanhos diferentes. As tradicionais “Arial” e “Times New Roman” já satisfazem. Quanto ao tamanho, pode habituar-se ao 12 (trazendo um pouco das normas ABNT). Espaçamento simples e alinhamento justificado. Margens moderadas e layout A4. Mas, lembre-se que não há regra na escolha destes elementos. Você pode ficar livre. A grande questão é não abusar e tornar seu documento formal em um carro alegórico de tantos enfeites.

Você já sabe, mas vale retificar: não é para “encher linguiça” e colocar(inventar) tudo. Seja objetivo e sincero. Os recrutadores já estão avaliando seu comportamento pelo o que escreve e como escreve.

Levando-se em consideração que você precisa preencher seu currículo de acordo com a vaga pretendida (Sim! Não é para você expor todas as suas experiências e formações de uma vez só!), perceba:

  1. SUAS INFORMAÇÕES PESSOAIS. Não se esqueça de inserir no topo seu nome completo, idade, endereço e telefone(s) para contato. Vale expor também seu estado civil. Quanto ao e-mail, muito cuidado com o seu nome de usuário! Isto é levado em consideração sim por recrutadores. Se seu e-mail for daqueles com muitas letras, hifens, números a apelidos, sugiro fazer outro mais simplificado. Pode não ser uma boa impressão.
    Ainda neste tópico, não há erros em colocar seu @ de alguma mídia social, justamente por hoje estarmos muito mais conectados. Mas, lembre-se: como está seu comportamento nas mídias? O que tem postado? Como está sua foto de perfil? O recrutador, se quiser, pode te stalkear e não gostar do que for visto. Por isso, o mais interessante é você colocar o link do seu LinkedIn que, inclusive, é onde estarão todas as outras informações profissionais que não estão inseridas neste currículo específico. ;)
  2. FOTO. Não é obrigatório, mas muito considerável. Opte pela 3×4 (eu sei, essas são terríveis), mas é o formato padrão. A não ser que esteja se candidatando para um trabalho artístico com portfólio e book fotográfico, escolha uma foto simples, com boa iluminação e de preferência com fundo branco. Evite selfies! Preste atenção na sua roupa: muito chamativa? Muitos Acessórios?
  3. OBJETIVO/RESUMO. É interessante, após suas informações pessoais, conduzir o recrutador com um breve texto sobre o que você almeja, espera ou deseja para sua carreira e para aquela vaga, diante de suas habilidades. É uma síntese. Poucas palavras. Não é para fazer textão. “Possuo qualificações nos campos… Tenho reconhecimento em… Meu objetivo é aperfeiçoar tais habilidades, exercendo aquelas funções, realizando estas competências, que irão me proporcionar estes resultados…” e por aí vai. Neste campo você pode deixar explícito se está disponível para viagens ou se possui carteira de habilitação, se o cargo exigir.
  4. FORMAÇÃO ACADÊMIA. Possui algum bacharel? É aqui que você expõe. Não tem diploma superior? Coloque o ensino fundamental/médio. Mas, em todas as formações, não se esqueça do nome do curso, da instituição de ensino e o ano de conclusão. (Se ainda estiver em curso, coloque “cursando” entre parênteses.).
  5. CURSOS E CERTIFICADOS. Vale o mesmo por aqui também: nome do curso, da instituição e ano de conclusão. Estes geralmente são em prazos menores do que um bacharel, então você também pode expressar colocando a carga horária ou o período de duração (1 semana, três meses, etc.).
  6. EXPERIÊNCIAS. O que você já fez até aqui (e que esteja dentro da proposta da vaga que está se candidatando). Escreva o nome do cargo que ocupou, a instituição ou empresa e o período que exerceu tal função. Se tiver espaço, uma breve descrição do que você fez pode clarear a mente do recrutador. É autônomo ou freelancer? Não há problemas. Especifique desta forma, e em poucas palavras, qual sua ocupação.
  7. IDIOMAS. Tópico muito importante. “Ah mas eu só falo português mesmo.”. Ótimo! Você colocará “Português Nativo”. Nas demais línguas, especifique o seu nível: básico, intermediário, avançado ou fluente. Cuidado! Em alguns casos – como já aconteceu comigo -, a moça do RH me fez perguntas em inglês porque viu meu nível exposto no currículo!
  8. HABILIDADES. Não se faz muito obrigatório, uma vez que você já está conversando sobre elas no seu resumo (objetivo), formações e experiências. Mas, se julgar necessário pontuar algumas habilidades – pessoais e profissionais -, seja cauteloso nas escolhas.
  9. VOLUNTARIADO. Uma das cartas curingas. Se achar relevante à vaga que está se candidatando (e se possuir experiências como voluntário, claro!), conte um pouco das causas que apoia e ajuda.
  10. FRASES DE EFEITO. Tem gente que as coloca no rodapé ou ao final da última informação. Não sei se é válido. Se sua proposta e áreas for relacionada à escrita, filosofica, humanas e seu currículo não possuir muitos tópicos, okay. Mas, se já estiver cheio de palavras, acho melhor não, para não gerar uma possível poluição visual. As frases de efeito são boas, mas com moderação e inseridas corretamente, como nas mídias por exemplo.

