Pokémon GO já é o maior app de todos os tempos nos Estados Unidos, é oficialmente um app viral e, cá entre nós, muita gente já diz que mais do isso, é viciante.

O jogo já foi baixado milhões de vezes, fazendo o preço das ações da Nintendo subirem consideravelmente. Pesquisa da SimilarWeb já informa que os jogadores estão tão obcecados que passam muito mais tempo nesse aplicativo que em outros como o Instagram e o Snapchat. Os caçadores de pokémon chegam a ficar 43 minutos por dia no aplicativo. Nos Estados Unidos, POKÉMON GO já é chamado de a nova obsessão americana, mas a questão é: O que faz o POKÉMON GO ser tão bem-sucedido?

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Thomas Zoega Ramsoy, CEO da Neurons Inc, solicitou uma análise do cérebro dos jogadores de pokémon durante as caçadas. No vídeo a seguir você poderá ver o que acontece a cada etapa do jogo. Thomas ainda não deu seu parecer sobre isso, apenas publicou seu vídeo no Youtube, mas algumas considerações já podem ser levantadas.

 

Embora o vídeo seja em inglês, eles tornaram a visualização dos dados bastante intuitiva. É fácil perceber que durante a utilização do app há variações tanto na carga cognitiva quanto na motivação do usuário.

Carga Cognitiva é a carga de trabalho imposta por uma determinada tarefa no sistema cognitivo humano. A teoria que trata sobre esse assunto fundamenta-se na impossibilidade de o ser humano ser capaz de processar muitas informações ao mesmo tempo. Por isso, vemos tantos acidentes relacionados à caça aos pokémons. Quem ainda não viu alguém caindo, sendo atropelado ou atropelando alguém no noticiário por causa de pokémons? Pois é, não dá para jogar e fazer todo o resto de forma exitosa ao mesmo tempo.

Mas embora o item carga cognitiva seja bem interessante, nesse texto é para a parte viciante do jogo que chamaremos a atenção.

 O POKÉMON GO pode viciar?

Segundo o neurocientista Dr. Carl Hart autor do livro Alto Preço, para uma pessoa ser rotulada como um viciado, o uso de algo (substância química, tecnologia ou qualquer outra coisa que possa se tornar viciante) deve estar interferindo em tarefas importantes de sua vida como maternidade/paternidade, trabalho, cuidados pessoais e relacionamentos e, mesmo após sentir as consequências negativas do uso desse algo, a pessoa não consegue deixar de fazê-lo.

Mas por que, então, tanta preocupação com relação ao jogo? Apesar de o jogo ter o lado inegavelmente positivo, da socialização e da prática de esportes, para alguns neurocientistas o uso contínuo do app Pokémon Go pode “sequestrar” o sistema de recompensa do cérebro dos jogadores.

Lembra que no vídeo vimos a todo instante a motivação crescendo e diminuindo durante as etapas do jogo? Para quem não sabe, a dopamina é a substância da motivação e uma das moléculas essenciais de sinalização no cérebro.

O cérebro registra todos os prazeres da mesma forma e não se importa se eles surgem de uma droga, uma recompensa monetária, um jogo, ou uma refeição deliciosa. No cérebro, prazer resulta no aumento do neurotransmissor chamado dopamina.

A liberação de dopamina age como uma recompensa, gerando o sentimento de bem-estar que reforça o estímulo que causou o prazer e, consequentemente, o desejo de senti-lo novamente. Por isso, a dopamina é conhecida como o neurotransmissor da motivação.

É esse ciclo (ação-prazer-motivação) que pode estimular o vício por determinada substância. O quanto uma droga é viciante depende de alguns fatores, como o quanto ela aumenta o nível de dopamina no cérebro, a velocidade com que é liberada entre outros. A heroína, por exemplo, aumenta em até 200% o nível de dopamina, segundo o Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, e é classificada com pontuação 3 (número máximo) na análise de David Nutt, pesquisador britânico, que desenvolveu uma escala para registrar o poder viciante de cada droga.

Mas qualquer ideia sobre POKÉMON GO ser de fato viciante ainda é mera especulação. O app foi lançado em 06 de julho nos Estados Unidos. Nenhum estudo foi feito sobre ele ainda, por isso não temos alta evidência sobre ele ser ou não de fato viciante. A ideia de que jogar vídeo game pode afetar nosso sistema de recompensa não é nova. A Nature, publica estudos sobre isso desde 1998, e os jogos também estão associados à liberação de dopamina. O diferencial aqui, segundo Elan BarenholtzPh.D., professor associado do Centro de Sistemas Complexos e Ciências do Cérebro na Florida Atlantic University é que as pesquisas existentes sobre como o cérebro reage a isso foram feitas com jogos que jogamos em nossos sofás, no modelo tradicional de game, onde estamos completamente cientes de que aquilo não é real.

O POKÉMON GO traz uma preocupação a mais por envolver devices que estão sempre à mão e realidade aumentada, o que gera uma recompensa muito mais gratificante, podendo ser mais perigosa.

POKÉMON GO ainda vai dar muito o que falar, há muitos itens que ainda poderemos analisar por aqui, mas por hora fique com esse e caso perceba que está passando da conta na utilização do joguinho, lembre-se do que disse Dr. Carl Hart no início desse texto, ok? E se for preciso, delete-o.

 Algumas fontes pesquisadas:

http://www.lamag.com/culturefiles/pokemon-go/

http://www.bbc.com/future/story/20160711-the-psychological-tricks-behind-pokemon-gos-success

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Erica Ariano

Apaixonada por tudo que é futurista e único, sofre de curiosidade latente e desprendimento de convenções. É consultora de marketing, especialista em mídias digitais e palestrante. Sua porção engenheira a faz ser louca por neurociência, por isso estuda o assunto e escreve sobre ele aqui também.