O que é normal para você? Ter opinião? Não ter? Vestir ou não vestir? Possuir? Adquirir?

Ser?

Antes de gerir um planejamento estratégico para sua marca, precisamos discernir os questionamentos que rodeiam o trabalho. Conhecimento gera conhecimento. E se você virou os olhos quando leu essa frase porque é algo muito ‘blasé’ ou ‘primário’, você certamente não tem pensado – e o seu conceito normativo pode estar um tanto desequilibrado.

“Desaprovo aquilo que diz, mas defenderei até a morte o teu direito de dizer.”

Eu digo: “Fulano, execute tal tarefa, por favor. ” – E ele vai lá executa. Mas, se eu perguntar: “Fulano, o que significa o que você executou? ” – Ele não saberá me responder. Pois falta-nos – me incluo nisto – desenvolvermos análise crítica diante da teoria exposta em conceitos. A gente vê muitas instituições formando robozinhos, uma massa acrítica, sem base fundamental sólida e singular. As discussões de muitas marcas são tão líquidas que você não absorve conhecimento. Tudo muito rápido, tudo muito prático, tudo muito gaseificado.

Voltaire via a filosofia com um importante papel na busca e no encontro de respostas. Para tal, seria imprescindível a liberdade do pensamento e expressões, sendo a única forma de se chegar a conclusões mais profundas e coerentes. Ele diz que devemos julgar o homem pelas perguntas que ele faz. Quais perguntas você tem feito ao seu público? Quais questionamentos tem levantado? E estes têm gerado discussões sadias? O tempo de entregar tudo pronto acabou. Você precisa fazer o outro pensar.

As dimensões culturais e simbólicas estão ganhando importância cada vez mais na explicação ao consumidor, sobre produto, branding e até relações organizacionais. Por isso, precisamos sempre repensar a maneira que imprimimos nossa opinião ao usuário final. A pergunta que cansativamente ouvimos é: “Quais são os objetivos da empresa que você criou ou administra? ” Mas precisamos entender que dentro desta, estão outras perguntas pertinentes à motivação e essência.

“O país onde o comércio é mais livre será sempre o mais rico e próspero, guardadas as proporções.”

Friso aos meus alunos que, independente da área de atuação, você precisa ‘se ligar’ nos questionamentos que podem otimizar o seu dia, a sua vida. Falar sobre propósitos, por exemplo, pode nortear sua carreira. Questione suas intenções no despertar diário, no abrir mão de familiares, amigos, eventos, lazeres, ócio.

Com isto, vem o prumo da liberdade de exposição. Saber trabalhar com o humor na crítica política e o direito ao esquecimento, em contraste à relevância de outras garantias como os direitos à memória, à informação e à liberdade de expressão.

Sua marca está online? O discurso sobre o ecossistema comportamental que alimenta a internet, por exemplo, precisa ser formado por usuários produtores de conteúdo e reguladores em todas as esferas, pautando a reflexão assertiva e objetiva.

Quando você estiver criando, produzindo e lançando algo, não pense somente qual é a sua visão do mercado, e sim como o outro o vê. Atente ao tratamento da mensagem, suas motivações, os estímulos que serão gerados e o impacto cultural que este pode gerar.

Não importa a quantidade de incentivos que você oferece se o bloqueio for você ou um chefe do funcionário pensante. Quando não há liberdade de expressão as ideias não surgem, as opiniões se omitem, as observações se escondem, os objetivos divergem, os incentivos a nada e a ninguém incentivam.

“Se você tem um funcionário em determinado setor, parta do pressuposto que este conhece bem o trabalho que realiza, ou não o mantenha lá. Se ele realmente conhece o que faz, suas opiniões devem ser permanentemente bem vindas, ainda que pareçam ilógicas, merecem ser ouvidas… executadas quando viáveis e quando não, explicadas com parcimônia e respeito o porquê de sua não adesão.” (Fonte: site Reflexões Corporativas)

Diante de tudo exposto, fica uma pergunta intrínseca: quem sou eu? – Ou ainda: o que estou fazendo aqui? São tantas ‘importâncias’ que preciso atentar e direcionar meu pensamento; tantas opiniões que preciso ter, que me esgoto em responder o que é essencial. Os movimentos da vida te fazem acontecer. A rotina simples – dos detalhes, das manias -, te movimenta. Os pânicos se tornam seus melhores amigos. Sua sombra brilha. Seu olhar muda.

Para concluir, assista o vídeo.

Você não pode ser definido pelo o que você faz, mas por quem você é. Questione o mundo. Abrace o mundo. Seja o mundo, mas não esqueça do mérito inegável de ser você. Sua audiência é feroz, como dito por Voltaire, e você pode aprender a domá-la através da influência do seu comportamento.

“Não prestamos para nada se só reconhecermos quem somos quando formos bons para nós próprios.”

banner clique
The following two tabs change content below.
Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa