O mercado de trabalho atual exige que os colaboradores tenham uma série de competências comportamentais que incluem o rigor na execução das tarefas, o compromisso com a performance, o cuidado com a excelência no atendimento, entre outras características de maestria.

Mas se você é daquelas pessoas que, em uma entrevista de emprego, responde que o seu maior defeito é ser perfeccionista, saiba que este pode vir a ser um ponto negativo.

A busca metódica pela perfeição, principalmente no ambiente de trabalho, pode atrapalhar a conquista de resultados objetivos. Em trabalhos de equipe, o perfil perfeccionista pode ter dificuldades em avançar por causa dos seus altos padrões de exigência pessoal, ou porque o medo de errar perante os outros é paralisante.

Esta é a ironia: o perfeccionismo em alto grau pode prejudicar o sucesso quando impede a pessoa de seguir com o projeto porque ainda não tem o cenário ideal, ou porque perde tempo demais em um processo extremamente perfeito, mas que não traz resultados no tempo certo.

Ou seja, há um limiar entre se esforçar para fazer o perfeito e entender que é preciso abandonar a perfeição para que o trabalho seja realizado.

Este também é um tema que envolve aqueles velhos conceitos de eficiência versus eficácia. No contexto empresarial, dizemos que eficiência é fazer as coisas de uma forma certa, enquanto a eficácia é fazer as coisas certas. Ou para utilizar um exemplo clássico: um trabalhador que cava um poço com perfeição realiza o seu trabalho com eficiência, mas o colaborador que cava o poço no local certo para achar a água é quem realiza o trabalho com eficácia e obtém resultados.

Se você está se identificando com o texto, confira algumas linhas de raciocínio que podem convencê-lo a abandonar a neurose pela literal perfeição:

A grama do vizinho é sempre mais verdinha

Não importa o quanto um perfeccionista nato se empenhe, o seu conceito de perfeição é tão subjetivo que pode ser inalcançável. A sensação de não estar satisfeito consigo mesmo pode minar a auto-estima e transformar-se em auto-sabotagem. Para não falar que a não realização pode gerar uma série de fortes frustrações e de sentimentos de angústia, de falha e de stress. Quando estes estados emocionais são detectados, é hora de pedir ajuda.

É impossível controlar o mundo

Mesmo que um perfeccionista se esforce para controlar tudo ao seu alcance, ainda existe uma série de eventos que nunca poderão ser controlados. Um exemplo muito simples é a previsão do tempo. Por mais que sejam programados todos os detalhes de um evento ou de uma viagem, São Pedro pode pregar uma peça com um bonito temporal. Relativizar os imprevistos ajuda as pessoas a serem mais flexíveis e, consequentemente, mais felizes.

Errar é humano

Basta abrir qualquer biografia sobre um famoso CEO e estará lá uma receita de coragem, de rebeldia e um histórico de persistência às adversidades. Os homens que fazem história são os tentam, que falham, que aprendem e que assim inovam caminhos. Não nos ensinam como evitar as falhas, mas nos ensinam que os erros da vida proporcionam grandes aprendizagens. Qual foi a última vez que você tentou algo sem medo de errar?

Ninguém agrada a todos

As pessoas com alto grau de perfeccionismo têm um apurado olhar crítico para si mesmo, e muitas vezes não avançam com medo de que os outros julguem o seu trabalho como abaixo da média. Neste caso, faça uma lista mínima de critérios a seguir em determinado trabalho e tente não adicionar pressão interna. É importante lembrar que nada neste mundo é consensual: o que seria do verde de todos gostassem do azul?

O imperfeito pode ser bonito

Tente ver a beleza nas irregularidades. Não significa não ter um padrão de qualidade, mas focar no essencial e não nos detalhes superficiais. Lembre-se de que você é capaz de fazer um processo exaustivamente excelente, mas naquele momento, optou por respeitar outros critérios, como por exemplo, o prazo de entrega.

Se durante o processo de desenvolvimento pessoal, a auto-sabotagem aparecer, faça uma lista das suas qualidades (ou peça para algum amigo íntimo fazer) ou das realizações das quais mais se orgulha e volte a ler sempre para se convencer das suas competências e ganhar um novo ânimo.

banner clique
The following two tabs change content below.

Renata de Freitas

É publicitária de Floripa, mas vive há quase 10 anos em Portugal, onde trabalha com Marketing Empresarial, fez PhD em Comunicação Estratégica e participa de grupos de investigação da área. É apaixonada por Branding, por assuntos criativos e por lugares inspiradores.