Nos tempos atuais, a todo instante somos estimulados a consumir produtos, bens ou serviços. Tal fato é ainda mais intensificado por intermédio da internet, onde a oferta desses itens se torna ainda maior e mais sortida. A possibilidade de compra a um clique, bem como a produção em grande escala de muitas empresas, faz da sociedade de hoje uma sociedade de consumo.

Mas, se por um lado vemos a fabricação em grande escala gerar lucros e conquistar consumidores, por outro, temos uma parcela de pessoas que vem apostando na produção artesanal como diferencial da concorrência. O movimento “Compro de quem faz”, que busca valorizar artistas e artesãos independentes, está ganhando cada vez mais força no país. A ideia de incentivar o sustentável e o local nos faz repensar a forma de empreender.

O movimento das cervejas artesanais é um exemplo. A bebida, que é uma das mais consumidas no país, vem sendo produzida por pequenos produtores, que buscam valorizar o sabor e principalmente a qualidade. A prática auto-gestiva permite a descoberta de outras maneiras de produzir, distribuir e de autossustentar. Além disso, o movimento vem quebrando alguns estereótipos que foram construídos ao longo dos anos pela mídia de massa, como a ideia de que “beber cerveja estupidamente gelada” é melhor. Ao contrário, o consumo da bebida estritamente gelada, acaba atrapalhando as papilas gustativas, responsáveis pelo sentido dos sabores.

O movimento vem mostrando também que pode ser tornar cooperativo, uma vez que consegue estabelecer vínculos com o local, permitindo que as pessoas consumam cervejas produzidas no seu próprio bairro, pelo vizinho, amigo etc. Toda essa atmosfera acaba contribuindo para criação de uma economia autossustentável.

Talvez, todo esse movimento que vem se estabelecendo em prol da produção artesanal seja uma necessidade das pessoas de consumir algo mais intimista, pessoal. Um estilo de vida que vai na contramão da hegemonia de consumo. O decorrer do tempo e a necessidade de se produzir em grande escala, muitas vezes faz com que as organizações caiam em uma “modice”, onde são fabricados itens parecidos uns com os outros, sem que haja nenhum tipo de diferencial, a não ser a marca.

Muitas empresas, ao iniciar algo novo e obterem sucesso com aquilo, acabam se acomodando e caindo em uma zona de conforto, esquecendo que para empreender é necessário buscar, o tempo todo,ideias e ações. A partir do momento que não criamos, não sobrevivemos!

Os produtores artesanais são movidos pela necessidade autorrealização, pelo desejo de serem independentes. A autocrítica e autoavaliação fazem parte das atividades deles, pois são justamente elas que contribuem para o autodesenvolvimento. Muitas vezes esses sentimentos são deixados de lado nas grandes empresas. Mas precisamos estar sempre atentos, pois como diz o professor, Louis Jacques Filion, “empreendedor é aquele que imagina, desenvolve e realiza visões”.

Você tem sido um bom empreendedor?

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Raiza Halfeld

Mineira de Juiz de Fora, movida a desafios. Gosta de aprender coisas novas e trocar experiências, pois enxerga a educação como um processo contínuo. É graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFJF, e atualmente cursa MBA em Marketing pela UNOPAR.