Era mais um dia normal na empresa, no qual minha equipe demandava minha atenção para entender melhor alguns assuntos da área de marketing. E como toda boa equipe de marketing, naturalmente, ao final de reuniões sempre rola alguma brincadeira ou piadinha. Em geral, era sempre eu quem fazia, mas dessa vez tive que ouvir. A equipe toda riu e tirou sarro da minha mania de rabiscar enquanto explicava alguma coisa. Ainda se fosse um desenho bonito ou algo que pudesse ser aproveitado faria algum sentido para eles, mas ao final de alguma explicação já saiu até algo mais ou menos assim:

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Como sou curiosa, após ouvir o pessoal me chamando de Picasso, fui procurar algo a respeito disso. Comecei buscando no Google com palavras-chaves como “por que rabiscamos enquanto explicamos”, “rabiscar e falar”, “formas de ensinar”, “aprendizagem cognitiva”… Qualquer coisa que pudesse ter alguma relação.

Fui atrás do assunto, pois acreditei que não poderia ser apenas uma mania, já que isso me ajudava tanto a ensinar e parecia que tudo era melhor entendido pelas pessoas quando as linhas me acompanhavam no quadro ou no caderno. Você já passou por isso? Se não, comece a se observar mais. Muitas pessoas têm esse hábito.

Continuei a minha pesquisa e a leitura foi ficando cara vez mais interessante. O resultado disso foi que obtive alguns insights através de conceitos que explicam de certa forma por que rabiscamos e como isso pode melhorar os nossos métodos de ensinar e aprender.

Orientação e foco

Tanto para quem está explicando, quanto para quem está acompanhando o pensamento do professor, qualquer desenho ou rabisco ajuda a manter o foco e dá orientação ao conteúdo que está sendo construído. Portanto, rabiscar é uma ótima forma de manter-se concentrado no que você está falando e também no que você está ouvindo. Para quem ainda acha que isso é uma grande besteira, saiba que existe uma pesquisa que comprova através da Psicologia Cognitiva o quanto rabiscos podem nos ajudar na memorização de um conteúdo.

Elementos visuais

Sabemos que elementos visuais são bem-vindos quando estamos aprendendo. No entanto, elementos estáticos ou em excesso podem ser cansativos para a mente, assim como apresentações em PowerPoint cheias de textos que podem acabar com todo a concentração de quem está assistindo.

E o que meus rabiscos têm a ver com tudo isso? Quando você improvisa alguma coisa enquanto narra uma situação, a chance de a atenção se manter para o assunto pode ser maior, já que as pessoas ficarão esperando pela próxima surpresa. Logo, o resultado é que as pessoas não esqueçam do que ouviram/viram. Por isso, se usarmos elementos visuais sabiamente dinâmicos e que fazem sentido ao público que esteja recebendo o conteúdo, a memorização do aprendizado pode ser mais eficaz.

Aproveitando o insight dos rabiscos nesse conceito, uma dica é utilizar elementos que construam uma história ou narrativa e, claro, sempre usando recursos com os quais o seu público possa se identificar.

Mais inovação

Deixar-se levar por traços pode ser também uma forma interessante de libertar sua imaginação, pois como você já deve ter ouvido: o papel aceita tudo. Nesse caso, você pode usar essa técnica não só para ensinar, mas também enquanto estiver estudando ou aprendendo. Claro, cada um sabe a sua melhor forma de adquirir conhecimento, mas, quem sabe, dependendo do assunto, essa possa ser uma nova experiência para você. Deixe sua mão fluir, rabisque e deixe sua mente levá-lo aonde ninguém nunca imaginou.

Aprender é simples?

Outro ponto que é sempre um desafio quando estou ensinando alguém é pensar em qual é a maneira mais simples e fácil de ensinar um determinado assunto. Nesse sentido, quando rabisco, tenho a sensação de estar facilitando o entendimento sobre o que quero passar. Porém, ao mesmo tempo em que sei que ensinar e aprender pode ser algo simples, entendo que para cada pessoa há diferentes formas de assimilar um conteúdo. Mas afinal, como tornar a capacitação em um processo simples?

Quantas vezes nos deparamos com conteúdos ou professores que mais dificultam o aprendizado do que ajudam? A verdade é que um mesmo conteúdo ensinado por pessoas diferentes pode ter resultados distintos. Os motivos para isso variam, mas se tratando de simplificar o aprendizado, percebi que desenhar é uma forma acessível para nós, mortais, e, por isso, muito útil.

Até agora descrevi para vocês minha experiência e visão como líder, mas o que um especialista no assunto diria?

Veja o que Marcia Gisele Langendorf, psicóloga e proprietária da MGL Consultoria, especialista em Educação Corporativa e Gestão de Pessoas, diz sobre esse assunto:

“Transcrever em imagens, mapas mentais ou mesmo rabiscos as ideias são recursos que funcionam para auxiliar as pessoas que têm a sua percepção visual mais desenvolvida a não só a aprenderem melhor, mas também a organizarem melhor suas ideias para fazerem o planejamento de um projeto e até para transmitirem suas ideias de forma mais eficaz. Mas não devemos esquecer que existem pessoas que são mais auditivas ou cinestésicas e, para essas, outros recursos podem funcionar melhor, tais como: gravar as ideias assim que elas vêm na mente, para não correr o risco de esquecê-las; ou ainda fazer uma demonstração prática do que têm em mente. Mas o mais importante mesmo é que cada um perceba e pratique o que tem mais resultado consigo próprio, e se você aprende, ensina e produz melhor usando os “rabiscos”, invista neles!”.

E você, gosta de rabiscar enquanto ensina algo? Ou é mais de demonstrar na prática para ensinar o outro?

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Especialista em gestão de marketing com mais de 10 anos de experiência. Formada na área de Comunicação e com MBA em Marketing, experiência em Startups e em projetos de marketing internacionais, envolvendo países como Estados Unidos, México e Portugal.