A pesquisa de opinião de mercado da forma como a conhecemos está com seus dias contados. Faço essa afirmação sem nenhuma pretensão de ser uma vidente, mas por perceber que os resultados que alcançamos estão longe de atender a demanda real do mercado.

O assunto abordado no texto anterior trouxe uma lista das razões para que o posicionamento acima tenha mais sentido, ao elencar as situações do mercado e os desafios dos profissionais de marketing na era atual.

Esta que é tratada também como a segunda era das máquinas, traz um momento de transformação que exige um olhar constante capaz de lidar com o novo e vontade de aprender sempre.

Este olhar requer disposição para enxergar além do que está, posto como óbvio e aponta para o certo e exato, e assim é consolidado pelo desprendimento das respostas prontas.

O ser humano precisa aprender a extrair o melhor da tecnologia e com ela tecer e ampliar as entregas necessárias para uma demanda cada vez mais exigente. Pois, enquanto estamos na posição de clientes queremos receber todo valor possível das marcas a tempo e hora que julgamos serem as mais importantes.

Na posição de gestores de marcas precisamos notar que existe nessa relação um extremo que é o reflexo da busca  por  valor sólido da marca, mas com uma relação de consumo efêmera.

Por esse motivo é preciso mais do que as pesquisas de opinião de mercado estão conseguindo entregar.

O ser humano no centro das ações, permeado por um contexto de internet das coisas, big data e legislação.

O ser humano busca intensidade na experiência de compra proporcionada por valores em sua maioria intangíveis e, por outro lado, não oferece uma devolutiva que, ao encontrar isso numa marca será fiel a ela.

Passou o tempo que o cliente comprava um carro por motivos como: essa é a marca que minha família sempre adquiriu de automóvel.

Isto reforça que já é hora de termos respaldo para elaboração de um planejamento de marketing pautado na tecnologia, capaz de talvez solucionar questões complexas como:

  • Você  sempre acorda com o mesmo pensamento do dia anterior?
  •  Acredita que consegue de forma rápida descrever quais são seus valores sólidos?
  • Saberia indicar qual opinião tem mais facilidade em mudar?
  • Como fornece informações pessoais na rede? É sincero no preenchimento de formulários e não tem restrição de disponibilizar seus dados?

Diante desses questionamentos, é comum buscar compreender se de fato os rastros deixados na rede possibilitam o alcance correto de um material capaz de despertar desejos e comunicar com os consumidores.

A resposta pode estar na percepção que temos da internet em nossa vida!

Assim, a internet criada para atender a uma demanda específica de comunicação militar conectou por muito tempo apenas as máquinas.

Atualmente estamos habituados a perceber a internet como uma rede de conexão de pessoas e comunidades, e o próximo passo é termos a internet das coisas em nosso cotidiano, que é exatamente conectar os mais diferentes objetos e utensílios a rede e fatidicamente a nós.

Isto significa que com a internet das coisas será possível traçar diferentes formas de comunicação entre consumidor e produto. Imagine agora a amplitude de possibilidades de fazermos a melhores campanhas publicitárias, e atendermos os desejos dos clientes dentro de uma realidade nunca antes vivida.

Os mais otimistas podem afirmar que este é então o fim da necessidade das pesquisas de opinião de mercado, onerosas e muitas vezes falhas, visto que teremos subsídios tecnológicos que nos respaldam acerca dos desejos mais íntimos do nosso público alvo.

Concordo com essa linha de pensamento, mas é imprescindível considerar que ainda será necessário aprendermos e transformarmos muitos conceitos tanto na esfera pública como na privada para alcançarmos essa meta, e, sobretudo entendermos cada vez mais sobre o ser humano.

Embora o big data com sua extraordinária capacidade de armazenar dados já esteja realizando um papel fundamental na forma como a comunicação tem tomado suas formas, este necessita ainda de uma atenção ao correlacionar às informações com situações futura.

E por qual motivo isso acontece?

Os computadores são facilmente programados para dar respostas, mas estas dependem de formulações das perguntas que são frutos da atividade e capacidade humana.

Portanto, ainda que tenhamos acesso aos mais variados dados, precisamos entender de comportamento humano para que possamos desenvolver os melhores questionamentos para o sistema de dados.

O que muda nesse caso é a fonte de extração desses dados.

A legislação ainda caminha em passos lentos, mas em 2015 já se planejava que a comunicação máquina a máquina (M2M) e a Internet das Coisas no Brasil iria ganhar um plano nacional.  Dessa forma, entende-se que o governo federal já trabalha na elaboração de uma política específica para o setor, por meio de uma câmara de gestão que reúne representantes do governo e da iniciativa privada.

Os consumidores estão conectados, os dados estão sendo gerados, mas agora precisamos lidar com situações como privacidade e bom uso das informações para transformamos dados em entregas de valor.

No próximo texto vamos pensar e refletir sobre: Comunicação e a Inteligência Artificial.  Até lá!

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.

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