A produção brasileira do consagrado reality The X Factor, antes mesmo de seu início televisionado, não conseguiu impor autoridade e boa imagem à grande massa de inscritos e apreciadores do programa. Diante do tamanho explosivo que a má repercussão ganhou, ficou claro alguns tópicos que, mais do que relevantes, são pertinentes e valiosos dentro de um sistema gestor. Após ler matérias nos sites de comunicação, os inúmeros comentários expostos na fan page do show, vários vlogs no Youtube e conversas com pessoas que participaram da seleção, levantei insights para a nossa rotina corporativa. Vale aos profissionais da área, empreendedores e amantes da comunicação. (Peço que considere também o hipotético, já que – como em tudo -, há exceções). Desde já, agradeço a disposição e colaboração de todos. Me reservo a não expor todos os detalhes.

RESPEITE O CLIENTE

Ao todo, cerca de 30 mil pessoas para 12 banheiros químicos (não podiam usar os do ambiente físico). 1 único lugar para a audição (Arena Corinthians, SP). Os relatos dizem que os candidatos chegaram antes das 06h00 e foram ouvidos depois das 23h00. Os mesmos esperaram em pé. A princípio, não havia fila organizada ou informação na entrada; os próprios participantes a fizeram. Não havia segurança suficiente. Não houve preocupação com a saúde e exposição climática. Não houve atenção às necessidades básicas. Vários setores e encaminhamentos com várias senhas. (Estas condições foram as mais notificadas).

As tendas foram projetadas erroneamente. Então o candidato não foi ouvido sozinho, mas com outros ao seu lado, contrariando o esperado. Cantaram juntos, dificultando uma análise mais precisa.  De minutos, a produção reduziu à segundos o tempo da “apresentação”. E ao final, depois de mais de 12 horas em pé, ouviram: “não gosto do cantor tal, por isso não vou te passar”, “Você canta bem, ótima postura e aparência, mas nós já encerramos as seleções 4 horas atrás, só estamos cumprindo tabela. Volte no próximo ano”.

Estes pontos nos fazem pensar que, infelizmente, em um grande sistema organizacional, há falhas – técnicas e éticas. Por isso, enfatizo a primordial necessidade de desenvolvermos a habilidade empática. Há rotineiramente um marasmo e dormência coletiva superior quando tratada questões humanitárias. De fato, as pessoas estão se tornando mais frias. E isto – por diversas influências das quais teríamos que conversar em outro texto -, afeta na dignidade do próximo; no convívio não só entre funcionários, mas no relacionamento com o cliente.

Não preciso concordar, mas respeitar. Veja, se não possuo recurso, não submeto o outro ao desumano a favor da minha imagem. É princípio. 

ACREDITE NO POTENCIAL DO SEU CLIENTE

Como dito acima, o reconhecimento de habilidades tem uma relação muito próxima a gentileza. Contrate profissionais capacitados para sua empresa; pessoas que tenham conhecimento prévio sobre o assunto, capazes de desenvolver processos de julgamento e lógica, entregando assim, um produto (resultado) com mais integridade e competência ao cliente. Evite “tragédias psicológicas”, a descriminação e a falta de senso crítico. Opinião pessoal não pode ser critério. Certamente, sua empresa será rotulada e desvinculada à status de credibilidade. O que nos leva ao próximo ponto:

SEJA TRANSPARENTE COM O CLIENTE

Segundo os candidatos, foi dito que a seleção seria por vídeo, mas não o fizeram desta forma, levando a crer que de nada valera o ambiente online. Talvez, se a triagem fosse realizada, o objetivo logístico teria êxito. Burlar regras e não cumprir como prometido em regulamento exposto para todos, em vários tópicos, perde a veracidade de sua imagem. Se eu não posso, eu digo que não posso. Se eu não sei, digo que vou pesquisar e procurar saber. Se não quero, digo que procurarei alternativas para desenvolver. Ponto. Não faça mais do que seus braços não sustentam. Cuide da autenticidade em seu trabalho.

O demasiado torna-se notável e substancial, mas não desenvolvido e coerente.

NÃO SUBORNE O CLIENTE

O perfil destas plataformas está estigmatizado com: “os votos foram comprados”, “fulano pagou para entrar” e por aí em diante. No caso da ilustração, foi relatado que muitos pagaram à produção no dia para participar da audição, sendo então privilegiados a entrarem primeiro para serem ouvidos, e outros encaminhados por seus empresários direto às autoridades do programa, sem sequer participarem da seletiva. Bom, não cabe dizer até onde é verdade. Não posso afirmar. São especulações. Mas, se já é notório tal especulação, logo, perde-se credibilidade.

O “fake” possui várias faces. E não é tão fácil assim descobrir não, viu? O favoritismo está presente em todo ambiente. O que é corrompido é muito difícil de desconstruir e prosseguir rumo à uma redenção. Porque, uma vez manchados o valor e a essência de sua marca, tornam o conceito de “verdade” chulo e ineficaz. Novamente, perde-se confiança e fidelidade.

