Que Arte estou produzindo?

(Antes, sugiro que você leia o primeiro texto, clicando aqui)

Ela é cultural. Viaja pelo mundo e vem cheia de bagagem. Tem um temperamento um tanto melancólico, é criativa e não tem rotinas. Sua agenda é cheia de divisões, horários, cores, inspirações.

Ela é única e intrínseca para alguns. Possui admiradores e críticos minuciosos. Se expressa através de verbos.

A gente se atenta tanto à prática que se esquece da teoria. Mas é no conhecimento teórico que ganhamos mais know-how e nos diferenciamos do indivíduo leigo.

Evocar.

A história da Arte traz um belo pano de fundo para compreensão de conceitos vistos e adotados hoje. Dentro de cada nicho de trabalho artístico, você ouve e produz para o mercado, um produto final – na maioria das vezes -, contemporâneo. Mas, o que seria construir ou criar algo contemporâneo?

Talvez a razão que é tão difícil de definir “arte contemporânea” seja por não termos uma direção clara de onde veio. “Houve momentos na história da arte contemporânea quando você desenvolvia resposta específica a um momento específico”, escreveu Michelle Kuo. Pense da arte Pop, por exemplo, que é a arte infundida nas imagens e audiovisual todos os dias e todo tempo. É quase que palpável, mas são conceitos evocados desde os anos 1960.

Transmitir.  

Falando semanticamente, o contemporâneo tende a se referir ao tempo presente. Nem sempre foi, no entanto, o termo preferido para discutir a arte do seu tempo. Em 1941, o diretor MoMA, Alfred Barr,discutiu com seus alunos afirmando que: “Os campos da arte moderna são bem abertos e é preciso gritar e se voltar para pesquisa acadêmica.” Mas a década de 1960 mudou tudo isso – as pessoas começaram a falar sobre “pós-modernismo” levantando uma causa ou fase, podendo se chamar modernismo. Hoje, usamos o termo geral “Arte Moderna” para se referir à arte feita entre o final do século 19 e os anos 1950, enquanto “arte contemporânea” é usado para se referir à arte muitas vezes após a década de 1970. Embora ela só tenha ganhado tamanha notoriedade pós 1990. Para desambiguação, alguns vão usar o “Post-War” para referenciar o que era criado a partir de 1945 até 1970. (base da fonte: site //www.artsy.net).

O historiador de arte Katy Siegel identificou através de uma linha desde 1945 (Making of Contemporary Art, Reaktion Books, 2011) uma espécie de equação da idade do espaço e da idade da pedra. Nessa equação ele quis mostrar que há uma relação em tudo. Desde lá de trás até hoje. Uma coisa vai puxando outra que vai influenciando outra e assim por diante.

Expressar.

E então, surge a arte “pós-internet”. Artistas hoje, sem dúvida, realmente tem uma relação diferente com o tempo. Fotografias de cinemas de Hiroshi Sugimoto, por exemplo, utilizando a exposição longa para capturar um filme inteiro em uma única tomada, comprimindo algumas horas em uma imagem instantânea… isso é único. É a resposta do passado com o presente e proeminente futuro. Aquilo que observamos nas mídias e expressamos como arte. O “pós” diz exatamente isto: “o que eu vi online que posso reproduzir ou reconstruir de forma mais eficaz e livre?”. A proposta é aumentar o tempo cada vez mais, descrevendo em termos de “tempo profundo”.

Surgem o que muitos críticos consideram como “futurólogos”: pessoas capazes, depois de todo conhecimento história, prever qual arte será considerável no mercado em um futuro próprio. São estudiosos do comportamento e ambiente corporativo.

Influenciar.

Estar atento a estes diálogos dentro do mercado, das empresas, das marcas e até mesmo dentro de sua casa, vai te tornar mais sensível, perceptivo e crítico, te abrindo novas portas. Perceber o rumo da história, essa breve cronologia que te passei, pode inspirar e resgatar muito de essência e valores. Fica o meu apelo para o estudo teórico dos conceitos que você já trabalha em sua rotina. Você trabavalha com cores? Estude a psicologia de cada uma delas, suas origens e misturas. Quem foram os pioneiros? O que os pensadores diziam sobre isso? Quais comportamentos o público ou audiência daquela época adotava? Certamente esta base poderá alicerçar melhor suas estratégias de mercado. E claro: novas criações. E pode ter certeza que alguém está se inspirando em você – seja positivo ou negativo.Qual verbo a sua arte está se expressando?

Libertar.

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa