Você provavelmente deve estar cansado de receber tantos e-mails diariamente. Quando abrimos a caixa de entrada com centenas de e-mails recebidos, percebemos que grande parte deles vem de empresas querendo vender o seu produto ou enviando algum conteúdo de caráter mais promocional do que educativo. Isso não seria um grande problema, não fosse o fato de que, no meio de todos esses e-mails, há empresas captando seu contato sem sua autorização, ou seja, praticando o ato de spamming.

Engano seu pensar que todos fazem isso de forma pensada, pois muitas empresas, na verdade, nem percebem que estão enviando spam. Diante de tantas reclamações de amigos e vendo o quanto isso ainda é um problema, resolvi escrever esse artigo, para explicar o que é o spam e quais são os principais cuidados que as empresas precisam ter na criação de uma lista de e-mails.

O que é o spam

Apesar de estarmos falando sobre e-mail, qualquer tipo de mensagem eletrônica enviada sem o consentimento do destinatário, seja via celular ou aplicativos, é considerada spam. Além disso, mesmo que os contatos tenham oferecido seus dados de livre e espontânea vontade, dependendo da maneira que a empresa construir suas mensagens, elas poderão também ser consideradas spam.

 Por que é importante tomar cuidado

Além de ter a tranquilidade de estar atuando de forma legal no mercado, quando você tem conhecimento das melhores práticas anti-spam, você evita que a imagem da sua empresa seja prejudicada.

Imagine então, se sua empresa está praticando spam e nem sabe que isso está ocorrendo…Isso acontece com muitas pessoas, afinal, estima-se que pelo menos 50% dos e-mails enviados hoje em todo o Brasil são spam.

 Garanta que seu e-mail seja lido, comece evitando o spam

  1. Nunca aceite listas de outras empresas sem checar a origem do mailing

Você está apenas começando seu negócio e não tem nenhum mailing. De repente, algum amigo ou parceiro oferece uma lista e você aceita rapidamente. Isso é bem comum no mundo corporativo, mas, além de estar praticando um ato imoral, você pode prejudicar a qualidade de envio dos e-mails e acabar caindo na caixa de spam da maioria dos destinatários, ou seja, quase ninguém vai ler sua mensagem.

Dica: Se precisa de mais leads de forma rápida, crie um conteúdo em parceria com algum profissional ou empresa que esteja alinhado ao seu negócio e, aí sim, obtenha os leads que preencherem o formulário para baixar esse material.

  1. Nunca compre listas que forneçam o endereço de pessoas que não autorizaram receber seus e-mails.

Apesar de tudo, infelizmente você ainda encontra no mercado empresas que vendem listas com e-mails de terceiros sem a devida autorização destes. Não é porque alguém está vendendo essa lista que isto seja autorizado para uso.

Dica: Se você for comprar uma lista, compre de sites autorizados, como, por exemplo, o Serasa Experience, que oferece uma listagem de empresas por segmentos, de acordo com seu negócio. Faça um trabalho de estudo dessas empresas e entre em contato com elas para pedir os e-mails das pessoas que você deseja enviar algum conteúdo. De preferência, tenha uma estratégia para realizar essas ligações, ofereça sempre algo em troca desse contato.

  1. Não confie nas suas próprias listas

Listas antigas demais ou retiradas de algum banco de dados da empresa também podem ser um tiro no escuro e acabar fazendo o seu e-mail parar na lista de spam dos provedores – você estará, nesse caso, na famosa blacklist. Mesmo que essa lista seja sua, fique atento ao preenchimento dos e-mails e faça uma análise geral dos cadastrados. Veja, por exemplo, quantos e-mails estão com vírgulas no lugar de pontos, sem arroba, com acentuação ou são simplesmente cadastros que nunca existiram.

Dica: se ainda ficar em dúvida sobre a qualidade dos e-mails que você tem, antes de enviar pela sua ferramenta de envio oficial, teste esse envio em outras empresas que fornecem esse serviço gratuitamente. O MailChimp, por exemplo, envia um número limitado de e-mails gratuitamente e bloqueará o seu envio se ele não tiver a qualidade desejada para não ser considerada Spam. Assim, você evita entrar na blacklist pela sua ferramenta oficial.

Caso queira conferir se o domínio da sua empresa já caiu em uma blacklist, o portal Mxtoolbox oferece esse serviço gratuitamente.

Essas são só algumas dicas básicas de cuidado para não cair na armadilha do spam e manter sua empresa com uma boa imagem. Além de tudo isso, você terá uma maior garantia de qualidade de envio e alcançará mais facilmente uma taxa alta de abertura de e-mails (entre 15 e 25%).

Sabemos o quanto o fim de spam é utópico diante da falta de controle que temos hoje sobre as ações que acontecem no mundo on-line. De qualquer forma, nunca é tarde para começar a utilizar e divulgar cada vez mais as boas práticas.

Para conhecer todas as boas práticas acesse o Código de ética antispam.

Saiba também como funciona as regras de SPAM perante a legislação brasileira

As pesquisas na internet sobre o assunto dificilmente esclarecem o que realmente está valendo dentro da lei para quem pratica spamming. Por isso, contatei exclusivamente para esse conteúdo um especialista no assunto. Veja o que foi relatado a respeito disso e fique por dentro:

“Muitos projetos de lei foram apresentados para tipificar a conduta como crime, porém, todos foram arquivados. Assim, não há nenhuma legislação específica em relação ao tema. Diversas pessoas ingressaram com ações judiciais pleiteando dano moral pelo recebimento de spam. Em alguns processos, os juízes entenderam que a prática do spam configura dano moral com base no Código de Defesa do Consumidor (lei nº 8.078/90), sendo que outros juízes tratam a conduta como incômodo natural da era digital. Acabando com tal divergência, o Superior Tribunal de Justiça julgou o recurso nº 844.736 decidindo que, apesar do incômodo, a prática do spam não consubstancia fundamento para justificar o dano moral, vez que, em face da evolução tecnológica, é possível que a pessoa faça o bloqueio, delete ou, simplesmente, recuse tais mensagens. Assim, os ministros do STJ entenderam que a prática do spam configura mero dissabor e está fora da órbita do dano moral, vez que tal situação não tem condição de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. Importante frisar que, se o spam ofender a honra ou a dignidade de quem recebe as mensagens eletrônicas, será possível a condenação por danos morais.

Portanto, a prática do spam não configura crime no Brasil por falta de previsão legal, bem como pelo fato do dano moral ser reputado perante dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem-estar.” Por Welton Rubens Volpe Vellasco, mestre, advogado e professor de Direito Civil e Direito do Consumidor.

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.