Estamos na era da economia criativa. Em tempos de startups, vemos Uber, Netflix, Spotify, Airbnb e Nubank quebrando mercados e reinventando formas de se fazer negócio. A aceitação pelo público é alta pela transparência na comunicação, pela velocidade de atendimento, honestidade na precificação e zero burocracia. Cada vez mais a economia criativa se expande e aqui no Brasil, já conseguimos ver as primeiras startups financeiras com promessas que colocarão em xeque os antigos modelos de negócios dos bancos.

Com a velocidade de informação, o consumidor mudou. Ficou mais conectado, colaborativo, crítico e autoral. Fator que fez surgir uma nova oportunidade para novos empreendedores: modelos de negócios criativos e colaborativos.

Com estruturas enxutas, empresas como a Uber e Airbnb já possuem valor de marca maior que gigantes da indústria. Com nenhum carro em sua frota e pouco mais de 7.000 funcionários no mundo inteiro, a Uber vale mais que a GM. Já a Netflix, no Brasil, fatura mais que a Band, RedeTV e o SBT.

O mundo vive uma viral de startups. Quem não se adaptar irá perder espaço. O caso Uber e táxi, por exemplo. A Uber não veio para substituir o táxi, mas obrigou taxistas a reverem suas condutas e atendimento. Muitos taxistas perderam mercado. A Uber apresentou um modelo de negócio mais criativo e alinhado com as novas mudanças da sociedade: inteiramente digital, prático, transparente, seguro, colaborativo e sem burocracia.

Existem mercados que possuem má fama por serem burocráticos, maliciosos e por estarem em uma enorme zona de conforto. A Uber entrou em um deles e o sacudiu. Transformou o mercado de mobilidade urbana. Evento ficou conhecido como revolução Uber. Depois do sucesso, o ecossistema da economia criativa amadureceu e incentivou empreendedores para procurarem outro mercado: o dos tradicionais bancos.

Prazer, sou uma fintech

Fintechs são startups que prestam serviços financeiros como cartões de crédito, pagamentos à distância, contas correntes, seguros e empréstimos com base em tecnologia digital.

São modelos de negócios compactos e inovadores que oferecem serviços mais práticos, intuitivos, simples, sem burocracia, com atendimento 24 horas e inteiramente digital. Esse digital, inclusive, possui uma ótica bem diferente da dos bancos tradicionais. Ao invés de enxergarem o digital somente pela redução de custos, as fintechs utilizam o digital para melhorar a experiência do usuário. Fator que faz com que ofereçam taxas e juros reduzidos.

As fintechs nos Estados Unidos já são realidade e incomodam muito os bancos. Criam novas experiências na contratação de serviços financeiros e transformam um mercado que sempre foi burocrático e complexo.

Em matéria publicada pela revista ÉPOCA, o presidente Jamie Dimon da JPMorgan, Jamie Dimon escreveu um alerta para os acionistas de seu banco:

“O vale do Silício está chegando e trazendo um monte de startups com cérebro e dinheiro para mudar a nossa indústria”.

JPMorgan é a maior instituição financeira do mercado e a terceira maior empresa do mundo, segundo a Forbes.

As fintechs já estão no radar dos maiores bancos do mundo. Se a economia criativa derrubou grandes marcas da indústria da música, do cinema, de transportes e de hotelaria, por que não chegariam ao mercado dos bancos?

Existem no mundo um pouco mais de 1.400 fintechs, segundo dados de pesquisa da Venture Scanner. Em 2014, captaram 29 bilhões de dólares de fundos de investimentos. As fintechs já provaram seu valor aos investidores.

A grande tendência é que não precisemos mais dos bancos com sua burocracia e altas taxas para pedirmos empréstimos, abrirmos contas, efetuarmos pagamentos e calcularmos nosso seguro de vida e de carro. As fintechs irão revolucionar o mercado bancário assim como a Uber revolucionou o de transportes.

Fintechs são o futuro?

Já existem Fintechs consolidadas no mercado e que já deixaram de ser promessa há muito tempo. É o caso da Lending Club, conhecida como a Uber dos empréstimos. A fintech conecta pessoas que buscam dinheiro tanto para emprestar quanto para pegar emprestado. Parece uma ideia boba que causa receio e insegurança? A Lending Club fez a maior oferta pública inicial de ações do segmento de tecnologia. Conseguiu captar 800 milhões de dólares e atingiu o valor de mercado de 8,5 bilhões de dólares. A Lending Club está em 15º no ranking das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos.

Outro exemplo, também conhecida como Uber, mas da parte de transações internacionais, a Transferwise sacudiu o mercado de transferência internacional.

