Entre os desafios apresentados por um ambiente mutável, as organizações estão valorizando cada vez mais os gerentes que possuem habilidades de liderança. Qualquer pessoa que aspire a ser um gerente eficaz deve também se conscientizar de praticar e desenvolver suas habilidades de liderança. A microgerência não se trata de uma nova posição no quadro de gestores da empresa, mas de um perfil de gerência nocivo e mais comum do que se imagina, permeado por performances limitadas, individualistas e desagregadoras.

Fiz um exercício de memória e busquei lembranças profissionais e histórias vividas por amigos e colegas com o objetivo de enumerar alguns perfis capazes de exemplificar casos de microgerentes e líderes que sofrem de miopia gerencial:

O gerente “amigo”

Costuma ser muito simpático e usa sua influência para fazer amigos na equipe. Rapidamente elege algumas pessoas como favoritas, criando um grupo relativamente fechado onde circulam informações privilegiadas e protecionismo mútuo. Essa divisão na equipe promove desequilíbrio, conflitos e desrespeito e normalmente o gerente tem dificuldades em tomar decisões que envolvam medidas enérgicas em relação aos seus “amigos”.

O burocrata

Presta muita atenção aos mínimos detalhes e se comporta como modelo, uma vez que os membros da equipe devem seguir à risca seus métodos de trabalho, evitando customizar procedimentos, ainda que os resultados finais sejam absolutamente satisfatórios. Não tolera iniciativas, desencorajando os funcionários a tomarem decisões por conta própria e assumirem responsabilidades na sua ausência.

O déspota

Nesses casos o ego é rei, a prioridade é manter-se no poder, ainda que isso dependa de atitudes coercitivas e intimidatórias contra a equipe. Na mente desse profissional a equipe está a serviço de suas necessidades pessoais e seus caprichos, qualquer um que ouse desafiar a coerência de suas atitudes é tratado como rebelde e desleal, ao contrário dos que se deixam manipular, que são mantidos em posição de confiança e cumplicidade.

O “tapa-buraco”

Promovido sem nenhum planejamento ou contratado às pressas para ocupar uma posição vaga na equipe, não é de todo incompetente, porém, faltam-lhe atributos básicos de liderança e comprometimento. Uma vez que não se preparou para assumir tal posição, é tomado pela vaidade e abusa das vantagens do cargo, sofrendo de um constante temor de ser substituído por outro profissional mais experiente e com habilidades que não possui.

O calculista

Para este os membros da equipe são números, estatísticas de performance, pontos em planilhas de vendas, todas as decisões são tomadas com base nesses dados, não se preocupa em aprofundar relacionamentos nem mesmo em nível profissional e se baseia unicamente nesses números para avaliar critérios de valor dentro do grupo.

O criativo

Suas idéias são extremamente inovadoras, porém esse pensamento frenético se torna pernicioso quando da execução dos planos, a falta de foco na implementação das ideias torna as tarefas confusas. Na prática, a responsabilidade de desenvolver as estratégias recai sobre a equipe, tendo em vista que o gerente empreendedor já está mirabolando uma nova ideia.

O microgerente se destaca por hábitos centralizadores, destrutivos e mesquinhos e geralmente sofre de miopia gerencial, já que não tem a capacidade de reter talentos dentro da equipe e suas decisões estratégicas não ultrapassam a barreira do curto prazo.

Uma vez em posse do cargo, a presunção permeia todas as suas atitudes e sua conduta visa unicamente a entrega de resultados e a autopromoção, através da manipulação dos membros da equipe como instrumentos a serviço do próprio sucesso.
Curiosamente as empresas, de um modo geral, quando formulam suas declarações de missão, apontam aspectos relacionados à integridade, respeito e comprometimento corporativo entre seus membros no entanto, percebe-se uma extrema dificuldade na prática desses conceitos, permitindo a disseminação de interesses pessoais em detrimento aos interesses corporativos e a tolerância de comportamentos inadequados dentro das equipes de trabalho. Visto isso, entendo o quanto ainda temos que evoluir em termos de relacionamentos profissionais, dado o impacto que uma liderança promove na produtividade de seus liderados.

Culturas organizacionais premiam atitudes e comportamentos. Á medida em que esses comportamentos são reforçados, através de algum tipo de estímulo, tendem a ser repetidos. Ter consciência dos aspectos que estão sendo destacados dentro do grupo facilita a avaliação dos pontos conflituosos e que estão gerando transtornos, uma análise pessoal e crítica do estilo de liderança que está sendo aplicado é o primeiro passo para uma mudança na cultura da equipe.

Atualmente um dos maiores desafios enfrentados pelas lideranças é aplicar uma comunicação eficaz. A comunicação vertical, de cima para baixo, repleta de rumores, fofocas, informações incompletas e distorcidas, comprometem a clareza e a consistência no direcionamento das ações e do rumo da própria empresa.

O uso da coerção, ainda muito utilizado por alguns líderes e empresas, é uma visão absolutamente improdutiva em termos de motivação. Lideranças que se utilizam de algum tipo de intimidação, colaboram para a baixa produtividade, alta rotatividade, equipes desmotivadas e pouco criativas e clientes insatisfeitos. É questionável por que uma liderança emprega um estilo de chefia tão destrutivo e antiprofissional!

Ao desprender-se de formas ultrapassadas de pensar e agir o líder passa a orientar a equipe através de um poder positivo e se submete a investir tempo para avaliar aspectos satisfatórios ou que precisam de mudança ou ainda, aqueles que foram abandonados e merecem uma releitura. Utilizar técnicas de feedback e avaliação em grupo também podem fortalecer a confiança entre os colaboradores e provocar um diálogo honesto e construtivo, que possibilite equilíbrio e empatia entre funcionários e chefias.

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Marta Maciel

Graduada em Marketing, trabalha há dez anos na área comercial de shopping no segmento de varejo de moda. Acredita fortemente que o conhecimento e as soluções inovadoras serão válidos somente se compartilhados com todos.