E a Carta de Apresentação? Ela não é obrigatória e a empresa irá especificar se precisar. E o que ela é, de fato? É aquele “resumo” do currículo mais elaborado. Na Carta, você /conversa/ com o recrutador e conta a ele de forma elaborada o porquê deve ser contratado. Quais as suas experiências e qualidades para aquela vaga. Quais habilidades podem trazer benefício para empresa. Trata-se de uma “pré-entrevista”, onde você demonstra seu conhecimento técnico sobre o assunto. Nela, você deve citar a empresa, nomes das pessoas responsáveis e informações de cunho individual e específico. Hoje pela internet, você encontra vários modelos para tomar como base. Vale lembrar que, a mesma formatação que adotar no currículo, deve desenvolver aqui também.

Preencheu tudo o que estava proposto? Vamos revisar! Erros ortográficos, gramaticais e de digitação são muito comuns. Se lá em cima, nas primeiras linhas você já fazer uma pontuação errada, bem provável que o recrutador passe para o próximo candidato.

Tem que ter sentido! E neste sentido, coesão. Não precisa usar palavras bonitas ou tão difíceis, mas os sinônimos podem te ajudar no contexto para não se tornar muito repetitivo.

O mais correto seria você imprimir e entregar em mãos. E para isto, algumas observações: imprima em um papel com espessura um pouco melhor do que uma folha ofício. Coloque dentro de um envelope (sem dobrar!) e entregue pessoalmente à pessoa responsável (e não a qualquer funcionário) – já ouvi relatos de pessoas que deixaram currículos em lojas nas mãos de vendedores e estes foram parar no lixo ou no fundo de uma gaveta. Se isto não for possível, dada as circunstancias de distância por exemplo, tenha certeza de que o e-mail esteja correto. Chame o responsável pelo nome, se souber. Faça as saudações formais, seja simpático e direto ao ponto!

Em muitos e-mails, é solicitado que você informe sua pretensão salarial. Se você está perdido nesta informação, consulte o piso salarial daquele cargo. (Você encontra em vários sites). Geralmente, os que pedem para enviar o currículo via e-mail, já pedem que especifiquem a vaga no Assunto. Caso isto não aconteça, não escreva um título de e-mail muito extenso. Seja também direto aqui. Termine com um “atenciosamente” ou “cordialmente” e sua assinatura.

Voltando às formatações de layout, hoje você pode fugir do padrão colocado. Existem muitos modelos de currículos online com design diferenciado para download e você fazer as devidas alterações. O site Novo Currículo, por exemplo, é um ótimo lugar gratuito para escolher um modelo. Se você manja das artes nos softwares de manipulação de imagem, pode elaborar algo único, minimalista e criativo.

Um último adendo: e os muitos sites de currículos online? Quais escolher? Valem a pena? O LinkedIn já é uma excelente plataforma. Sugiro explorar por lá. Além dele, talvez um outro site geral, como o Vagas.com também pode ser uma boa pedida. Mas só. Não precisa sair se cadastrando em tudo não. Vale a pena por muitas empresas já estarem cadastradas nestes sites, tornando o processo mais otimizado e prático.

Agora é enviar e torcer. Enquanto isso, você já pode ir se preparando para a entrevista. As perguntas clichês que possivelmente irão te fazer (não só em português, como em outro idioma também.), a roupa que irá usar e sua linguagem corporal. Mas este assunto já é pauta para outro texto. E será um prazer te dar estes insights. Espero ter clareado um pouco seu dia ou noite por aí com estas breves dicas. Esse mundo profissional não é fácil mesmo e as vezes muito injusto, intolerante e ríspido. Mas, podemos quebrar algumas barreiras e ultrapassar com profissionalismo, empatia, educação e bom humor.

Boa sorte e até o próximo texto!

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. www.arthurbarbosa.com | @arthiebarbosa