Ao acordar, imagine-se estar incapaz de conseguir pensar no que vai fazer do seu dia. Imagine, ainda, não conseguir planejar ou saber o que vai acontecer em sua vida na próxima semana. Caos, não é mesmo?

Certamente, quando não há algum raciocínio de futuro, não há como estabelecer um presente saudável. Essa situação acontece com as empresas e está atrelada à sua visão.

A visão de uma organização dita o caminho que ela deve percorrer ao longo do tempo, e estabelece o modo de realização das atividades cotidianas que, somadas, apontam para a mesma direção. Por isso, está completamente ligada ao seu futuro, e mais do que estar escrita, precisa ser entendida e estar impregnada na postura da empresa e dos seus colaboradores, sendo a linha mestra que conduzirá sua evolução.

Não ter visão significa não olhar para o futuro. Não se preocupar com o que se deve realizar hoje visando um resultado de longo prazo. E isso é muito comum. Na verdade, a maior parte das empresas escreve visões lindas e poéticas, mas esquece que sua utilização vai muito além de um parágrafo e que sonhos mal construídos atrapalham sua evolução. Listei 5 sintomas da falta de visão de uma empresa, que devem ser trabalhados imediatamente se ela deseja crescer, e não apenas sobreviver.

Crise de identidade

A visão de uma empresa é sua diretriz estratégica. Deve ser pensada no início de todos os processos de um negócio. Se não sei para onde eu quero ir ou onde devo chegar, qualquer caminho serve. E esse é um grave problema que assola as empresas e provoca os questionamentos típicos de uma crise de identidade.

A falta de planejamento deixa um negócio inconsistente, que até pode sobreviver e prosperar durante um tempo, mas não se desenvolverá com solidez, estando completamente vulnerável a ter sérias e graves crises, porque os questionamentos típicos de uma crise de identidade tendem a ser mais frequentes. Se há dificuldades ao responder as questões abaixo ou há conflitos nos resultados de cada uma delas, está na hora de rever seu planejamento ou, ainda, construí-lo, atrelando-o a uma visão de futuro.

  • Quem sou eu? Quem quero/devo ser?
  • O que quero/devo fazer?
  • Para quem quero/devo entregar? Como?
  • Quando/em quanto tempo? Por que?
  • Estou fazendo da forma correta?
  • Qual meu sonho? Se eu deixar de existir, o que meus clientes perdem?
  • Como chegarei até lá?

Incoerência no senso de prioridades

Certamente, a falta de planejamento provoca muitos outros problemas, dentro de uma bola de neve de acontecimentos desenfreados. Um item que reparo com frequência é o senso de prioridade das empresas. Abraçar oportunidades sem estudar, sem analisar e canalizar esforços no que não interferirá no resultado final de um negócio é estar desalinhado com sua visão, se é que ela existe de fato. Focar no que não importa, no que não gera resultados ou não compõe uma estratégia maior que gera resultados significa ser incoerente, dentro de um senso de prioridades que deveria estar alinhado com os reais e verdadeiros objetivos do negócio. Por isso, é importante defini-los e conhece-los de verdade, praticando a coerência e investindo (tempo, força e dinheiro) no que, de fato, fará a diferença.

Dificuldades nas tomadas de decisão

Tem sido cada vez mais lento o processo de tomadas de decisão dentro das empresas. Se não há visão e olhar de futuro, não há um alinhamento correto na atmosfera organizacional. Se não há alinhamento, as tomadas de decisão empacam, porque o senso de prioridade não é o mesmo para os decisores, que raciocinam com vieses diferentes e perdem tempo com discussões incoerentes, tornando o processo de tomada de decisão uma verdadeira e infundada epopeia, sem pé nem cabeça. Quando há caminhos claros e um objetivo muito maior em comum, com papeis bem definidos dentro de uma empresa, é possível anular essa dificuldade.

Quando os gestores não inspiram

Naturalmente, torna-se impossível ser um líder inspirador quando não há um sonho comum entre sua vida e seu negócio (não gosto de separar profissional do pessoal, mas a reflexão, aqui, se faz necessária). Quando um líder passa a ser engolido pela sua operação e perde a capacidade estratégica, ou ainda deixa de fazer parte da vida da empresa, enfiando-se na falsa sensação de que poderá conduzir tudo dos bastidores porque seu timming já passou, certamente deixa de inspirar seus colaboradores, provocando um efeito cascata ligado ao desempenho da empresa. Ter uma visão empresarial diferente dos seus propósitos pessoais de vida é um desafio que pode atrapalhar o clima e a experiência organizacional. Quando há similaridade e compatibilidade entre os sonhos pessoais e empresariais, ou seja, um futuro que dita o presente (visão), há mais facilidade para um líder conduzir a empresa, sendo a referência que seus liderados precisam para atuar com a mesma intensidade, em busca dos mesmos objetivos.

Só ROI é o que importa

As empresas que ainda pensam assim, certamente se esqueceram de olhar para fora, ou seja, para as evoluções dos modelos da economia e do comportamento do consumidor, em todas as suas escalas. Logo, provavelmente, não têm visão ou não atualizaram seu sonho e perspectivas de futuro, gerando dificuldades até mesmo para sobreviverem no presente. Quem só olha para retorno sobre investimentos, ou seja, para números, esquece ou não sabe que os maiores indicadores de avaliação de uma empresa, hoje, consideram seus ativos intangíveis (suas marcas e experiências). A consequência é que vão continuar raciocinando com uma mentalidade incompatível com as novas demandas do mercado, trabalhando guiados por uma visão ultrapassada (se existir), que tende a atrapalhar e prejudicar a evolução da empresa.

Fonte da imagem em destaque: http://bit.ly/2exsmhL

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)