Não adianta livros, artigos científicos, teses de mestrado e muito menos doutorado. Que me perdoem os doutores, mas a maior escola ou universidade, continua sendo a vida.

Hoje, às vezes tenho disso, não quero falar de números, teorias ou dicas de como fazer ou o que não fazer.

Quero compartilhar uma deliciosa e sábia história que andei vivendo.

Como todos sabem: “São tempos difíceis para os sonhadores” e cafés e restaurantes sempre estão precisando de pessoas para trabalhar. São horas e horas servindo cafés, cervejas, sucos, ouvindo o choro das crianças, o reclamar dos velhos, a televisão, a música, a máquina de lavar louça, varrendo o chão, limpando uma mesa e sorrindo.

Mas Sabrina, o que você tira de lição trabalhando em um café? Tudo. Além da paciência claro.

Existe exemplo melhor de atendimento e vivência mais verdadeira do que o  olho no olho?

Vivemos em uma era de telefones, e-mails e Whatsapp. O olho no olho acontece em reuniões periódicas, com data e horário marcado, onde todo mundo põe uma roupa “um pouco” mais formal, passa uma maquiagem “mais discreta” e vai feliz, como se tudo estivesse correndo nos conformes (mesmo que todas as demandas estejam atrasadas).

No café você não tem como trocar de roupa (Semixiqué), aliás se você for muito desastrado como eu, ficará sujo bem cedo e passará o dia todo na sua forma mais original e sem desculpas. E não pense que você lembrará de levar uma nova peça todos os dias. Não acontece, quase nunca!

No café aprendemos a ser nós por fora e por dentro!

As crianças vão ficar horas fazendo hora com você para no fim escolher um chiclete. Paciência, você terá clientes assim, feito crianças. Que nunca sabem o que querem e no fim escolhem o mais barato ou o que realmente não precisam. Chiclete!

Há os velhos! Me perdoem os velhos pela minha forma tão sincera de dizer, mas saibam que é com carinho e muito respeito.

Mas é claro, eles querem atenção, uma alma ali “parada”, apenas andando dentro do bar servindo cafés, claro, ela está ali pra conversar. Você precisa treinar seus ouvidos.

Temos uma péssima mania, e isso inclui criativos, atendimentos, mídias, boss e meros mortais. Todo mundo quer fazer curso para aprender a falar em público e a se posicionar melhor perante as pessoas, mas nunca vi curso que ensina as pessoas a ouvirem. Se souberem de um, façam-me o favor indicar!

A idade na maioria das vezes vem acompanhada de sabedoria e experiências de vida. Provavelmente virão acompanhadas de muita conversa sobre a vizinha, mas filtre. Aliás está aí um novo ensinamento “café escola”, filtrar o que se ouve, digerir o necessário e aplicar o que foi bom.

Outra lição que anotei: Você fará a mesma coisa várias vezes e em nenhuma delas sairá igual ou perfeito.

Deixa eu detalhar aqui uma coisa. Em Portugal, onde vivo e onde experimentei o “café escola”, existe um curioso hábito. Normalmente antes e depois do almoço, as pessoas vão tomar café aos bares e clubes esportivos das terríolas, e não é às vezes, é praticamente todos os dias, depois do almoço e do jantar. E é café de máquina, estilo italiano.

No mesmo dia posso fazer a conta de uns 100 cafés tirados da máquina, absolutamente nenhum saiu igual ou perfeito.

Atendimento aprenda, o café do cliente não é igual ao café que você quer vender ao cliente, ou será igual ao café que ele imaginou.

Às vezes eles esperam demais, às vezes de menos. Às vezes pedem errado, às vezes (muitas vezes) te esperam tirar o café como ele quer, sem nenhuma orientação. Como se dentre tantos clientes, você tivesse a obrigação de decorar como ele quer o café (e às vezes “até” tem, eu sei).

Mas acima de tudo, nunca deixe um cliente te desrespeitar ou exigir de você mais do que suas obrigações ou competências permitem.

Sabemos bem, dizer não para um cliente é complicado. No café, na agência, numa loja ou em uma empresa. Mas eles precisam ouvir.

O dinheiro não pode pagar tudo e isso vale para uma demanda que um cliente pediu, mas você como profissional sabe que ele não precisa.

É como uma pessoa que chega ao café com muita sede e aparentemente passando mal e ao invés de lhe oferecer água, ofereço vodka, só por que ela pediu.  Imagina quanta ousadia dizer não para um cliente dessa maneira?

Por vezes necessário.

E não aceite ser acordado às 5 da manhã, quando as luzes do café se fecham, eu viro Sabrina namorada, filha, amiga… a Sabrina funcionária só volta amanhã.

Paciência, vai tirando os cafés, prestando atenção nos pedidos, quando bater dúvida anota, quando forem muitos, pede pra esperar.

Café tirado muito rápido e sem atenção não costuma ficar bom ou até transborda se você não voltar à tempo de desligar.

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.