Fundada em 2011 por Taavet e Kristo, a fintech é uma plataforma que conecta pessoas que precisam transferir dinheiro para outros países. Imagine que você vá morar nos Estados Unidos. Você precisará transferir dinheiro do seu banco brasileiro para algum banco americano. Através de vias tradicionais, as taxas são altíssimas. Com a Transferwise, você, que acabou de ir morar nos Estados Unidos e tiraria dinheiro de um banco brasileiro, encontra uma pessoa na situação inversa, que tem banco americano, está morando no Brasil e precisa mandar dinheiro para um banco brasileiro. As duas pessoas, com o intermédio da plataforma, fazem transferências nacionais uma para a outra ao invés de fazer transferência internacional. Você que precisa de dinheiro nos Estados Unidos recebe do banco americano da pessoa que está no Brasil. E ela, por sua vez, recebe dinheiro do seu banco brasileiro. A Transferwise cobra de ambos uma taxa que chega a ser um décimo das taxas internacionais dos bancos. A fintech já opera em mais de 50 países, inclusive o Brasil. A empresa é famosa por receber aportes milionários de investidores e já possui valor de mercado maior que 1 bilhão de dólares, fazendo parte das unicorns, startups que ultrapassam o valor de U$ 1 bilhão.

Fintechs no Brasil

  • Nubank – o querido dos brasileiros, a empresa oferece um cartão de crédito sem anuidade e taxa de juros com cerca de 7% ao mês. Para cadastrar, o cliente tira uma selfie e uma foto frente e verso de seu documento. Com uma análise de crédito com cerca de 20 minutos, você é aprovado e em uma semana recebe em casa seu cartão. Com atendimento 24 horas por dia, o consumidor pode aumentar e diminuir o limite quando quiser via app e ainda antecipar pagamento de fatura. Quando é efetuada uma compra, aparece uma notificação semelhante a do Facebook com o nome do local, valor da compra e um mapa da onde fica o estabelecimento para maior controle do usuário. O cartão tem a bandeira Mastercard e é aceito internacionalmente.
  • Bidu – oferece cotação e contratação de seguros on-line. Semelhante ao Buscapé, a empresa integra a plataforma de grandes seguradoras e em apenas 30 segundos entrega propostas de cotação.
  • Asaas – plataforma para gerar boletos e gerir cobranças. Criado para autônomos e MEI’s com o intuito de acabar com a inadimplência, a Asaas gera boleto para você cobrar de seus clientes, os avisa via e-mail e SMS e notifica quando o cliente receber e abrir a mensagem.
  • ATAR BAND – plataforma que você cria uma conta pré-paga e utiliza uma pulseira para realizar pagamentos por tecnologia NFC, dispensando qualquer tipo de cartão de crédito ou débito. Segundo o site da empresa, 85% das máquinas do Brasil já aceitam pagamento à distância com tecnologia NFC. A tecnologia ficou famosa nas Olimpíadas RIO-16 com pulseiras da Mastercard e anéis de cerâmica da Visa que permitiam a mesma função. Basta colocar os acessórios perto do visor da máquina que o pagamento é realizado. São utilizados wearbles ao invés dos cartões de plástico.
  • Catarse – plataforma de financiamento independente. Pessoas e empresas do mundo todo conseguem, através do financiamento coletivo, recursos para desenvolver e implementar projetos.
  • GuiaBolso – aplicativo de gestão financeira. O cliente cadastra suas contas, podendo ser de diversos bancos e o app categoriza os gastos e mostra a sua saúde financeira em formato de gráficos. Segundo fundador, Thiago Alvarez, a saúde financeira do cliente cresce 15% depois de um mês de uso do aplicativo.
  • Banco Neon – com o slogan “Tipo um banco, só que totalmente diferente” o banco Neon criou um grande hype no mercado. Ainda em fase de pré-cadastros, a fintech se posiciona para jovens que estão cansados de viver presos aos bancos e não aturam burocracia e processos complexos. Sem agência física e totalmente digital, o usuário usa a biometria e selfies para realizar o cadastro. O cartão é Visa e – como o Nubank – internacional. É autorizado pelo Banco Central e filiado ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Com possibilidade de conta, pagamento, saque e transferência, o banco Neon é um grande player para acabar com os modelos antigos e ultrapassados dos grandes bancos.
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Mapa das fintechs brasileiras dividido por categorias. Fonte: Google.

Bancos. Adaptem-se ou morram

Com a real ameaça das fintechs, os grandes bancos já começaram a se mover. Eles precisavam se mover. Startups não possuem mais aquele antigo rótulo de amigos de faculdade que só tem vontade. E a estratégia foi a seguinte: se aproximar da nova geração e atrair startups para seus próprios quintais.

Ao invés de enxergarem como concorrentes em uma guerra, os bancos tradicionais perceberam algo lógico. Por possuírem uma estrutura muito grande e complexa, torna-se impossível competir com uma startup enxuta, com custos reduzidos e que já nasceu inteiramente digital e jovem.

Santander adquiriu a ContaSuper, startup de cartões pré-pagos inteiramente digital e personalizável, para usuários que não querem filas, burocracia e atendimentos demorados.

A Caixa Econômica possui a Caixa Seguradora, empresa de seguros tradicionais. Para se alinhar ao novo mercado, recentemente lançou a Youse, primeira empresa de seguros 100% digital do Brasil com o modelo de empreendedorismo colaborativo. Apesar de fazer parte do grupo Caixa, a Youse possui autonomia para ser de fato uma fintech. Possui estrutura de uma startup com uma equipe e ambiente de trabalho jovem e criativo. Com seguros de carro, casa e vida, o usuário pode fazer até mil combinações personalizáveis de acordo com sua necessidade. Todo o texto do site é divertido, transparente e o mecanismo de cotação é de graça e intuitivo.

Já o Itaú e o Bradesco foram além de criar empresas novas ou de atualizar seus serviços já existentes. A lógica deles? Vamos chamar as novas fintechs para se desenvolverem no nosso quintal. Com isso, o Itaú criou o Cubo e o Bradesco o programa InovaBra.

O InovaBra é uma incubadora de startups que tem o propósito de conectar o banco com as fintechs. Com um programa de 10 meses, o banco ajuda novos modelos de negócio criativos a se firmarem no mercado, podendo inclusive comprar parte das fintechs de melhor sucesso.

Segundo Maurício Minas, vice-presidente do Bradesco em matéria publicada na revista ÉPOCA, há três anos que o Bradesco tem uma equipe que vai para o Vale do Silício e para a Europa pesquisar sobre fintechs e startups para conhecer e compreender os novos modelos de negócios. E, ainda segundo a matéria, o Bradesco patrocina coworkings na Califórnia e em Nova York com o propósito de fomentar a economia criativa e conseguir se adaptar com velocidade superior aos outros bancos aqui no Brasil.

E o Cubo, é um coworking em São Paulo que comporta até 50 startups, não necessariamente fintechs. Possui propósito semelhante ao InovaBra. O de fomentar a tecnologia e a economia criativa. O espaço é uma troca de aprendizado e executivos do Itaú ficam constantemente no coworking conhecendo o novo mundo dos negócios. O Cubo tem como missão revelar a nova geração de empreendedores e startups do Brasil.

Como as startups, como a Uber e o Airbnb, dominaram mercados e conseguiram rapidamente a fidelização de clientes, os grandes bancos já se anteciparam e possuem fortes estratégicas para se alinhar aos novos moldes da economia criativa.

Investidores apostam valores altos nas fintechs. E se isso acontece é porque já foi avistado um futuro. Os jovens de hoje não aceitam mais modelos burocráticos, analógicos, complexos e com taxas abusivas. Por mais que algumas das novas fintechs sejam de bancos tradicionais, o novo comportamento de consumo irá obrigar o atendimento dos bancos serem mais jovem, humanizado, digital e transparente. Os bancos como conhecemos hoje deixarão de existir, no que diz respeito a filas enormes, processos físicos, complexos, taxas abusivas e com dificuldade de atendimento.

Da lista das maiores empresas da Fortune em 2000, mais da metade não existe mais. O mundo mudou e as estratégias precisam mudar. Modelos de negócio que ignoram o digital e subestimam o consumidor tendem a quebrar. A internet deu-lhes voz e poder. É preciso se adaptar. Ninguém iria imaginar que a Motorola e a Nokia perderiam a liderança. Ninguém iria imaginar que um aplicativo em que você pode alugar um quarto para um estranho iria se tornar a maior empresa de hotelaria do mundo. Ninguém iria imaginar que um aplicativo de carona iria desbancar o mercado dos táxis. Subestimar as fintechs por achar que os bancos são poderosos não é estratégico. Maior exemplo disso é que os maiores bancos do Brasil já estão se atualizando e criando formas para atrair as fintechs para os seus lados.

No final, quem ganha é o consumidor. Que cada vez mais terá experiências práticas, digitais, transparentes, honestas e humanizadas em serviços bancários.

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Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.