A tecnologia da informação passa por uma fase bem interessante. Com a possibilidade de integração de diversas bases de dados (de um CRM até dados de uma DMP), o big data vem ganhando admiradores em empresas dos mais diversos segmentos de atuação. Em tese, esse tipo de informações, quando bem trabalhadas, de fato pode trazer grandes resultados para uma empresa, mas uma coisa é certa: ter em mãos toda essa infraestrutura gera um custo operacional que não é para qualquer um. Prova disso é o estudo da Forbes que revelou que apenas 18% das pequenas empresas e 57% das organizações de médio e grande porte utilizam soluções em Analytics.

Atualmente, os pequenos negócios respondem por mais de um quarto do nosso PIB. Juntas, as cerca de 9 milhões de micro e pequenas empresas no país representam 27% do PIB. Embora possa parecer um número significativo, sabemos que no dia a dia muitas dessas empresas não conseguem destinar parte do seu faturamento para investimentos em marketing, tecnologia ou até treinamento de mão de obra.

Diante desses pontos extremos um novo termo começa a ganhar visibilidade. E agora, atende às “necessidades” do MEI (Micro Empreendedor Individual) ao grande varejista. É o Small Data.

O nosso dia a dia, quando paramos para analisar, é feito de pequenos dados, informações ou conversas que passam despercebido aos nosso olhos. São detalhes que podem mudar os nossos planos e a até mesmo a nossa vida.

O Small Data, em tese, é isso: observações comportamentais aparentemente insignificantes, mas que contêm atributos muito específicos que apontam para uma necessidade do cliente que ainda não foi satisfeita. De acordo com Martin Lindstrom, é a base para romper ideias ou formas habituais de manutenção da marca, potencializando uma reviravolta em seu modelo de negócios.

Ele não visa uma mineração e análise de dados em dashboards com “gráficos de pizzas” para o pequeno volume de informação do seu negócio, mas, sim, estimular um olhar mais sensitivo aos detalhes ao seu redor, desde como um tênis descoberto na casa de um garoto de onze anos influenciou uma reestruturação na marca Lego, até como as selfies abriram caminho para uma revolução no ambiente de uma loja. O baixo volume de dados também se torna um fator positivo para interpretação e análise das informações coletadas, sem, obrigatoriamente ter uma equipe dedicada para isso.

Para te ajudar a entender melhor e colocar em prática um pouco deste conceito, separei 5 dicas:

  1. Analise o comportamento do cliente dentro do seu site/estabelecimento: o seu cliente encontra fácil o que procura; se sente confortável no ambiente; faz muitas perguntas ou já é bem recebido por algum atendente; vai embora satisfeito ou descontente com algo; já chega bem informado o que quer ou é bem indeciso e precisa de recomendações; permanece por muito ou pouco tempo (e por que?); qual tipo de emoção e experiência você tem proporcionado; etc.
  1. Faça pesquisas de satisfação: Embora as tradicionais urnas na boca do caixa nunca esteja cheia, quando alguém se dispõe a deixar alguma sugestão ou critica, é porque de fato ela deseja uma melhoria e pode estar te abrindo os olhos para problemas internos que você nunca percebeu ou tomou conhecimento antes. Se o seu negócio for digital, faça essa pesquisa para consumidores através de e-mail marketing ou em uma área no seu site;
  1. Dê ouvido às reclamações pessoais, por e-mail, rede social, etc.: Assim como nas pesquisas de satisfação, as reclamações, além de serem tratadas de maneira que resolva o problema da melhor maneira possível, serve como insights do que houve de errado e se isso é algo rotineiro e como atuar em cima disso;
  1. O que o seu público-alvo faz fora do seu site/estabelecimento: Não é uma questão de monitorar a privacidade alheia, mas entender quais os seus hábitos para que sua marca possa estar mais presente no dia a dia das pessoas de forma positiva, seja antecipando uma tendência de consumo ou até se preparando para a retirar de um produto ou serviço de circulação por uma “mudança tecnológica”, por exemplo;
  1. Analise o histórico de compra e veja se há padrão de consumo, assim você pode prever a próxima compra de pessoas “parecidas” e antecipar essa etapa oferecendo promoções para aumentar o volume de vendas.

Como disse anteriormente, essas foram apenas algumas dicas para exercitar esta nova maneira de trabalhar com poucas pistas. É importante ressaltar que não existe melhor ou pior entre essas duas formas de gerenciamento de dados (Big Data ou Small Data). Ambas devem ser usadas em uma empresa a fim de obter todos os indicativos que revelem a saúde da empresa, mas cada uma dedicada à sua especialidade.

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Douglas Martineli

Publicitário e Consultor de Marketing Digital a mais de 5 anos no mercado de comunicação. Especialista em "E-commerce para pequenas empresas" pela ComSchool, reconhecido pela ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) e também certificado pelo Google e Rock Content em temas co-relacionados. Atualmente é responsável pelo departamento de marketing e mídia online da Art Rock Camisetas.