PRESTE ATENÇÃO NO QUE OS CLIENTES ESTÃO DIZENDO DA SUA MARCA NAS MÍDIAS SOCIAIS

As palavras: “precário”, “desumano”, “desrespeito”, “desigualdade”, “lixo”, “ódio”, “incoerência”, “figuração” e “farsa” estão sendo usadas por parte dos participantes para traduzir a produção brasileira. Foram criadas as #StopTheXFactorInBrazil #TheXFarsa #TheXFail, para expressarem suas indignações nas mídias, inclusive no próprio Instagram do Simon Cowell, idealizador do programa e dono dos direitos da franquia, chamando a atenção para o caos que havia sido a pré-seleção.

Diante do ocorrido, a Fremantle Media Brasil, responsável pela produção divulgou uma nota – um tanto quanto atrasada e rasa -, lamentando. Entretanto, participantes ainda insatisfeitos, enfatizaram a seguinte frase da declaração: “(…) Nós não havíamos antecipado o grande número de pessoas que gostariam de participar das audições do programa. (…)”, dizendo ser esta incoerente, contraditória e mentirosa, já que a gestão sabia previamente, sobre o número de inscritos, com e-mails enviados para os candidatos. Após isso, alguns que passaram para a próxima seleção decidiram não fazer mais parte por descordarem de tais posturas.

Todos os posts feitos na página possuem diversos comentários negativos. Todas as vezes que os jurados e a apresentadora postam algo pessoal em suas mídias, os internautas aproveitam para desabafar (mesmo sabendo que estes não possuem parcela de culpa). Diante disso, o ritmo de publicações do programa nas mídias diminuiu, refletindo em seu engajamento.

O resultado, até o atual momento, foi a demissão da diretora Flávia da Matta. Guilherme Pendino, diretor de entretenimento da Band, irá assumir.

FAÇA O MAPEAMENTO DOS POTENCIAIS CLIENTES

Seu impacto no marketing digital pode ser traduzido em: relacionamento. Isto ditará o comportamento de sua marca. E neste contexto, quais formas que funcionam ou não para você. Prepare um diagnóstico prévio sobre sua concorrência também. E neste planejamento, noções sobre o “Ponto A” e o “Ponto B”. Ou seja:

Ponto A: Informações caraterísticas de sua audiência (chamado também de público-alvo ou cliente). Faixa etária, classe social e condições de ambiente físico de trabalho. A infraestrutura é adequada? Possui acessibilidade? Dispõe de banheiros suficientes de acordo com suas estatísticas de público? Quantos e-mails você enviou e obteve resposta? Por aqui, vê-se a inerente responsabilidade logística. O cuidado no manuseio de informações coletadas. Cabe ainda, o ensaio. Pegue seu esboço, faça leitura em grupo e entenda quais expressões em sua oratória você pode usar. E então,
Ponto B: O seu objetivo. O que você quer que a audiência sinta? Faça? Conclua? Quais são seus motivos?

Você até pode estar certo em suas intensões, mas se sua audiência não acreditar, de nada vale. Qual o gap que une o ponto A ao ponto B? Se a sua audiência for ampla, por que não trabalhar com eventos regionais?

Trabalhe com métricas e obtenção de dados racionais. Assim, a capacidade de previsão se expande. O tático e o operacional andam juntos. O controle organizacional depende do financeiro e humano. Uma coisa puxa a outra. Essa análise sistemática influencia no comportamento e construção das expectativas.

“Saber ouvir é mais importante do que saber falar” – já disse alguém resolvido por aí. Cuidado com a euforia da sua exposição. Lembre-se: vivemos em tempos intolerantes. Reconheça seus erros. Reavalie seu posicionamento enquanto marca e olhe para os lados. Busque referências que possam te dar base empreendedora. Utilize recursos colaborativos que te sirvam com suporte e apoio na demanda.

Contrate assessores para auxiliar e treinar sua equipe em postura, comunicação verbal e ética. Assim, você não perde o equilíbrio criativo.

Quis pontuar pontos negativos para nos levar a reflexão, e friso que estes estão expostos nas mídias. E talvez haja outros que sua percepção captou. Mas sei que existem os positivos. Existe muita gente boa e competente por aí. Espero que estas considerações te ajudem em uma boa estruturação na escultura de seu planejamento, seja ele de qual cunho for. Planejar é procurar antever problemas e tornar a experiência do cliente a melhor possível. Comunique-se e gere informação. O glamour começa na preparação. Não há perfeição, mas organização. Fiz a relação mercadológica mas fica meu apelo por mais respeito aos artistas de nosso país.

Obrigado por ler até o final. Se você tem considerações a serem feitas, fique à vontade para expressa-las nos comentários. Até o próximo texto.

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Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa